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Orientação e bem estar

A importância da nutrição no rugby

A liga de rugby teve origem no norte da Inglaterra em 1890 e hoje em dia é praticado em diversos países do mundo, incluindo a Austrália, Nova Zelândia, França, Rússia, País de Gales, Escócia, Irlanda, Papua Nova Guiné, Fiji, Samoa, África do Sul e em alguns países da América do Sul.
O objetivo do jogo é carregar, passar e chutar a bola pelo campo até chegar ao ingoal (o nome do gol), marcando o maior número de pontos. O jogo é realizado em dois tempos de 40 minutos, separados com um intervalo de 10 minutos no máximo. Caso ocorra algum incidente na partida, o juiz pode delegar acréscimos ao tempo, que se dá no mesmo período do jogo.
Cada time é composto por 15 jogadores, e cada um tem uma posição e o número é estabelecido pelo International Rugby Board: (1) loose head prop; (2) hooker; (3) tight head prop; (4) left lock; (5) right lock; (6) left flanker; (7) right flanker; (8) number eight; (9) scrum half; (10) fly half; (11) left wing; (12) leftcentre; (13) right centre; (14) right wing; (15) full back .
As demandas fisiológicas de rugby são complexas e exigem dos jogadores muita rapidez, agilidade, força muscular e potência aeróbia máxima, por isso, geralmente, o tipo físico orienta a posição de cada jogador, o que torna o rugby um esporte atípico quando comparado com uma série de outras modalidades onde a homogeneidade da compleição física da equipe é mais comum.
A posição front row (números 1, 2 e 3) precisa ter força e potência quando estão com a posse da bola, permanecem em atrito diretamente com o time oposto e possuem um número limitado de oportunidades para correr com a bola. Os locks (números 4 e 5) geralmente são altos, com uma avantajada massa corporal e grande potência. Os back row (números 6, 7 e 8) requerem força, potência e explosão para ganhar e reter a posse de bole. Um bom nível de resistência é exigido pelos backs rows à medida que esses controlam a posse da bola obtida pela frente. Os half backs (número 9 e 10) requerem força, velocidade e potência, pois ligam o ataque à defesa. Já os midfield backs precisam de força, velocidade e potência por terem que atravessar a defesa do time oponente. Os outside backs requerem considerável velocidade para conseguir driblar os adversários. Eles desempenham uma grande quantidade de corridas sustentadas, perseguições atrás da bola e chutes, além de ajudar na defesa.
Segundo Coutts et al. (2003), um atleta pode gastar cerca de 800 Kcal em uma partida de rugby. Este alto gasto energético está relacionado à maior massa corporal dos jogadores, ao maior dinamismo do jogo ou ao maior nível de contato físico associado às disputas pela posse de bola. Além disso, as exigências diferenciadas para os backs e forwards devem ser analisadas individualmente.
Por isso é importante no rugby observar a ingestão adequada de calorias e o consumo de macronutrientes, em especial dos carboidratos. Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, o consumo de carboidratos deve representar de 60 a 70% do valor calórico total diário, sendo esta recomendação fundamental para esse esporte. As proteínas contribuem para a síntese protéica muscular no pós-exercício e durante toda a fase de recuperação muscular. A necessidade diária de proteínas para estes atletas é de 1,2 a 1,8g/kg de peso, dependendo da exigência muscular imposta para diferentes posições. Outro ponto importante do rugby é a hidratação, e, por isso, a ingestão adequada de líquidos antes, durante e depois dos treinos e competições deve ser priorizada.
Um acompanhamento nutricional individualizado é de grande importância para um melhor rendimento e recuperação dos jogadores.

 

Referências bibliográficas:
1. Coutts A, Reaburn P. Heart rate, blood lactate concentration and estimated energy espenditure in a semi-professional rugby league team during a match: a case study. Journal Sports Science. 2004.21.
2. Durthie G, Pyned D, Hooper S. Applied Physiology and Game Analysis of Rugby Union. Sports Medicine. 2003.33(13).
3. Gabbett T.J. Science of rugby league football: A review. Journal of Sports Sciences. 2005.23(9).961–976.
4. Gabbett T, Kelly J, Pezet T. A comparison of fitness and skill among playing positions in sub-elite rugby league players. Journal of Science and Medicine in Sport . 2007.
5. Plotiz AF, Spamer MJ. A comparison of talented south African and english youth rugby players with reference to game-specific- anthropometric- physical and motor variables. South African Journal for Research in Sport, Physical Education and Recreation. 2006. 28(1).
6. Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Modificações dietéticas, reposição hídrica,suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Rev Bras Med Esporte. 2009. 15(3).