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Lanches intermediários

O Brasil, assim como em outros países desenvolvidos e em desenvolvimento, passa por um processo de transição nutricional, caracterizada por uma diminuição da subnutrição e aumento do sobrepeso e obesidade, afinal, com a globalização e a urbanização, o consumo alimentar sofre mudanças na qualidade e na quantidade dos alimentos disponíveis.
O estilo de vida atual favorece a realização de mais refeições fora de casa, que, normalmente, pela comodidade e falta de tempo, são à base de alimentos calóricos, açucarados e ricos em gorduras como os salgadinhos, os refrigerantes, os sanduíches prontos e os doces, porém, esse padrão de alimentos também é visto dentro dos lares brasileiros.
Alguns estudos mostram a importância do hábito de realizar lanches intermediários, conhecidos por “snacks”, que auxiliam na redução da fome, evitam a compensação nas próximas refeições, diminuem flutuações dos níveis sanguíneos de insulina, glicose, colesterol total e LDL-colesterol (“colesterol ruim”) e dos hormônios de saciedade.
No entanto, para que os benefícios do fracionamento das refeições sejam alcançados, há a necessidade de boas escolhas dos alimentos que irão compor essas refeições intermediárias: evitar as opções ricas em gorduras, sódio, açúcar e farinhas “brancas”, ou refinadas, além de dar preferência às que contribuem com a manutenção da saúde, como os alimentos compostos por cereais integrais, as frutas, as oleaginosas (castanhas e nozes) e os lácteos nas versões com redução de gorduras e de açúcares, que agregam sabor e qualidade aos snacks.
Outro ponto de atenção é a forma de acondicionar os alimentos, se ele não for consumido imediatamente – no trabalho, na faculdade ou na escola. Afinal, há um risco de contaminação e proliferação de microrganismos, além da perda de qualidade de nutrientes do alimento. Algumas dicas de como armazenar e organizar os produtos que serão consumidos nos lanches são:
– Manter os alimentos perecíveis, como os iogurtes e os lanches recheados com frios, armazenados em geladeira ou em bolsas térmicas. E consumi-los assim que possível;
– As frutas devem ser armazenadas preferencialmente íntegras para não perder as propriedades nutricionais;
– Os alimentos devem ser sempre acondicionados em recipientes ou sacos plásticos próprios para alimentos, para que sejam preservadas suas características de sabor, aparência e qualidade nutricional.

 

Referências bibliográficas:
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4. Gambardella AMD, Frutuoso MFP, Franch C. Prática alimentar de adolescentes. Rev. Nutr. Campinas. 1999;12(1): 5-19.
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