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Vitamina A

O termo vitamina A refere-se a todos os derivados de ß-ionona que exercem atividade biológica de retinol, exceto os carotenóides. O termo retinóide se refere ao retinol ou aos seus derivados naturais ou sintéticos, que podem ou não apresentar atividade semelhante à do retinol. Já os carotenóides, são um grupo composto por mais de 400 substâncias diferentes. Cerca de 50 carotenóides possuem ação biológica de vitamina A, sendo o ß-caroteno o mais importante.
A vitamina A é um micronutriente essencial para o bom funcionamento do sistema visual, além de exercer funções na diferenciação e manutenção epitelial, na reprodução e desenvolvimento embrionário e na função imunológica.
A deficiência de vitamina A está associada ao aumento de doenças infecciosas, distúrbios visuais, como cegueira noturna, xeroftalmia e distúrbios cutâneos, como xerodermia e hiperqueratose folicular e alterações no desenvolvimento fetal. No Brasil, a sua deficiência é considerada um problema de saúde pública, principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Bahia, Amazonas e Rio de Janeiro.
O metabolismo da vitamina A ocorre no fígado, sendo que dois tipos de células hepáticas estão envolvidos nesse processo, as células do parênquima hepático e as células de Ito. Grande parte do retinol ingerido é absorvido por via linfática e transportado pelos quilomicrons como ésteres de retinil para as células do parênquima hepático. Nessas células, os ésteres de retinil são hidrolisados, formando novamente o retinol que se liga a uma proteína ligadora de retinol (RBP) e é transferido para as células de Ito.
Nas células de Ito, o retinol ligado a proteína é esterificado pela lecitina. Esse processo varia de acordo com a quantidade de retinol e a sua ligação com proteínas ligadoras de retinol. As células de Ito além de captarem o retinol, também armazenam e liberam o retinol para a corrente sanguínea.
Na corrente sanguínea, o retinol se associa com a transtirretina (TTR) e é então captado pelos receptores celulares. Nas células o retinol necessita ainda ser convertido a forma ativa, sendo transformado em retinaldeído e finalmente em ácido retinóico.
As fontes dietéticas de vitamina A podem ser divididas em vitamina A pré-formada e a provitamina A. A vitamina A pré-formada é encontrada apenas em alimentos de origem animal, podendo receber diferentes denominações, como retinol, retinil, retinal e ácido retinóico. As principais fontes alimentares são o fígado, o óleo de fígado de peixes, o leite integral e derivados, os ovos e as aves.
Nos alimentos de origem vegetal são encontradas apenas as provitaminas A, como o a e o ß-caroteno e a ß-criptoxantina, que podem ser biologicamente transformadas em vitamina A no organismo. Estas constituem uma importante forma de ingestão em populações com risco de deficiência, auxiliando atender a recomendação diária de vitamina A.

Fontes alimentares de vitamina A

Vitamina A_tabela

FONTE: Tabela de Composição Química dos Alimentos da UNIFESP.

De acordo com as DRIS, a recomendação para o consumo de retinol é: para homens adultos: 900ug/dia e para mulheres adultas: 700ug/dia.

 

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