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Aminoácidos de Cadeia Ramificada (BCAAS) e exercícios

Os aminoácidos de cadeia ramificada, popularmente conhecidos como BCAAs, sigla derivada de sua designação em inglês Branched Chain Amino Acids, compreendem 3 aminoácidos essenciais: leucina, isoleucina e valina, encontrados, sobretudo em fontes proteicas de origem animal.
Um estudo realizado em atletas por Choi et al. (2013) sobre os efeitos do BCAA em substâncias que causam fadiga, como ácido lático (lactato), amônia e serotonina, obteve resultados satisfatórios na diminuição da fadiga causada pela serotonina, e não apresentou diferenças em relação à fadiga causada pela amônia e ácido lático.
A fadiga durante o exercício físico esta relacionada a diversos fatores, como intensidade, duração do exercício, ingestão de nutrientes e o nível de treinamento do indivíduo, assim como diminuição da glicose no sangue, afetando o sistema nervoso central (SNC) e causando fadiga. A alteração dos aminoácidos de cadeia ramificada, em especial o triptofano que é precursor da serotonina, neurotransmissor do SNC atuante no sono e apetite, atuam diretamente na fadiga central, que é chamada assim por afetar a parte nervosa da contração muscular. Outro fator que pode influenciar o aumento da sensação da fadiga central no exercício é a concentração elevada de ácidos graxos no sangue durante o exercício sustentado, que causa aumento do nível plasmático de triptofano livre, por competirem pelo mesmo receptor na albumina, proteína transportadora do sangue.
A síntese de serotonina pode ser reduzida através do aumento da concentração de BCAA no sangue, diminuindo a captação de triptofano no cérebro. Estudos em seres humanos demonstraram que a ingestão de BCAA reduz a percepção de esforço e fadiga, e também melhora o desempenho cognitivo após o exercício. No entanto, a suplementação de BCAA não influenciou cansaço físico e foi ineficaz na prevenção da perda de força e dor muscular.
De acordo com os estudos feitos por Chang et al. (2015) sobre suplementação de BCAA em atletas de handball, foi comprovado que o BCAA não gerou resultados no ganho de massa muscular, mas em relação ao seu uso na prevenção de fadiga central, foram obtidos resultados positivos, mostrando que seu uso em quantidades adequadas promove uma melhora no desempenho do atleta.

 

Referências bibliográficas
1. Choi S et al. Oral branched-chain amino acid supplements that reduce brain serotonin during exercise in rats also lower brain catecholamines. Springer, Pittsburgh, 2013.
2. Chang C et al. Branched-Chain Amino Acids and Arginine Improve Performance in Two Consecutive Days of Simulated Handball Games in Male and Female Athletes: A Randomized Trial. Journal Pone, Taiwan, 2015. 10(3).
3. Dudgeon WD, Kalley EP, Scheett TP. In a single-blind, matched group design: branched-chain amino acid supplementation and resistance training maintains lean body mass during a caloric restricted diet. Journal Of The International Society Of Sports Nutrition, 2016; 13(1).
4. Kim D et al. Effect of BCAA intake during endurance exercises on fatigue substances, muscle damage substances, and energy metabolism substances. The Journal Of Nutritional Biochemistry, 2013; 17(4):169-180.
5. Mikulski T et al. Effects of supplementation with branched chain amino acids and ornithine aspartate on plasma ammonia and central fatigue during exercise in healthy men. Folia Neuropathologica, 2015; 53(4):377-386.
6. Rogero MM, Tirapegui J. Aspectos atuais sobre aminoácidos de cadeia ramificada e exercício físico. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, 2008; 44(4).