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Orientação e bem estar

CAFEÍNA

A cafeína é uma substância presente em diversas bebidas e alimentos, entre eles o café, mate, guaraná, alguns chás, bebidas energéticas e até o chocolate.
No século XIX, o uso da cafeína se tornou notório em competições, pois auxilia no aumento da tolerância a demanda de esforço de determinadas modalidades.
De alta popularidade e parte da rotina de diversas pessoas, a cafeína possui grande divisão quando o assunto é seus benefícios, entre eles os principais são o estimulo ao sistema nervoso central, ação no sistema músculo esquelético e cardíaco e a liberação e atuação de diversos hormônios.
Os estudos demonstram que o uso em dosagens adequadas da cafeína tem benefícios quanto ao desempenho do atleta, sendo sustentada por mecanismos como melhora da vigilância e alerta, percepção de esforço reduzida e alguns mais específicos, o aumento da liberação de endorfina e da função neuromuscular. As evidências quanto ao efeito ergogênico da cafeína, ou seja, a melhora do desempenho físico, tem sido encontrada principalmente em exercícios aeróbios de média e longa duração, como corrida, ciclismo, remo entre outros, em contrapartida exercícios anaeróbios, de baixa duração, porém alta intensidade necessita de maiores pesquisas acerca da efetiva função da substância.
Desde 2010, suplementos de cafeína são permitidos e previstos na legislação brasileira, porém o Comitê Olímpico Internacional (COI) já considerou a cafeína como uma droga restrita, ou seja, possui um valor limítrofe urinário (>=12ug/ml) para a detecção de “doping”, devido aos possíveis efeitos ergogênicos, entretanto, está fora da lista desde 2004, por decisão da Agência Mundial Antidoping (WADA), devido a dificuldade de estabelecer valores limítrofes.
Encontramos na atual legislação brasileira referente a suplementos alimentares, a RDC Nº 243/2018, uma redução nos níveis relativos à suplementação da cafeína, quando comparada com a antiga, a RDC Nº18/2010, principalmente por conta de seus efeitos adversos como dependência, irritação, insônia, ansiedade, taquicardia, parestesia, ação diurética e até mesmo desconfortos gastrointestinais. Antes a dosagem máxima e mínima, respectivamente eram 210 e 420mg, enquanto na atual, 75 a 200mg, porém para indivíduos atletas é permitida dosagem máxima de 400mg desde que a dose individual não ultrapasse 200mg em dose individuais. Além disso as atuais diretrizes do COI relatam que é mais difícil encontrar os benefícios em atletas bem treinados e ainda há a necessidade de maiores investigações para estabelecer o uso prático em diversas situações no esporte.

Referências Bibliográficas

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