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Magnésio
Calorias & Nutrientes - Minerais

O magnésio (Mg) é um mineral importante em várias reações celulares, participando de quase todas as ações anabólicas e catabólicas. Cerca de 300 sistemas enzimáticos são dependentes da presença de magnésio. Algumas destas atividades incluem a glicólise e o metabolismo protéico e lipídico (LUKASKI, 2004).

É um constituinte importante de ossos e dentes, membrana celular e cromossomos (ALMEIDA; CARDOSO, 2006). A principal função do Mg é estabilizar a estrutura de ATP no músculo e em outros tecidos moles. O substrato para as enzimas que utilizam ATP é do complexo Mg-ATP. Outra função muito importante é a participação do metabolismo de cálcio, potássio, fósforo, zinco, cobre, sódio, ácido clorídrico, acetilcolina, óxido nítrico, para enzimas, na homesostasia intracelular e para ativação da tiamina (MAFRA; COZZOLINO, 2005).

Participa ainda da transmissão neuromuscular, sendo necessário para o transporte de potássio e para a atividade de cálcio (MAFRA; COZZOLINO, 2005). O magnésio é denominado "bloqueador natural do canal de cálcio". Na depleção de magnésio, o cálcio intracelular eleva-se. Visto que o cálcio exerce importante papel na contração tanto da musculatura lisa como da esquelética, um quadro de depleção de magnésio pode resultar em câimbras musculares, hipertensão e vasoespasmos coronarianos e cerebrais (MAFRA; COZZOLINO, 2005).

Via metabólica:

A homeostase do magnésio é dependente da quantidade ingerida, da absorção intestinal, excreção intestinal e renal. Aproximadamente apenas 1/3 do magnésio ingerido é absorvido. Conforme observado na figura abaixo:

 

 

A absorção ocorre através da difusão simples ou via carreador, principalmente no jejuno, podendo também ocorrer ao longo do intestino delgado e cólon. O aumento da ingestão calórica promove o aumento da absorção no intestino, já que o mecanismo pelo qual o magnésio é absorvido é dependente de energia. Entretanto essa absorção pode ser prejudicada na presença de lipídeos, fósforo, fitatos e oxalato. Dietas pobres em proteína (< 30g/dia) também retardam a absorção deste mineral (ALMEIDA; CARDOSO, 2006).

Cerca de 25% do Mg absorvido são secretados para o lúmen intestinal na forma de secreções digestivas, e parte pode ser reabsorvida. O balanço de Mg é mantido pela regulação da excreção urinária (MAFRA; COZZOLINO, 2005).

ação de hormônios da tireóide, a acidose, a aldosterona e a depleção de fosfato e potássio aumentam a excreção do magnésio. Por outro lado, a calcitonina, o glucagon, e o hormônio da paratireóide aumentam a reabsorção do filtrado glomerular (ALMEIDA; CARDOSO, 2006).

Deficiência:

A deficiência de magnésio manifesta-se clinicamente por formigamento, tremor, espasmo muscular, mudanças de personalidade, hipocalemia associada à hipocalcemia, anorexia, náuseas e vômitos. Condições severas de deficiência podem afetar os tecidos cardiovasculares, renais e neuromuscular. As depleções exarberadas são observadas em casos de malabsorção, alterações no do sistema renal, alcoolismo e de desnutrição protéico-calórica (MAFRA; COZZOLINO, 2005).

A deficiência dietética de magnésio é positivamente correlacionada ao aumento da peroxidação lipídica e à diminuição da atividade antioxidante (NIELSEN; LUKASKI, 2006).

A aferição do magnésio sérico, plasmático ou eritrocitário é o indicador do estado nutricional mais utilizado. A excreção urinária de magnésio é usada para avaliar o estado nutricional em magnésio, com um teste de sobrecarga, cujo método é considerado o mais confiável na detecção da deficiência de magnésio (BOHL; VOLPE, 2002). Por considerar os tecidos com maior concentração de magnésio no organismo, a determinação do conteúdo deste mineral no osso e no músculo reflete eficazmente suas reservas corporais. Todavia, as técnicas de obtenção de amostras de tecido no músculo e no osso são altamente invasivas e limitantes na pesquisa em humanos (BOHL; VOLPE, 2002).
A tabela 1 mostra alguns alimentos que possuem boa quantidade de magnésio:

Tabela 1. Quantidade de magnésio em 100g de alimentos:


Alimentos (g)

Magnésio (mg)

Acelga cozida

 85

Tofu

103

Pistache

121

Avelã

163

Caju

241

Melado

242

Amêndoas

275

Semente de abóbora

535

Fonte: Tabela da UNIFESP, 2009.

 

Recomendações:

 

Tabela 2. Necessidade média estimada (EAR) de magnésio:


Idade ( anos)

Magnésio (mg/dia)

Homens

 

19-30

330

> 31

350

 

 

Mulheres

 

19-30

255

>31

265

Fonte: DRI, 2002

 

Notas:

 Pesquisas têm demonstrado que pessoas estressadas do tipo agressivas, ambiciosas, competitivas, que vivem sob tensão têm constante déficit do magnésio muscular. Portanto, uma ingestão adequada de magnésio é essencial para manter as artérias relaxadas, à pressão arterial baixa e os batimentos cardíacos regulares (RONSEIN, 2004).

Na atividade física a deficiência de magnésio aumenta a produção de radicais livres, levando à alterações nas membranas celulares e a aumento na concentração de cálcio intracelular. Este aumento dificulta a contração muscular e ativa enzimas importantes na produção de eicosanóides. A ação conjunta desses mecanismos facilita a suscetibilidade a lesões e, conseqüentemente, prejudica o desempenho (GUIMARÃES; TIRAPEGUI, 2008).  Além disso, a resposta inflamatória é aumentada na deficiência de magnésio, sugerindo a existência de um ciclo vicioso entre este, inflamação e estresse oxidativo, que, no desempenho físico, traduz-se em lesões musculares mais sérias (AMORIM; TIRAPEGUI, 2008). 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

AMORIM, A.G; TIRAPEGUI, J. Aspectos atuais da relação entre exercício físico, estresse oxidativo e magnésio. Rev. Nutr,v.21, n.5, 2008.

BOHL, C.H; VOLPE, S.L. Magnesium and exercise. Crit Rev Food Sci Nutr, v. 6, n. 42, p.533-63, 2002.

CARDOSO, M.A. Nutrição Humana: Nutrição e Metabolismo. II.Série. Rio de Janeiro: Ed Guanabara Koogan S.A., 2006. Capítulo 15,  p. 237.

COZZOLINO, S.M.F. Biodisponibilidade de Nutrientes. Barueri: Ed Manole, 2005. Capítulo 22, p. 459.

LUKASKI, H.C. Vitamin and mineral status: effects on physical performance. Nutrition, v.20, p.632-44, 2004

 NIELSEN, F.H; LUKASKI, H.C. Update on the relationship between magnesium and exercise. Magnes Res, n.19, v.3, p.180-9, 2006.

RONSEIN, G.E. Influência do estresse nos níveis sanguíneos de lipídios, ácido ascórbico, zinco e outros parâmetros bioquímicos. Acta Bioquím. Clín. Latinoam,  v.38, n.1, 2004.

UNIFESP. Tabela de composição química dos alimentos [online] [acesso em 2009 abr 9]. Disponível em: <http://www.unifesp.br/dis/servicos/nutri/>