
Saiba mais sobre o Selênio
Calorias & Nutrientes - MineraisO selênio é um mineral (micronutriente) essencial a muitos processos corporais, e encontrado no solo. Ele começou a ser estudado por suas características toxicas, sendo o envenenamento um grave problema em regiões onde o solo contém grande concentração do mineral. No corpo humano, ele está presente em quase todas as celulas, sendo mais abundante, contudo, nos rins, figado, baço, pâncreas e testiculos (KRAUSE, 2005).
Este mineral faz parte de uma enzima antioxidante (glutationa peroxidase) que atua no interior da celula convertendo compostos toxicos em atoxicos (peroxido de hidrogênio) resultando na redução de radicais livres .
A ingestão inadequada ou aumentada de selênio depende de uma serie de fatores, desde o teor do mineral nos alimentos, até sua forma quimica no início da cadeia alimentar. Esses fatores incluem a distribuição do elemento no solo, a forma de absorção pelas plantas (que o colocam na cadeia alimentar) e as vias de ingestão e absorção (PHILIPPI, 2008).
É importante salientar que níveis reduzidos de selênio nas células e tecidos tem como conseqüências concentrações menores da enzima antioxidante glutationa peroxidase, resultando em maior suscetibilidade das células e do organismo aos danos oxidativos induzidos pelos radicais livres (SCIESZKA et al, 1997; BIANCHI & ANTUNES, 1999). Na literatura há evidências de que a deficiência de selênio é um fator importante de predisposição no desenvolvimento de tumores (BIANCHI & ANTUNES, 1999)
Trabalhos recentes demonstraram evidências de que a população de São Paulo apresenta baixa ingestão deste mineral. Esta está relacionada à dieta habitual da população e ao teor do mineral no solo, que se diferencia entre as regiões do país (COZZOLINO, 2007).
Metabolismo do Selênio
A absorção de selênio, que ocorre no segmento superior do intestino delgado, é mais eficiente sob condições de deficiência. O aumento da ingestão resulta frequentemente em excreção aumentada de selênio na urina. O estado do selênio é avaliado com o uso de sua mensuração da GSH-Px no soro, plaquetas e eritrócitos ou no sangue total. A medida de selênio em eritrócitos é um indicador da ingestão em longo prazo (NEVE, 2000). O selênio é transportado inicialmente ligado à albumina e, em seguida, ligado à α2 – globulina (KRAUSE, 2005).
Interação entre o Selênio e a Vitamina E
A vitamina E o selênio são antioxidantes e interagem fisiologicamente. Eles agem sinergicamente: a vitamina E reduz a exigência de selênio e o mantém em sua forma ativa; o selênio poupa a vitamina E, reduzindo a exigência dessa vitamina (VANNUCCHI & MARCHINI, 2007). Sendo assim, eles podem auxiliar na cura da doença hepática e de certas afecções musculares. Pode ajudar na prevenção do câncer, problemas cardíacos, cataratas e até acidente vascular cerebral.
Recomendações e Fontes Alimentares
O consumo adequado de selênio é necessário para se alcançar uma ótima saúde e expectativa completa de vida. Sendo assim, as RDA para selênio foram definidas em 2000 pelo Food and Nutrition Board como 55 a 70mcg/dia para homens, mulheres e adolescentes (de 14 a 18 anos de idade) (TRUMBO et al, 2001).
As principais fontes de selênio são: castanhas-do-pará, frutos do mar, aves e carnes vermelhas, grãos de aveia e arroz integral; além do solo no qual todos foram cultivados (KRAUSE, 2005).
É importante salientar que o excesso de selênio pode causar fadiga muscular, colapso vascular periférico, congestão vascular interna, unhas fracas, queda de cabelo, dermatite, alteração do esmalte dos dentes, vômito.
A seguir listamos os alimentos que contém selênio em sua composição:
Fontemcg/100 g
Castanha-do-pará
2960
Salmão
83,3
Farelo de trigo
77,6
Ostras cruas
63,7
Sementes de girassol secas
59,5
Fígado bovino
41,3
Camarão cru
38,0
Camarão cru
38,0
Farinha de centeio
35,7
Peito de galinha assado
20,2
Milho
15,5
Arroz branco cru
15,1
Alho
14,2
Cogumelo
12,3
Noz pecã
5,2
Amêndoa
4,7
Avelã
4,0
Fonte: Tabela e Composição Química dos Alimentos, Guilherme Franco, Ed. Atheneu, 1999.
Nota:
Os indicadores de toxicidade de selênio e o nível de ingestão dietética no qual a toxicidade ocorre foram relatados apenas na China. Os sinais de toxicidade, conhecidos como selenose, incluem alterações cutâneas e das unhas, cárie dental e anormalidades neurológicas.Referências
BIANCHI, M.L.P., ANTUNES, L.M.G. Radicais livres e os principais antioxidantes da dieta. Rev Nutr, v 12, n 2, pp 123-130, 1999.
COZZOLINO, S.M.F. Deficiência de minerais. Estud Av, v 21, n 60, PP 119 – 126, 2007.
KRAUSE. Alimentos, nutrição & dietoterapia.11 ed. São Paulo. Roca. 2005.
NEVE, J. New approaches to assess selenium status and requeriment. Nutr Rev , v 58, p 363, 2000.
PHILIP, S.T. Pirâmide dos alimentos: Fundamentos básicos da nutrição. Ed manole, 2008.
SCIESKA, M., DANCH, A., MACHALSKI, M., DROZDZ, M. Plasma selenium concentration in patients with atomach and colon câncer in the Upper Silesia. Neoplasma, v 44, n 6, pp 395-397, 1997.
TRUMBO, P., et al: Dietary reference intakes: vitamin A, vitamin K, arsenic, boron, chromium, copper, iodine, manganese, molybdenum, nickel, silicon, vanadium, and zinc. J A m Diet Assoc 101:294, 2001.
VANNUCCHI, H., MARCHINI, J.S. Nutrição clínica. Ed. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2007.