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ZINCO- Um Pequeno Íon com Grandes Funções!
Calorias & Nutrientes - Minerais

O zinco (Zn) é um íon pequeno que se difere de outros metais de transição, pois não participa das reações de redox e desempenha importantes papéis estruturais (CARDOSO, 2007).

É um mineral presente em mais de 200 enzimas diferentes, o que demonstra sua importância para o bom funcionamento do metabolismo de proteínas, carboidratos, lipídeos e ácidos nucléicos (CARDOSO, 2007). Está também envolvido na estabilização de membranas estruturais e na proteção celular, prevenindo a peroxidação lipídica (MAFRA; COZZOLINO, 2004).

O papel fisiológico do zinco como antioxidante é evidenciado por 2 mecanismos: proteção de grupos sulfidrilas contra oxidação, como ocorre com a enzima d-ácido aminolevulínico desidratase e na inibição da produção de espécies reativas de oxigênio por metais de transição como ferro e cobre.  (POWEL, 2000).

O Zn é também indispensável para atividade de enzimas envolvidas na síntese de DNA e RNA, como a RNA polimerase. Participa no desenvolvimento e integridade do sistema imunológico, através do desenvolvimento de linfócitos (CARDOSO, 2007).

Além disso, é importante na síntese, liberação de hormônios como insulina, testosterona, corticosterona e hormônio de crescimento (CARDOSO, 2007).

Aspectos metabólicos:

A captação do zinco pela superfície da borda em escova ocorre por meio de dois mecanismos de transporte: processo mediado por transportadores e por difusão simples, que varia em sua importância conforme a concentração desse mineral presente na dieta. O mecanismo mediado por carreador predomina em situação de baixa concentração de zinco na dieta, enquanto que a absorção por difusão simples é predominante quando a concentração desse mineral é elevada (COUSINS; MCMAHON, 2000).

Existem fatores intraluminais facilitadores da absorção de zinco como: aminoácidos (histidina e metionina), fosfatos, ácidos orgânicos e algumas prostaglandinas. A quantidade de proteína da refeição tem efeito positivo na absorção do zinco, porém proteínas específicas como a caseína tem efeito inibitório na absorção (OMS, 1998).

A CRIP (proteína intestinal rica em cisteína), proteína presente na mucosa intestinal se liga ao zinco na função de carreador intracelular aumentando a velocidade de absorção.

A presença de alguns aminoácidos, como cisteína e histidina melhoram a sua solubilidade. Ao contrário o conteúdo de fitatos presente nos alimentos como farelos, cereal de grão integral e leguminosas reduz a biodisponibilidade de Zn (MARQUES; MARREIRO, 2006).

Após a absorção, o Zn é liberado pela célula intestinal, passa para os capilares mesentéricos e é transportado no sangue portal, sendo captado pelo fígado e subseqüentemente distribuído para os demais tecidos (MAFRA; COZZOLINO, 2004).

É eliminado pelo organismo por meio dos rins, da pele e do intestino. As perdas endógenas intestinais podem variar de 0,5 a 3,0mg/dia. Sob condições normais, 95% do zinco da fração filtrável do plasma é reabsorvido na parte distal do túbulo renal. As perdas urinárias variam de 300-600mg/dia, influenciadas por mecanismos de secreção no túbulo proximal do néfron (CARDOSO, 2007).

Deficiência:

Com a deficiência prolongada, podem ocorrer:

  • Anorexia- pelo aumento dos níveis de norepinefrina e alterações no hipotálamo;
  • Retardo no crescimento e defeito no crescimento fetal;
  • Cicatrização lenta;
  • Intolerância à glicose pela diminuição de produção de insulina;
  • Hipogonadismo, impotência sexual e atrofia testicular;
  • Atraso na maturação sexual e esquelética;
  • Restrição da utilização de vitamina A;
  • Fragilidade osmótica dos eritrócitos;
  • Disfunções imunológicas, ocorrendo infecções intercorrentes;
  • Hipogeusia - o Zn é componente da gustina, uma proteína envolvida com o paladar;
  • Desordens de comportamento, aprendizado e memória;
  • Diarréia, dermatite e alopecia (MAFRA; COZZOLINO, 2004).

A deficiência de zinco moderada, além da grave, tem sido cada vez mais detectada, principalmente nos países em desenvolvimento, onde estudos bem delineados têm mostrado a importância clínica deste estado de deficiência, onde se observa: retardo no crescimento, diarréia, pneumonia, malária e prejudicado desenvolvimento cerebral (MAFRA; COZZOLINO, 2004).

Segundo a National Academy Sciences (2001) a recomendação deste nutriente para a população sadia é de  8mg/dia para mulheres e 11mg/dia para homens.

Tabela 1. Quantidade de zinco presente em 100g de alimentos:

Alimento ( 100g)

Zinco ( mg)

Ostra

33,2

Lagarto cozido

7,0

Acém cozido

8,1

Patinho cozido

8,1

Castanha do Pará

4,2

Fonte: TACO, 2006.

Nota:
Existem evidências experimentais que demonstram alterações na distribuição do zinco em organismos de indivíduos portadores da Síndrome de Down, bem como distúrbios bioquímicos, metabólicos e/ou hormonais, manifestados pela deficiência desse mineral. Várias pesquisas mostram os resultados promissores da suplementação com zinco na melhora de quadros clínicos, como o hipotireoidismo subclínico e alterações do sistema imune (MARQUES; MARREIRO, 2006).

Referências Bibliográficas:

COUSINA, R.J; MCMAHON, R.J. Integrative aspects of zinc transporters. Journal of Nutrition, v.130, n.5,  p.1384-7, 2000.

FOOD AND NUTRITION BOARD. Dietary reference intakesfor vitamin A, vitamin K, arsenic, boron, chromiun, copper, iodine, iron, manganese, molybdnum, nickel, silicon, vanadium, and zinc. Washington: National Academy of Sciences; 2001.

MAFRA, D; COZZOLINO, S.M.F. Importância do zinco na nutrição humana. Revista de  Nutrição, v.17, P.79-87,2004.

MARQUES, R.C; MARREIRO, D.N. Metabolic and functional aspects of zinc in Down syndrome, Revista de Nutrição, n.4, v.19, 2006.

NEPA-UNICAMP. Tabela brasileira de composição de alimentos. Versão II. 2ª ed. Campinas: NEPA-UNICAMP; 2006.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Elementos traço na nutrição e saúde humana. São Paulo: Roca; 1998. p.63-91.

POWELL, S.R. The antioxidant properties of zinc. Journal of Nutrition, v.130, p.1447-54, 2000