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Ácido Fólico e Seus Efeitos na Saúde
Calorias & Nutrientes - Vitaminas

O ácido fólico ou ácido pteroilglutâmico, também conhecido vitamina B9 ou vitamina M, é uma vitamina hidrossolúvel pertencente ao grupo das vitaminas do complexo B. Formador de coenzimas (dihidrofolato e tetrahidrofolato), auxilia na conversão da vitamina B12 para uma de suas formas de coenzima (PHILIPPI, 2008). Está naturalmente presente em alimentos, geralmente, na forma reduzida, como derivados de poliglutamatos, com 2 a 7 resíduos de ácido glutâmico, conhecidos como folatos (FRANCO, 1992).

As formas coenzimáticas agem em várias reações celulares fundamentais e são necessárias na divisão celular devido ao seu papel na biossíntese de purinas pirimidinas, e, conseqüentemente, na formação do DNA e do RNA. Em geral, o crescimento rápido e as multiplicações celulares requerem um suprimento adequado de folato (KRISHNASWAMY & NAIR, 2001; SCHOLL e JOHNSON, 2000).

Metabolismo do ácido fólico
A absorção do ácido fólico em concentrações fisiológicas no homem é feita principalmente no primeiro terço do intestino delgado, por processo ativo saturável dependente de pH e de sódio, apesar de ocorrer também em toda a extensão do mesmo. Porém, em altas concentrações, atravessa diretamente a parede dos enterócitos sem tais modificações (HERBERT, 1999; GUILLAND e LEQUEU, 1995; O’LEARY e SHEEHY, 2001).

O folato encontra-se no plasma distribuído em três frações: o folato livre, e os ligados aos transportadores de baixa e de alta afinidade que são responsáveis pelo transporte do folato para as células da medula, reticulócitos, fígado, fluido cerebroespinhal e células tubulares renais. Supõe-se que este transporte seja ativo e mediado por um carreador, uma vez que ocorre contra um gradiente de concentração (HERBERT, 1999).

As reservas normais no organismo variam de 5 a 10 mg, onde metade encontra-se no fígado, principalmente na forma de poliglutamato (VANNUCCHI et al, 1998; HERBERT, 1999; GUILLAND e LEQUEU, 1995).

Fontes

O ácido fólico é amplamente distribuído na natureza, sendo encontrado praticamente em todos os alimentos naturais na forma de folato. As principais fontes são as vísceras, carnes, verduras com folhas verde-escuras (espinafre, aspargo e brócolis), leguminosas (ervilhas, feijão e lentilha), laranja e gema de ovo.
                   

  Quantidade de folato em alguns alimentos

Deficiências
A deficiência de folato pode ocasionar anemia megaloblástica, complicações na gravidez e aumentar o risco para doenças cardiovasculares (PHILIPPI, 2008). Neste caso, a velocidade de multiplicação dos eritrócitos é prejudicada, resultando em divisão anormal e menor número de células, mas com tamanho aumentado – daí a denominação de anemia megaloblástica ou macrocítica (CARDOSO & VANNUCCHI , 2006).

A coenzima tetraidrofolato juntamente com a vitamina B12 é necessária para a conversão de homocisteína a metionina (DANG; ARCOT; SHRESTHA, 2000). Esta reação é de extrema importância, dado que a hiperhomocisteinemia, segundo inúmeros pesquisadores é fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (GORDON, 1998; MCGOWN, 1997; SELHUB, 1997).

O perigo da deficiência de ácido fólico na gravidez
Durante a gestação, os níveis sanguíneos maternos de ácido fólico diminuem como conseqüência da expansão do volume sanguíneo e do aumento da excreção urinária. Como no início da gravidez a placenta ainda não está formada, não existe mecanismo de proteção do embrião para as deficiências da circulação materna, portanto o estado nutricional e as reservas da mãe são vitais nesse período (CARDOSO & VANNUCCHI, 2006).

O maior impacto da deficiência sobre a gravidez está em seu papel na prevenção de defeitos do tubo neural, tais como espinha bífida e anencefalia (MAHAN & STUMP, 2003). O período de maior cautela são os 3 primeiros meses que antecedem a gravidez até a décima segunda semana de gestação. Nesse intervalo a ingestão adequada e até mesmo a suplementação podem prevenir os defeitos no tubo neural (CARDOSO & VANNUCCHI, 2006).

Recomendações
A DRI (1998) para adultos é de 400 μg de folato por dia e 600 μg por dia para mulheres grávidas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determinou, desde 18 de Junho de 2004, que as farinhas de trigo e milho utilizadas em alimentos industrializados devem ser enriquecidas com 150 μg de ácido fólico para cada 100 g de produto (CARDOSO & VANNUCCHI, 2006). A Resolução considerou as recomendações da OMS e da Organização Panamericana de Saúde (Opas) de fortificação de produtos alimentícios para a redução de doenças do tubo neural (PHILIPPI, 2008).

 

Recomendação das DRIs para folato


Grupos

Estágio de vida

Homens (mg/dia)

Mulheres (mg/dia)

1° ano de vida

0-6 meses

65 (AI)

65 (AI)

Pré-escolar

1-3 anos

150

150

Escolar

4-8 anos

200

200

Adolescente

14-18 anos

400

400

Adulto

> 19 anos

400

400

Gravidez

Todas as idades

-

600

Lactação

Todas as idades

-

500

Fonte: DRIS, 2002

 

Efeitos de cozimento nos teores de folatos em vegetais
Altas perdas de folatos têm sido relatadas em vegetais cozidos, a maior porcentagem é devida ao processo de lixiviação; assim como as outras vitaminas hidrossolúveis, além da própria degradação química (GREGORY III, 1989; HAWKES & VILLOTA, 1989).

Referências Bibliográficas

CARDOSO, M. A.; VANNUCCHI, H.  Nutrição e Metabolismo: Nutrição Humana. Rio de janeiro: Guanabara-Koogan, 2006.

RIQUE, A. B. R.; SOARES, E.; MEIRELLES, C. M. Nutrição e exercício na prevenção e controle das doenças cardiovasculares. Rev Bras Med Esporte,  Niterói,  v. 8,  n. 6, Dec.  2002.

SICHIERI, R. et al . Recomendações de alimentação e nutrição saudável para a população brasileira. Arq Bras Endocrinol Metab,  São Paulo,  v. 44,  n. 3, June  2000.  

FONSECA, V.M. et al. Consumo de folato em gestantes de um hospital público do Rio de Janeiro. Rev. Bras. Epidemiol, Rio de Janeiro, V. 6, n. 4, 2003.

RIBEIRO, L.C. et al. Ácido Fólico: sua importância em situações fisiológicas do ciclo vital. Compacta Nutrição, São Paulo.

PHILIPPI, S. T. Pirâmides dos alimentos: fundamentos básicos da nutrição. Barueri: Manole, 2008.

MAHAN, L. K; ESCOTT-STUMP, S. Alimentos, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca, 2003.

INSTITUTE OF MEDICINE, Food and Nutrition Board. Dietary Reference Intakes for Thiamin, Riboflavin, Niacin, Vitamin B6, Folate, Vitamin B12, Pantothenic Acid, Biotin, and Choline. National Academy Press, Washington, DC, 1998.

FRANCO, G. Tabela de composição química dos alimentos. 9 ed. São Paulo: Atheneu, 1992.

LIMA, J. A.; CATHARINO, R. R.; GODOY, H. T. Folatos em vegetais: importância, efeito do processamento e biodisponibilidade. Alim. Nutr., Araraquara, v.14, n.1, p.123-129, 2003.

Paul AA, Southgate DAT. The Composition of foods. 4 ed. London; 1978.