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Vitamina A
Calorias & Nutrientes - Vitaminas

O termo vitamina A refere-se a todos os derivados de β-ionona que exercem atividade biológica de retinol, exceto os carotenóides. O termo retinóide se refere ao retinol ou aos seus derivados naturais ou sintéticos, que podem ou não apresentar atividade semelhante à do retinol. Já os carotenóides, são um grupo composto por mais de 400 substâncias diferentes. Cerca de 50 carotenóides possuem ação biológica de vitamina A, sendo o β-caroteno o mais importante (EL BEITUNE et al., 2003).

A vitamina A é um micronutriente essencial para o bom funcionamento do sistema visual, além de exercer funções na diferenciação e manutenção epitelial, na reprodução e desenvolvimento embrionário e na função imunológica (CAMPOS e ROSADO, 2005; GRAEBNER et al., 2007; MARTINS et al., 2007).

A deficiência de vitamina A está associada ao aumento de doenças infecciosas, distúrbios visuais, como cegueira noturna, xeroftalmia e distúrbios cutâneos, como xerodermia e hiperqueratose folicular e alterações no desenvolvimento fetal (CAMPOS e ROSADO, 2005; GRAEBNER et al., 2007; NETTO et al., 2007).

No Brasil, a sua deficiência é considerada um problema de saúde pública nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Bahia, Amazonas e Rio de Janeiro (GRAEBNER et al., 2007).

Entendendo o metabolismo da vitamina A

O metabolismo da vitamina A ocorre no fígado, sendo que dois tipos de células hepáticas estão envolvidos nesse processo, as células do parênquima hepático e as células de Ito (PAULA et al., 2006).

Grande parte do retinol ingerido é absorvido por via linfática e transportado pelos quilomicrons como ésteres de retinil para as células do parênquima hepático. Nessas células, os ésteres de retinil são hidrolisados, formando novamente o retinol que se liga a uma proteína ligadora de retinol (RBP) e é transferido para as células de Ito (EL BEITUNE et al., 2003; PAULA et al., 2006).

Nas células de Ito, o retinol ligado a proteína é esterificado pela lecitina. Esse processo varia de acordo com a quantidade de retinol e a sua ligação com proteínas ligadoras de retinol.  As células de Ito além de captarem o retinol, também armazenam e liberam o retinol para a corrente sanguínea (PAULA et al., 2006).

Na corrente sanguínea, o retinol se associa com a transtirretina (TTR) e é então captado pelos receptores celulares. Nas células o retinol necessita ainda ser convertido a forma ativa, sendo transformado em retinaldeído e finalmente em ácido retinóico (PAULA et al., 2006).
As fontes dietéticas de vitamina A podem ser divididas em vitamina A pré-formada e a pró-vitamina A (EL BEITUNE et al., 2003).

A vitamina A pré-formada é encontrada apenas em alimentos de origem animal, podendo receber diferentes denominações, como retinol, retinil, retinal e ácido retinóico. As principais fontes alimentares são o fígado, o óleo de fígado de peixes, o leite integral e derivados, os ovos e as aves. (EL BEITUNE et al., 2003; CAMPOS e ROSADO, 2005).

Nos alimentos de origem vegetal são encontradas apenas as provitaminas A, como o α e o β-caroteno e a β-criptoxantina, que podem ser biologicamente transformadas em vitamina A no organismo.  Essas provitaminas A constituem uma importante forma de ingestão em populações com risco de deficiência, auxiliando atender a recomendação diária de vitamina A (CAMPOS e ROSADO, 2005).

A composição de carotenóides nos vegetais varia de acordo com a parte do vegetal que é consumido, o grau de maturação, o clima, o tipo de solo, as condições de cultivo e área geográfica de produção, as condições de colheita, processamento e armazenamento (CAMPOS e ROSADO, 2005).

 

Fontes alimentares
Tabela 1 – Alimentos fontes de vitamina A (UI) e equivalente de retinol (mcg_RAE) por 100g.
 


Alimento

Quantidade de vitamina A
(UI) por 100g

Quantidade de vitamina A RAE
(mcg_RAE) por 100g

Queijo tipo mussarela

676

179

Queijo tipo prato

1092

315

Queijo tipo ricota

445

120

Creme de leite

354

97

Manteiga

2499

684

Ovo cozido

586

169

Fígado bovino frito

26088

7744

Espinafre cru

9377

469

Brócolis cru

660

33

Manga

765

38

Abóbora crua

200

10

Cenoura crua

12036

602

Batata-doce crua

14187

709

FONTE: Tabela de Composição Química dos Alimentos da UNIFESP.

Nota
A unidade da atividade da vitamina A universalmente aceita é o equivalente de retinol (RE), baseado na atividade de 1 micrograma do all-trans retinol. A unidade internacional (UI), usada ainda em alguns contextos, é igual a 0,300 microgramas de all trans retinol. O Sistema International usa as medidas molares da vitamina A (baseada no peso molecular do retinol, tal que 1 micrograma do retinol é igual a 0,003491 micromoles e 1 micromole do retinol são iguais a 286,46 microgramas do retinol).  Os diferentes tipos de carotenóides têm níveis diferentes da atividade da vitamina A dependendo da eficiência de sua absorção e da taxa de sua conversão à vitamina A. Visto que 1 RE é igual a 1 micrograma de all-trans retinol, o mesmo nível da atividade da vitamina A requereu 6 microgramas do beta-caroteno e 12 microgramas  de outros carotenóides com atividade da vitamina A (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).

De acordo com as DRIS, a recomendação para o consumo de retinol é: para homens adultos: 900ug/dia e para mulheres adultas: 700ug/dia.

Referências

Campos FM, Rosado GP. Novos fatores de conversão de carotenóides provitamínicos A. Ciênc. Tecnol. Aliment 2005; 25 (3): 571-8.

El Beitune P, Duarte G, Nunes de Morais E, Quintana SM, Vannucchi H. Deficiência da vitamina a e associações clínicas.ALAN 2003; 53 (4): 355-63.

Graebner IT, Saito CH, Souza EMT. Avaliação bioquímica de vitamina A em escolares
de uma comunidade rural. J Pediatr 2007; 83 (3): 247-52.

Martins MC, Santos LMP, Santos SMC, Araújo MPN, Lima AMP, Santana LAA. Avaliação de políticas públicas de segurança alimentar e combate à fome no período 1995-2002. 3 – O Programa Nacional de Controle da Deficiência de Vitamina A. Cad. Saúde Pública 2007; 23(9):2081-2093.

Ministério da saúde. CGPAN - Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição [homepage da internet]. Disponível em <http://nutricao.saude.gov.br/mn/vita/docs/conversor.xls> [10 fev 2009]

Netto MP, Priore SE, Fransceschini SCC. Interação entre vitamina A e ferro em
diferentes grupos populacionais. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant. 2007; 7 (1): 15-22.

Paula TP, Peres WAF, Ramalho RA, Coelho HSM. Vitamin A metabolic aspects and alcoholic liver disease. Rev. Nutr., Campinas 2006; 19(5): 601-10.