
Vitamina D
Calorias & Nutrientes - VitaminasA vitamina D é de fundamental importância para a homeostase do cálcio e do fósforo e para a saúde musculoesquelética (SILVA et al., 2008). Também pode ser analisada como um hormônio, já que sua formação ocorre na pele por ação dos raios ultravioleta sobre os precursores 7-dehidrocolesterol e ergosterol que atuam sobre os receptores de vitamina D para regular o cálcio, contrapondo-se ao hormônio paratireóideo (DECS, 2009).
Para suprir as necessidades dessa vitamina, a maioria das pessoas depende de exposição da luz solar. Os raios ultravioletas B são absorvidos pela pele e leva a transformação da 7-dehidrocolesterol em colecalciferol (vitamina D3). (BANDEIRA et al., 2006). MOURÃO et al. (2003) afirma que a cor da pele e a composição corporal podem interferir na síntese e metabolismo de vitamina D já que a retenção metabólica pode estar associada ao aumento do tecido adiposo.
Metabolismo da Vitamina D
Assim que absorvida pela pele, a vitamina D é levada até o fígado onde sofre alteração na sua forma química. A partir daí é transportada aos rins onde sofre nova alteração e se estabelece na sua forma fisicamente ativa (SILVA et al., 2008). Estudos apontam que toda forma de vitamina D é conduzida na linfa após a absorção, porém de maneira diferenciada, sendo a vitamina D transportada pelos quilomicrons e o 25-OH D por uma proteína transportadora de ligação própria, que tem uma acentuada afinidade por esse composto. De qualquer forma, sabe-se que o composto 25-OH D é menos dependente de bile e mais bem absorvido que a vitamina D propriamente (MOURÃO et al., 2005).
No intestino delgado, a vitamina aumenta o transporte ativo de cálcio através do intestino, assim como o estímulo do transporte de fosfato intestinal. No osso ela funciona em conjunto com o hormônio PTH (hormônio paratireóide) e estrógeno para regular a mobilização e deposição de cálcio e fósforo. No rim ela aumenta a reabsorção tubular renal desses minerais. As atividades da vitamina D restauram o cálcio plasmático por intensificar a absorção entérica, retenção renal e mobilização a partir do osso (MAHAN e ESCOTT-STUMP, 2003).
A concentração sanguínea de vitamina D tem relação com os achados de osteomalacia e raquitismo e com a produção cutânea ou ingesta de desta vitamina, refletindo de maneira segura seus estoques corporais (SILVA et al., 2008)Sua deficiência prejudica a mineralização óssea, levando ao raquitismo e à osteomalacia, em crianças, e à osteomalacia, nos adultos. No entanto, reduções menos graves nos níveis de vitamina D, com concentrações séricas dentro dos valores de referência normais, podem levar à redução na calcemia, resultando hiperparatireoidismo secundário, perda óssea e osteoporose (SILVA et al., 2008). Além disso, a deficiência de vitamina D foi associada com maior risco para outras morbidades, como as doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 1 e 2 e câncer, especialmente do cólon e da próstata, entre outras (BANDEIRA et al., 2006).
Recomendações
Apesar de 2,5 μg de vitamina D por dia ser suficiente para impedir o raquitismo por deficiência desta vitamina, bebês e crianças têm um nível mais alto de recomendação de ingestão durante todo o período de desenvolvimento esquelético. A ingestão na fase adulta é necessária para suportar o processo normal de remodelagem óssea, assim como a homeostase adequada de cálcio e fósforo (MAHAN e ESCOTT-STUMP, 2003).
Fixa etária
Ingestão adequada (μg)
Ingestão máxima (μg)
0 – 12 meses
5
25
1 – 8 anos
5
50
9 – 50 anos
5
50
51 – 70 anos
10
50
Acima de 70 anos
15
50
Gravidez e lactação
5
50
Fonte: (DRI, 1997)
Fontes alimentares
Além da luz solar, a vitamina D3 pode ser encontrada em alimentos como óleo de peixes e gema de ovo (SILVA et al., 2008). O leite também contem um composto, 25-hidroxicolecalciferol (25-OH D), que é absorvido mais rapidamente do que as outras formas (MOURÃO et al., 2005).
Segundo o mesmo autor, a ingestão de álcool e fibras pode diminuir sua biodisponibilidade, ou seja, diminuir a quantidade de vitamina a ser utilizada pelo organismo. MAHAN e ESCOTT-STUMP (2003) citam que a vitamina D é muito estável e não sofre alteração quando os alimentos são processados ou armazenados por longos períodos.
Outra forma da vitamina D é a D2, ou ergonocalciferol, porém é pouco disponível nos alimentos e mais utilizada na forma de suplementos (SILVA et al., 2008).
Abaixo tabela com teor de vitamina D (μg) presente em 100 gramas do alimento:
100g do alimentoVitamina D em μg
Arenque, fresco, cru
21,25
Salmão
11,83
Leite tipo B (3,5% gordura)
1,0
Sardinha em lata
7,08
Fígado de galinha cozido
3,75
Gema de ovo
2,08
Leite materno
0,1
Ostra
0,25
Manteiga
0,11
Fonte: MAHAN e ESCOTT-STUMP (2003), PHILIPPI (2002).
REFERÊNCIAS BIBILIOGRÁFICAS:
BANDEIRA, Francisco et al . Vitamin D deficiency: a global perspective. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 50, n. 4, ago. 2006 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302006000400009&lng=pt&nrm=iso>. acessos em01 jun. 2009. doi: 10.1590/S0004-27302006000400009.
DECS – DESCRITORES EM CIÊNCIAS DA SAÚDE. Vitamina D. Biblioteca Virtual em Saúde. Disponível em <http://decs.bvs.br/cgi-bin/wxis1660.exe/decsserver/
?IsisScript=../cgi-bin/decsserver/decsserver.xis&task=exact_term&previous_page=
homepage&interface_language=p&search_language=p&search_exp=Vitamina D&show_tree_number=T>. Acesso em 01 jun 2009.MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Princípios nutricionais. Vitaminas. In: Krause – Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 10ed. Roca: São Paulo, 2003. cap. 4. p.76-77.
MOURAO, Denise Machado et al . Biodisponibilidade de vitaminas lipossolúveis. Rev. Nutr., Campinas, v. 18, n. 4, Aug. 2005 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732005000400008&lng=en&nrm=iso>. access on01 June 2009. doi: 10.1590/S1415-52732005000400008.
PHILIPPI, S.T. Tabela de composição de alimentos: suporte para decisão nutricional. 2 ed. São Paulo: Coronário, 2002.
SILVA, Bárbara C. Carvalho et al . Prevalência de deficiência e insuficiência de vitamina D e sua correlação com PTH, marcadores de remodelação óssea e densidade mineral óssea, em pacientes ambulatoriais. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 52, n. 3, abr. 2008 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302008000300008&lng=pt&nrm=iso>. acessos em01 jun. 2009. doi: 10.1590/S0004-27302008000300008.