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Vitamina K
Calorias & Nutrientes - Vitaminas

A vitamina K foi descoberta em 1929, por pesquisadores dinamarqueses ao observarem a síndrome hemorrágica (MOREIRA, 2007).Somente em 1970 foi demonstrado que a vitamina K era o substrato de uma enzima envolvida na conversão dos precursores inativos das proteínas dependentes de vitamina K em suas formas ativas (CARDOSO, 2006).

Refere-se a um grupo de moléculas que têm em comum a presença do grupo naftoquinona, presente em vegetais: filoquinonas (vitamina K1) e menaquinonas (vitamina K2), produzidas por bactérias e presentes em alimentos de origem animal e também a menadiona ( vitamina K3), forma sintética (VANUCCHI, 2007).

É uma vitamina lipossolúvel, por isso para serem absorvidas no intestino delgado, é necessária a presença dos ácidos biliares e gorduras dietéticas de cadeia longa. Depois de ser absorvida, a vitamina K é reesterificada e transportada em quilomícron rico em triglicerídeos no sistema linfático, sendo convertida no fígado em metabólitos de cadeia curta, que são excretados na bile e urina (CARDOSO, 2006).

A Vitamina K atua como cofator essencial na reação de carboxilação de resíduos específicos de ácido glutâmico (Glu), levando à formação de Gla, ácido gama carboxiglutâmico um aminoácido, A carboxilação capacita as proteínas de coagulação a se ligarem ao cálcio, permitindo assim a interação com os fosfolipídios das membranas de plaquetas e células endoteliais, o que, por sua vez, possibilita o processo de coagulação sangüínea normal.

 

 

Principais Funções:
A principal função é promover a síntese dos fatores de coagulação, ou seja, é necessária para síntese da protombina, precursora inativa da trombina, uma enzima que converte a proteína fibrinogênio em fibrina (proteína fibrosa) responsável pela formação do coágulo.
Além disso, existem atualmente diversas evidências de que a vitamina K é importante tanto no desenvolvimento precoce do esqueleto, quanto na manutenção do osso maduro sadio (DORES; PAIVA; CAMPANA, 2001).

 

Deficiências:

Diversos fatores protegem os adultos da deficiência de vitamina K, como: a distribuição ampla de vitamina K nos alimentos, o ciclo endógeno da vitamina e a própria flora intestinal ( DORES; PAIVA; CAMPANA, 2001).
A carência dietética ou alterações da microflora por drogas ou fatores nutricionais que caracterizam um processo chamado de disbiose é o que pode acarretar problemas de coagulação.
Para avaliar essa deficiência, avalia-se o tempo de protombina, um dos fatores de coagulação.

Fontes Alimentares:

A tabela 1 mostra a través do método de Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE) a quantidade de filoquinona nos alimentos (forma predominante de vitamina K). Como pode se observar a vitamina K é amplamente distribuída em alimentos de origem animal e vegetal.

Tabela 1. Conteúdo de filoquinona de alimentos determinados por CLAE.

Faixas de concentração (µg de filoquinona por 100 g de alimentos)

0,1- 1,0

1,0- 10

10- 100

100- 1000

Abacate (1,0)

Maçã (6)

Fava (19)

Brócolis (179)

Bananas (0,1)

Farelo de trigo (10)

Repolho roxo (19)

Couve de bruxelas (147)

Carne, bife (0,8)

Pão integral (2)

Couve-flor (31)

Repolho (339)

Pão branco (0,4)

Manteiga (7)

Pepino (21)

Alface (129)

Frango, coxa (0,1)

Cenoura (6)

Ervilhas (34)

Salsa (548)

Óleo de coco (0,5)

Vários queijos (2-6)

Óleo de oliva (80)

Óleo de canola (123)

Bacalhau fresco (<0,1)

Óleo de milho (3)

Mostarda (88)

Óleo de soja (173)

Farinha branca (0,8)

Gema de ovo (2)

 

Espinafre (380)

Presunto (0,1)

Uvas verdes (9)

 

Agrião (315)

Milho (0,3)

Aveia (10)

 

 

Manga (0,5)

Pêssegos frescos (4)

 

 

Laranja (<0,5)

Ameixa (8)

 

 

Leite de vaca (0,6)

Morangos (3)

 

 

Arroz branco (0,1)

Óleo de girassol (6)

 

 

Batatas (0,9)

Tomates (6)

 

 

Iogurte (0,8)

Trigo (8)

 

 

Alimentos crus, exceto quando a forma cozida é indicada.
Dados modificados de Shearer et al. (1996).

Nota:
Shea et al (2007), sugerem que a Vitamina K também possui um efeito protetor na progressão de doençascardiovasculares e osteoporose, uma vez que ambas as doenças são caracterizadas pela inflamação. Dados mostram a associação inversa entre a vitamina K e interleucina-6, e isso pode influenciar a associação entre vitamina K e outras citocinas, que ajudam no processo inflamatório.

 

Referências Bibliográficas:

DORES, S.M.C; PAIVA, S.A.R; CAMPANA, A.O. Vitamina K: Metabolismo e Nutrição. Revista de Nutrição , v.14, n.3, p.207-218, 2001.

MOREIRA, A.V.B. Vitaminas. In: SILVA, S.,M.,C.,S. e MURA, J.,D.,P. Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Ed Roca, 2007. Capítulo 4, p.77-104.
SHEA, M. K. et al.  Vitamin K and Vitamin D Status: Associations with Inflammatory Markers in the Framingham Offspring Study. American Journal of Epidemiology, V.167, N.3, 2007.
SHEARER, M.J., BACH, A., KOHLMEIER, M. Chemistry, nutritional sources, tissue distribution and metabolism of vitamin K with special reference to bone health. Journal of Nutrition, Bethesda, v.126, n.4, p.1181S-1186S, 1996.