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Técnicas de Estimativa da Ingestão Alimentar
Serviço de Atendimento ao Profissional - Avaliação Nutricional

O registro e a avaliação acurada da ingestão dietética de um indivíduo é o mais difícil aspecto da abordagem nutricional. A informação obtida pode ser muito útil, entretanto é importante reconhecer as limitações dos dados (Mahan e Arlin, 1995).

Os inquéritos dietéticos podem fornecer informações tanto quantitativas como qualitativas a respeito da ingestão de alimentos, seja a nível individual ou populacional. Não existe uma metodologia de inquérito alimentar perfeita, mas sim métodos preferenciais para determinados propósitos. Por isso, recomenda-se ao pesquisador o adequado entendimento da natureza dos erros inerentes aos inquéritos dietéticos, assim como dos possíveis impactos dos mesmos sobre a estimativa de consumo alimentar (Cintra et al, 1997).

A validade e reprodutibilidade do método dependem muito da habilidade do investigador e da cooperação do investigado. Os métodos de avaliação nutricional podem ser divididos em dois grupos: retrospectivos e prospectivos (Cuppari, 2002).

MÉTODOS RETROSPECTIVOS:

  • Recordatório de 24 horas
Vantagens Desvantagens
Fácil e rápido de ser aplicado Depende da memória
Baixo custo Requer treinamento do investigador para evitar indução
Quando realizado em série, fornece estimativas da ingestão usual do indivíduo A ingestão prévia das últimas 24 horas pode ser atípica
Não altera a dieta usual Bebidas e lanches tendem a ser omitidos
Pode ser utilizado em grupos de baixo nível de escolaridade Não fornece dados quantitativos precisos sobre a ingestão de nutrientes
Pode ser usado para estimar o valor energético total da dieta e a ingestão de macronutrientes Não reflete as diferenças entre a ingestão de dias da semana e o final de semana
- Pode ocorrer sub ou superestimação
Fonte: Cuppari, 2002      
  • Frequência alimentar
Vantagens Desvantagens
Pode ser auto-administrado ou utilizado por outros profissionais Não fornece informações sobre a quantidade consumida
Baixo custo Não é possível saber sobre a hora ou circunstância em que o alimento foi consumido
Rápido Listas complicadas para a população geral podem não ser úteis para grupos com diferentes padrões alimentares
Pode descrever padrões de ingestão alimentar Bebidas e lanches tendem a ser omitidos
Gera resultados padronizados A análise fica difícil sem o uso de computadores e programas especiais
Pode ser utilizado para estudar a associação de alimentos ou nutrientes específicos com alguma doença -
Fonte: Cuppari, 2002      

O Questionário de Freqüência Alimentar (QFA) tornou-se o método dominante nos estudos epidemiológicos para avaliaçäo do consumo dietético, em especial para avaliar a relaçäo da dieta com a ocorrência de doenças crônicas näo transmissíveis (Betzabeth, 2003).

  • História dietética
Vantagens Desvantagens
Leva em consideração modificações sazonais Requer um nutricionista altamente treinado
Fornece uma completa e detalhada descrição qualitativa e quantitativa da ingestão alimentar Depende da memória

Minimiza as variações que ocorrem dia-a-dia
Exige tempo
Fornece uma boa descrição da ingestão usual -

Fonte: Cuppari, 2002      

 

De acordo com Garcia (2004), Nos métodos recordatório de 24 horas e na história dietética que dependem respectivamente do relato do que foi consumido ou do que é habitualmente ingerido, a memória e a percepção são condições para garantir a qualidade da informação, podendo produzir distorções consideráveis.


MÉTODOS PROSPECTIVOS:

  • Registro alimentar estimado
Vantagens Desvantagens
Não depende da memória Pode interferir no padrão alimentar
Proporciona maior acurácia e precisão quantitativa dos alimentos Requer tempo
Identifica tipos de alimentos e preparações consumidos e horários das refeições Exige que o indivíduo saiba ler e escrever
- A subestimação é comum
- Exige alto nível de motivação e colaboração
-
Apresenta dificuldade para estimar a quantidade ingerida
Fonte: Cuppari, 2002      

 

  • Registro alimentar pesado
Vantagens Desvantagens
Aumenta a acurácia do tamanho das porções e consequentemente dos nutrientes ingeridos Pode restringir a escolha dos alimentos
- Exige tempo
- O consumo pode ser alterado nos dias de registro
-
Apresenta um custo elevado
- É de difícil aplicabilidade na rotina
Fonte: Cuppari, 2002      



Algumas possíveis fontes de erros que podem distorcer as informações sobre a ingestão alimentar são: a percepção do que se come; a memória do entrevistado; efeitos decorrentes da idade, sexo e ambiente da entrevista; a própria coleta de dados pode afetar as informações de ingestão; a variação alimentar diária e a sazonalidade (os dias em que são realizadas as entrevistas podem ser mais ou menos representativos do que outros); a habilidade do entrevistador em obter informações e a disponibilidade de colaborar com a investigação (Garcia, 2004).

Diversos autores concordam no aspecto de que não existe metodologia ideal para verificação do consumo e dos hábitos alimentares. Dessa forma, é importante que o profissional, no momento em que planeja um acompanhamento nutricional em nível populacional ou individual, escolha o melhor instrumento a ser utilizado, considerando as características da população ou indivíduo a ser abordado e diminuindo assim a probabilidade de fatores que possam interferir nos resultados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

MAHAN, L.K., ARLIN, M.T. Krause Alimentos Nutrição e dietoterapia. 8ª ed. São Paulo: Roca, 1995.

CINTRA, IP; HEYDE, MED.; SCHMITZ, BAS.; FRANCESCHINI, SCC. e SIGULEM, DM. Métodos de inquéritos dietéticos. Nutrire, 13 (2), 1997

SLATER B; PHILIPPI, ST; MARCHIONI, DML; FISBERG, RM. Validaçäo de questionários de freqüência alimentar - QFA: consideraçöes metodológicas. Rev. bras. Epidemiol, 6(3): set. 2003.

GARCIA, RWD. Representações sobre o consumo alimentar e suas implicações em inquéritos alimentares: estudo qualitativo em sujeitos submetidos à prescrição dietética. Rev Nutri, Campinas, 17 (1): jan/mar, 2004.

CUPPARI, L. Nutrição clínica no adulto. Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar. UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. São Paulo: Manole: 2002.