
Aula Pré-Congresso: Bioenergética
Serviço de Atendimento ao Profissional - Trabalhos CientíficosANDREA ZACCARO
RGNutri Consultoria Nutricional
IV CONGRESSO INTERNACIONAL DE NUTRIÇÃO ESPORTIVAPara entender a nutrição esportiva, nosso primeiro passo é relembrar como funcionam todas as vias metabólicas relacionando-as com o tipo de esforço e dispêndio energético (tipo e quantidade) de cada modalidade.Em um atleta, rendimento está diretamente relacionado aos estoques e fornecimento imediato de energia.
Este combustível vem dos macronutrientes da dieta (CH, LIP, PTN), que são armazenados em nossos estoques corpóreos.
De forma resumida temos que a produção de energia pode ocorrer por três vias: Sistema ATP-CP, ANAERÓBIO E AERÓBIO.
SISTEMA ATP-CP (Creatina fosfato)
Produz energia imediata para situações de exercício de alta intensidade, aproximadamente de 5 a 10 segundos. O princípio básico é a ressíntese de ATP a partir da retirada do grupo fosfato da creatina que é passado para um ADP. Este sistema ocorre em anaerobiose.
VIA GLICOLÍTICA:
Existem duas fases desta via: a anaeróbia e a aeróbia. A primeira fornece energia até os primeiros minutos da atividade física.
Glicólise anaeróbia:
No processo anaeróbio de produção de energia, a glicose é degradada até ácido pirúvico e depois à lactato. A energia é obtida por fosforilação ao nível do substrato, sem a necessidade de oxigênio.
O ácido lático só é formado quando a quebra da glicose é muita, produzindo mais hidrogênio do que a capacidade de processamento de NADH da cadeia respiratória para a formação de água. Então este hidrogênio em excesso se combina com o ácido pirúvico formado, formando o ácido láctico. A partir do momento em que haja oxigênio disponível, este ácido lático é novamente convertido em ácido pirúvico, podendo fornecer energia.
Glicólise aeróbia:
Neste processo, a glicose é degrada até ácido pirúvico, passa pelo ciclo de Krebs, resultando em gás carbônico e hidrogênio, que vai para a cadeia respiratória ou de transporte de elétrons, produzindo energia.
- Ciclo de Krebs: metabolismo de todos fragmentos formados (do metabolismo de CH, proteínas e lipídeos)Um pouco mais de cada nutriente e sua relação com o exercício:
CARBOIDRATOS
Glicídio: sua estrutura básica é 3 a 7 átomos de carbono com átomos de hidrogênio e oxigênio. Os carboidratos são elaborados pelos vegetais à partir do CO2 atmosférico, liberando O2, no processo de fotossíntese. São substratos energéticos das plantas.
Exemplos:
- Glicose: 6 átomos de carbono, 12 de hidrogênio e 6 de oxigênio (C6 H12 O6);
frutose e galactose: mesmas moléculas, porém com outro tipo de ligação química.
- Glicogênio: sintetizado e armazenado nos tecidos animais. As moléculas de glicogênio são grandes, variando desde algumas centenas até milhares de moléculas de glicose. Nos seres humanos, cerca de 375 a 475g de carboidratos são armazenados. Desses, aproximadamente 275g são glicogênio muscular; 100 a 120g glicogênio hepático e de 15 a 20g estão presentes na corrente sangüínea.Durante o exercício, o glicogênio muscular é utilizado como fonte de energia para o próprio músculo no qual está armazenado. Já o glicogênio hepático é primeiramente convertido em glicose e transportado no sangue até os músculos. Este é o processo chamado de glicogenólise. A função primordial do estoque de glicogênio hepático é o fornecimento de glicose para o SNC e não para o músculo, visto que a glicose é o único combustível utilizado pelo SNC e o músculo tem outras formas de obtenção de energia.
Quando os estoques de glicogênio são depletados, passa a ocorrer então o processo de gliconeogênese, que consiste da síntese de glicose a partir dos componentes estruturais dos outros nutrientes, especialmente das proteínas.
Os hormônios, especialmente a insulina, têm um papel importante na regulação dos depósitos de glicogênio, pois eles controlam os níveis de açúcar no sangue.
Uma função importante dos carboidratos é a ativação do metabolismo das gorduras. Isto ocorre pois é necessário dispor de fragmentos provenientes do metabolismo dos carboidratos (oxalacetato) para facilitar o metabolismo das gorduras (a entrada dos produtos da beta oxidação no Ciclo de Krebs). Se ocorrer um metabolismo insuficiente dos carboidratos (quer por depleção do glicogênio ou por deficiência no transporte da glicose para o interior da célula), o corpo mobiliza mais gordura do que consegue utilizar, ocorrendo um metabolismo incompleto dessas gorduras e o acúmulo de co-produtos ácidos, os corpos cetônicos, podendo levar ao quadro de cetose (ou acidose).
Equilíbrio dos carboidratos no exercício:
Exercício intenso:
- glicogênio muscular e glicose sangüínea são as principais fontes de energia.
- a glicose sangüínea pode fornecer de 30 a 40% da energia.
- o aumento na contribuição percentual dos glicídeos durante o exercício intenso é explicado pelo fato de eles serem o único nutriente capaz de fornecer energia quando o oxigênio fornecido aos músculos é insuficiente em relação à sua demanda (metabolismo anaeróbio).Exercício moderado e prolongado:
- No exercício contínuo e moderado a energia provém do desdobramento dos depósitos corporais de gorduras e carboidratos.
- Estágios iniciais: 40 a 50% = glicogênio
com a diminuição dos depósitos: ativa-se o metabolismo das gorduras
- Fadiga: redução intensa dos depósitos de glicogênio, mesmo com oxigênio e gordura insuficientes (possivelmente porque passa a faltar carboidratos para dar continuidade ao metabolismo das gorduras)LIPÍDIOS
Compostos pelos mesmos elementos que os carboidratos (carbono, hidrogênio e oxigênio). Cada grama de gordura possui mais do que o dobro da capacidade armazenadora de energia que a mesma quantidade de carboidrato ou proteína. Isto ocorre pois a molécula de gordura possui um maior número de átomos de hidrogênio e é a oxidação destes átomos que fornece a energia.
Durante curtos períodos de exercício moderado, a energia deriva em quantidades aproximadamente iguais dos glicídios e lipídeos. À medida que o exercício se prolonga por 1 hora ou mais, observa-se um aumento gradual na contribuição da gordura e, no exercício prolongado, a gordura pode fornecer até 80% da energia exigida, dependente da quantidade de oxigênio.
PROTEÍNAS
Assim como os carboidratos e lipídeos, as proteínas também contêm carbono, hidrogênio e oxigênio, e, além disso, nitrogênio (16% da molécula), enxofre, fósforo e ferro. O excesso de proteína pode ser prejudicial, pois pode ser armazenada nos depósitos subcutâneos de gordura e, além disso, o metabolismo de grandes quantidades deste nutriente pode representar um esforço exagerado para as funções hepática e renal. Seu papel primordial é o de construtora.
A proteína não tem como função primordial a produção de energia para o exercício. No entanto, em certas situações de exercício prolongado, alguns aminoácidos sofrem desaminação, sendo transformados em glicose (neoglicogênese), e oferecidos aos músculos ativos, podendo atender até 10-15% da necessidade total do exercício.
Para determinar as necessidades e recomendações vide: link diretrizes