buscar:      

siga-nos:


Conseqüências em Longo Prazo da Introdução de Frutas e Vegetais no Início da Alimentação
Serviço de Atendimento ao Profissional - Trabalhos Científicos

Artigo: Long-term consequences of early fruit and vegetable feeding practices in the United Kingdom.
Autores: Coulthard H, Harris G, Emmett P.
Jornal; Public Health Nutr.
Ano: 2010

INTRODUÇÃO:

A diminuição do consumo de frutas e vegetais por crianças tem se tornado fonte de preocupação para os pais e para os profissionais da saúde. No Reino Unido, onde este estudo foi realizado, e nos Estados Unidos, os governos recomendam a ingestão de cinco porções de frutas e verduras diariamente. Porém, 33% das crianças americanas até 24 meses não possuem qualquer tipo de fruta ou vegetal na sua dieta diária, e esta baixa ingestão estende-se por toda a vida.

Na década de 90, muitos bebês ingleses e norte-americanos tiveram seu primeiro contato com estes alimentos aos quatro meses de idade. Alguns pesquisadores acreditam que há um período sensível para a introdução de sabores entre os quatro e os seis meses de idade, período este que facilitaria a aceitação destas crianças a uma variedade maior de sabores. Evidências sugerem que a exposição a novos sabores é benéfica neste período inicial, sendo assim associadas ao aumento de consumo de frutas no período dois aos seis anos de idade e dos seis aos oito anos. A hipótese do período sensível contradiz as recomendações atuais da OMS de que os bebês devem ser exclusivamente amamentados durante os primeiros seis meses de vida, mas apóia estudos de revisão publicados recentemente de que crianças em países desenvolvidos devem ser introduzidas a alimentos sólidos a partir do quarto mês de vida.

Os efeitos das experiências com diferentes alimentos no chamado “período sensível” influenciando no consumo posterior, foram examinados neste estudo que utiliza como técnica a exposição destas crianças a vários alimentos. Pesquisas com exposições a vegetais afirmam que bebês se alimentam mais e melhor de vegetais novos para o seu paladar se tiverem variado o seu consumo com vários tipos e vegetais, e não apenas com um só tipo. O presente estudo concluiu que o consumo precoce e repetido de uma ampla variedade de vegetais não só previu a aceitação de novos legumes, mas também foi associado a um aumento do consumo de novos alimentos em outras categorias.

Um achado de estudos anteriores que utilizaram também a técnica da exposição é de que bebês jovens na idade entre quatro a sete meses respondem bem à exposição, aumentando seu consumo de alimentos novos após apenas experimentarem apenas uma vez um novo vegetal. As crianças mais velhas podem igualmente desenvolver preferências a novos alimentos, porém, o processo parece ter de ser repedido com mais freqüência à medida que sua idade aumenta, sendo necessárias até dez exposições a crianças com dois anos de idade para obterem o mesmo efeito das crianças jovens apresentadas a novos alimentos mais cedo. A neofobia alimentar (aversão a novos alimentos) pode se estabelecer em várias crianças maiores de 18 meses, e por isso, expô-los a novos alimentos fica cada vez mais difícil. Além disso, a maioria dos pais não tentarão expor seus filhos a novos alimentos por mais de oito vezes.

De acordo com o estudo, tanto a idade da introdução quanto a freqüência de exposição são importantes para determinar a preferência alimentar. 65% das crianças do Reino Unido com idades entre quatro e seis meses de idade tendem a ser alimentados com alimentos para bebês preparados comercialmente, enquanto que 38% são alimentados com comida caseira. Na faixa dos oito a nove meses, a tendência se inverte: 70% dos bebês são alimentados com comida caseira, e 52% são alimentados com produtos comercialmente preparados.
Materiais e Métodos

Participaram do estudo 10 054 crianças. Gêmeos e minorias étnicas foram excluídos do estudo por poderem apresentar alimentação diferenciada. As mães foram convidadas a preencher questionários auto aplicáveis, a respeito de seus filhos que deveriam ter entre seis meses e sete anos de idade. Estes questionários continham questões a respeito da sua alimentação, incluindo perguntas a respeito da freqüência de consumo de uma série de alimentos relacionados em uma lista. Nos seis meses seguintes as mães questionadas a respeito das datas em que cada alimento foi oferecido.

Diversas variáveis sociais e demográficas foram incluídas nas questões, como por exemplo, o sexo do bebê, o número de irmãos mais velhos, o nível educacional e profissional das mães, a sua idade no nascimento dos filhos, se essas mulheres tinham ou não um parceiro, posse de habitação, dificuldades financeiras além de uma medida de superlotação, que questionava o número de pessoas por quarto na casa. Além disso, foi avaliado também por quanto tempo o bebê foi amamentado, - pois esta prática está associada a uma maior variedade de aceitação alimentar -, e o momento da introdução do primeiro alimento sólido. A estas mulheres foi também perguntado com que freqüência ofereciam a seus filhos alimentos infantis industrializados, comida caseira e comida crua.

Resultados

Ao fim dos seis meses, quando a freqüência de consumo dos alimentos preparados industrialmente, dos feitos em casa e dos alimentos crus foi somada, verificou-se que 21,2% da amostra demonstrou oferecer menos de uma porção de frutas e legumes por dia e 98,1% tinham menos de cinco porções de frutas por dia. Depois de sete anos, 10,7% ofereciam menos de uma porção por dia e 93,6% ofereciam menos de cinco porções por dia.

A freqüência de consumo de vegetais preparados em casa nos primeiros seis meses da pesquisa foi fortemente associada com o consumo de vegetais depois de sete anos. Um padrão similar foi encontrado para a exposição a frutas, com maior consumo de frutas depois de sete anos.Quando a idade de introdução de vegetais foi tardia, e a freqüência de consumo de vegetais foi pequena até os seis meses, este padrão se repetia depois de sete anos. Porém, se a idade de introdução foi tardia, mas a freqüência de consumo foi alta durante seis meses, então a freqüência de consumo nos sete anos seguintes também demonstrou-se alta.
A variação de textura e sabor encontrados em alimentos crus, dado às variações de solo e safra, proporciona à criança uma maior probabilidade de variar a sua alimentação futuramente. Já os alimentos preparados costumam ter textura uniforme, e sabor pouco variável, o que uniformiza também o paladar.

Conclui-se então que o presente estudo apresentou elementos que provam que o período que sucede o desmame é um momento importante para que se faça a introdução de frutas e verduras, e que a exposição neste período é um bom indicador para as escolhas alimentares no futuro.