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Porções dos Alimentos X Valor Energético
Serviço de Atendimento ao Profissional - Trabalhos Científicos

Estudo feito com estudantes de nutrição realizado pelo Laboratório de Práticas e Comportamento Alimentar - Curso de Nutrição e Metabolismo, Departamento de Clínica Médica, Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto/SP.

A avaliação da ingestão alimentar é parte do critério de avaliação nutricional  individual   e populacional, mas pode ser influenciado pela percepção do entrevistador e do entrevistado. Além disso, os aspectos subjetivos e objetivos para definir os alimentos consumidos fazem parte da percepção e da estimativa de quantidade ingerida de alimentos.

Durante uma entrevista, percepções, informações, conhecimentos, idéias, imagens e valores devem ser ativados, de modo que o que está sendo descrito consiga ser bem interpretado.

No contexto de uma entrevista sobre o consumo alimentar, os entrevistados são obrigados a recordar toda a ingestão de alimentos. Este é então comunicado ao nutricionista na base da reconstrução mental deste processo. As informações transmitidas são decodificadas pelo profissional, um processo que irá levar a uma interpretação que ativa o próprio repertório do entrevistador. Tanto o entrevistador e entrevistado tem como objetivo organizar as informações influenciada pela subjetividade envolvida nestas operações mentais. Este processo inclui habilidades matemáticas, pois resulta em um número que traduz o peso ou volume do alimento ingerido.

Fotografias de porções, bem como modelos de plástico, fotos e desenhos tridimensionais de alimentos têm sido empregados para auxiliar na estimativa do tamanho e aproximá-la do entrevistado o consumo real. Esses dispositivos ajudam a reconstruir o que foi consumido.

Conhecer as variáveis que podem influenciar este processo pode melhorar a precisão da avaliação dietética. O presente estudo teve como objetivo avaliar a capacidade dos estudantes de nutrição para estimar as porções de alimentos nas refeições habituais e relacionar o conteúdo energético dos alimentos com os erros na estimativa do tamanho da parcela.

Métodos:

Setenta e oito estudantes de nutrição, que já haviam estudado teores energéticos dos alimentos, participaram deste estudo transversal sobre a estimativa de porções de alimentos, organizados em quatro refeições.

Os participantes estimaram a quantidade de cada alimento em gramas ou mililitros, com o alimento à vista.

As quantidades estimadas, inferior a 90% e superiores a 110% da quantidade pesada, foram consideradas como subestimação e superestimação, respectivamente.

Resultados:

Um percentual baixo das estimativas (18,5%) foram considerados precisos (± 10% do peso real). Os alimentos que foram mais frequentemente subestimados foram: couve-flor, alface, maçã e mamão. Os itens mais frequentemente superestimados foram: o leite, a margarina e o açúcar.

Encontrou-se então uma correlação positiva entre o valor estimado e a densidade energética dos alimentos.

Conclusão:

Assim como em diversos estudos já realizados, a baixa porcentagem de estimativas precisas observada confirma a dificuldade que se tem em conseguir uma estimativa correta das porções relatadas e das porções estipuladas em uma conduta nutricional, sendo de grande importância o treinamento do entrevistador para se obter uma estimativa mais fidedigna.

Referências Bibliográficas:

Autores: C. C. Japur & R. W. Diez-Garcia
Título: Soy Food energy content influences food portion size estimation by nutrition students.
Revista científica publicada: The British Dietetic Association
Data: 2010

Para acessar o artigo na íntegra clique aqui