
Amenorréia em Atletas
Saúde & Performance - Dicas GeraisMulheres atletas geralmente são vistas como pessoas sadias e “em forma”. Porém, uma análise mais cuidadosa pode indicar um estado nutricional não tão favorável. Aproximadamente, 20% das mulheres fisicamente ativas apresentam amenorréia (pausa na menstruação), caracterizada pela deficiência precoce de estrogênio. O estrogênio, importante hormônio feminino, tem a função de induzir as células de muitos locais do organismo a proliferar, além de determinar as características femininas que distinguem a mulher do homem. Além disso, ele estimula o crescimento de todos os ossos logo após a puberdade e promove sua rápida calcificação.
Embora algumas mulheres avaliem a amenorréia como um efeito colateral desejável do exercício (já que não precisam mais lidar com os desconfortos da menstruação), uma grande parte tem consciência de que a falta da menstruação está ligada a problemas de saúde. A perda de cálcio nos ossos aumenta com a diminuição do estrogênio, estabelecendo uma incidência quase três vezes maior de fraturas por estresse em mulheres atletas que apresentam amenorréia (24% em atletas sem menstruação ou com menstruação irregular versus apenas 9% das atletas com períodos regulares).
A ausência da menstruação, muitas vezes, é decorrente de uma anomalia do cérebro, da hipófise, da tireóide, das adrenais, dos ovários ou de praticamente qualquer parte do sistema reprodutivo. Normalmente, o hipotálamo (uma pequena parte do cérebro localizada logo acima da hipófise) estimula a hipófise a liberar os hormônios que fazem com que os ovários liberem óvulos. Em determinados distúrbios, a produção anormal de certos hormônios hipofisários impede a ovulação (liberação dos óvulos) e podem interromper a seqüência dos eventos hormonais que acarretam a menstruação. As concentrações altas ou baixas dos hormônios tireoidianos podem fazer com que a menstruação seja interrompida, que ela ocorra de modo irregular ou que ela simplesmente não ocorra.
O exercício extenuante, da mesma forma, pode causar a interrupção da menstruação, promovendo uma diminuição da excreção dos hormônios que estimulam os ovários, de modo que eles produzam menos estrogênio. Também o fato de atletas apresentarem uma ingestão significantemente menor de gorduras pode desencadear este processo, mesmo porque, este hormônio é formado exclusivamente a partir de uma fração de gordura.
Entre os problemas de longo prazo que esta ausência de estrogênio desenvolve, o mais evidente é a osteoporose, que começa em idade prematura. Inúmeros estudos relacionam maior risco de lesões ao estresse, fatores genéticos e dieta, além dos exercícios físicos extenuantes.
Embora a amenorréia não seja específica ao esporte, a maior predominância desta condição se dá em esportistas incluindo ballet (19 a 24% das bailarinas) e corredoras competitivas (24 a 26% das corredoras). Um número estimado de 3 a 5% das mulheres sedentárias também apresentam a menstruação irregular.
A probabilidade de ocorrer amenorréia depende de fatores associados como: perda rápida de peso, presença de um baixo peso corporal, baixo percentual de gordura, rotina de treino extenuante, presença de períodos menstruais irregulares antes de começar a treinar forte, presença de estresse emocional e de uma dieta restritiva.
Mulheres que se recuperam de uma amenorréia podem restaurar parte, mas não toda, densidade óssea perdida.
A conduta na amenorréia depende de uma investigação bastante apurada relacionando:– Histórico clínico da paciente (afastar a suspeita de gravidez, pesquisar as causas de amenorréias fisiológicas).
– Hábitos de vida (atletas, alimentação).
– Ambiente familiar .
– Uso de medicação.
– Histórico de cirurgias.
– Síndromes existentes (de Turner) ou pesquisar patologias relacionadas à tireóide, glândula supra-renal, etc.
Dicas para contornar a amenorréia
As seguintes dicas podem ajudar no tratamento da amenorréia, ou pelos menos excluir as causas relacionadas à nutrição:
1. Se houver necessidade de perda de peso na atleta, deve-se orientar uma dieta com restrição calórica menos rígida, com redução em torno de 20% do total de calorias.
2. Atletas com amenorréia tendem a comer menos proteínas do que suas colegas com menstruação regular. Mesmo que a atleta seja vegetariana, deve-se estimular o consumo de iogurte, peixe, feijões, tofu e nozes.
3. Embora o excesso de calorias provenientes de gordura forneçam calorias extras, um pouco de gordura (20-30% do total de calorias; 40-60 gramas de gordura por dia) perfaz uma parte apropriada da dieta esportiva saudável. Nozes, manteiga de amendoim, salmão, óleo de oliva, são opções saudáveis.
4. Deve-se estimular o consumo de pequenas porções de carne vermelha (2 a 3 vezes por semana) uma vez que mulheres vegetarianas têm 5 vezes mais chance de ter problemas menstruais se comparadas às que comem carne.
5. Uma dieta adequada em cálcio mantém a densidade óssea. A quantidade necessária é a equivalente a 3 a 4 porções diárias de leite com pouca gordura, iogurte e outros alimentos ricos em cálcio. Apesar de os exercícios beneficiarem o ossos como fator protetor, eles não compensam a falta de cálcio ou de estrogênio.Matéria elabora pela Equipe RGNutri
REFERÊNCIA
PEARL, Arthur J. The Athletic Female – American Orthopaedic Society for Sports Medicine. Human Kinnetics Publishers, 1993.
Reprodução Humana- José Aristodemo Pinotti Ginecologia Endócrina e da Reprodução-Mario Gáspare Giordano Endocrinologia Ginecológica- Lucas Vianna Machado
SAMPAIO, Helena Alves de Carvalho. Nutritional aspects related to menstrual cycle. Rev. Nutr., Sept. 2002, vol.15, no.3, p.309-317. ISSN 1415-5273.
ADELMAN, Miriam. Mulheres atletas: re-significações da corporalidade feminina. Rev. Estud. Fem., jul./dez. 2003, vol.11, no.2, p.445-465. ISSN 0104-026X.
http://www.cdof.com.br/fisio5.htm