
Entrevista com Silvia Nabuco
Saúde & Performance - Dicas GeraisA paixão pelos esportes está nas veias da paulistana Silvia Nabuco, 37 anos. Ela vem de uma família de esportistas, seu pai foi campeão de pólo aquático, praticou vela oceânica e foi um dos primeiros triatletas do país. Já sua mãe, depois dos 50 anos, começou a nadar e chegou a ser campeã mundial em sua categoria.
Ex-triatleta e praticante de outras modalidades (ciclismo, windsurf, natação, entre outros), Silvia literalmente mudou de praia. Trocou as competições do tipo Ironman (as mais puxadas do triatlo) pelas ondas do Havaí.
Isso aconteceu quando estava no auge da carreira de triatleta disputando diversos eventos para garantir vaga nas Olimpíadas de Sydney em 2000. Durante as últimas competições de triatlo que disputou nesses seis meses de preparação, algo sempre dava errado. Correu com febre em uma, foi derrubada em outra e o pedal da bicicleta caiu numa terceira, fazendo com que terminasse a prova pedalando com apenas um pé. Numa etapa do brasileiro, a fivela do capacete quebrou e até arranjar outro, ela perdeu o pelotão do ciclismo. Mas, independente da dificuldade, sua certeza da vitória e a paixão pelos esportes, fizeram com que ela finalizasse as provas em todas estas etapas.
Mesmo estando entre as tops do Brasil na categoria profissional, acabou com uma estafa física e mental.
E foi aí, que o surfe apareceu em sua vida. Um dia, uma amiga emprestou sua prancha e Silvia foi para o mar e ficou horas surfando. “O engraçado era que eu não tinha mais a encanação do triatlo e, de repente, meu foco, minha válvula de escape, meu prazer maior era estar dentro d'água por horas e horas surfando“. Com cerca de dois meses de prática já ficava em pé e caía em mares com ondas de 2 metros. Pouco tempo depois a paulista, Silvia Nabuco estampou a capa do jornal mais importante do Hawaii, o "Honolulu Advertiser", com um "drop" em uma onda de 20 pés em Waimea.
Veja a entrevista exclusiva concedida a Equipe RGNutri:
Você enfrentou algum obstáculo no início da carreira?
Sim, em todas modalidades, mas acho que em especial no triathlon.Sabemos da dificuldade do atleta brasileiro viver apenas do esporte. Como é isto pra você?
Agora que estou surfando com objetivo de competições e viagens, começa a pesar. Então estou atrás de um patrocínio mais forte para seguir em frente. Retorno eu já vi que dá.Por que sua opção pelo surf atualmente?
Porque é um esporte mágico, onde você está em contato íntimo com a natureza. E a sensação de dominar e brincar numa onda é indescritível. É poético,espiritual e físico também.Como é uma prova em mar aberto, e num mar que você desconhece?
A cada dia o mar está diferente e a onda nunca é igual, então sempre é um desafio a leitura de uma onda naquela fração de segundos.Qual a principal diferença entre o triatlo e o surf, relacionada ao esforço e às dificuldades enfrentadas?
Eu fico mais cansada surfando do que no triathlon (que ainda treino), pois fico muito tempo nomar, remo forte e dou sprints o tempo todo, sem perceber, pois estou concentrada na onda. Na volta da onda é afundar a prancha a cada onda (como flexão de braço). Ou seja, um treino muito mais pesado que o triathlon.Qual foi a prova mais pesada da qual já participou, a que te trouxe um desafio (independente da modalidade) ?
Foram várias no triatlhon, como o Xterra em Maui Hawaii (mundial off road), onde eu estava começando e sofrí um bocado com as subidas no pedal e as trilhas da corrida.Qual a importância que você dá à alimentação no desempenho de um atleta?
Muita, principalmente para conhecermos nosso metabolismo e sabermos a melhor maneira de nos alimentar para podermos usufruir da nossa “máquina” e conservá-la da melhor maneira possível.Quando você introduziu a nutrição na sua rotina de atleta?
Quando fiquei grávida, mas só no começo, depois não conseguia deixar de comer o que queria (engordei 17 kg). Após, foi no triathlon para voltar à forma e aprender a usar suplementos alimentares.Como é sua rotina alimentar? E seu treino?
Café da manhã: pão integral, queijo frescatino, geléia sem açúcar e banana.Almoço: arroz integral, feijão ou massa e alguma carne (raramente vermelha), vegetais e salada
(alface,beterraba,alfafa e cenoura)
Jantar: igual ao almoço
Entre as refeições, belisco coisas saudáveis e não saudáveis, não me privo dos doces (chocolate todo dia, e muito!).
Além da preocupação que têm com a alimentação para a melhora do desempenho físico, você se preocupa também com a questão estética?
Lógico, o espelho não agüenta mais me ver!!!.Como você encara a maturidade na sua profissão?
Ah! Isso é tudo, pois depois de tantas experiências a mente se fortalece e você fica com mais domínio psicológico (o que no surf é super importante). E em relação ao físico, me sinto melhor do que aos 20 anos.Como é seu treino?
Corrida: 2ª ,4ª e 6ª; 50 minutos.Pedal: 3ª e 5ª; 50 km
Condicionamento físico especial para o surfe: 2vezes p/sem.
Surfe: de quarta à domingo.
A sua alimentação é diferente para dias de treino e dias de prova? Qual a diferença entre elas?
Não, só busco não comer demais antes da competição.Para ser uma campeã, a disciplina nos treinos é imprescindível. Você consegue manter esta mesma disciplina com a sua alimentação?
Minhas refeições são perfeitas, mas como já disse não consigo ficar sem doces e chocolate, principalmente quando surfo muito e me sinto consumida.Como a maioria das competições são realizadas em outros países, como você adequa sua dieta aos alimentos disponíveis em cada local?
Me adequo de uma péssima maneira!!! Agora nesta viagem ao Hawaii voltei muito magra, mas sarada, pois o surf era muito intenso, e não tinha ninguém para cozinhar como aqui no Brasil. Então comia sem a mesma qualidade. Abusava de miojo, coisa que aqui nem como.Qual será sua próxima competição?
No Guarujá, o circuito LuiLui e depois o Paulista em Maresias.Para finalizar, qual a lição que você dá para as pessoas que passaram ou passam pelas mesmas dificuldades que você passou no esporte profissional?
Não precisa ser profissional para passar dificuldades. Acho que o principal é ter humildade e ficar feliz com cada degrau conquistado.Outra coisa é a idade. Sempre me perguntam e ficam surpresos. As pessoas no Brasil se acham velhas cedo demais. Acham que o tempo delas já passou pra isso ou para aquilo...meio que seguindo as tendências da sociedade. Hoje, com quase 38 anos, me vejo vencendo desafios como surfar Waimea, tendo começado a surfar com 35 anos e competindo com garotas, na maioria, entre 13 e 23 anos. Além de me divertir, aprendo a me ambientar com as pessoas de todas as idades, classes sociais e ideais de vida.
“Life is always begining....”
“Aloha”
Silvia