Funcionamento Intestinal e Exercício Físico
Saúde & Performance - Dicas GeraisO intestino é um órgão do trato grastrointestinal dividido em duas porções: delgado e grosso. O intestino delgado é a porção primária do intestino e é responsável pela digestão e absorção de nutrientes, enquanto o intestino grosso é a segunda porção do intestino e é responsável pela absorção de água, sais e vitaminas. Este órgão pode ser afetado por doenças como fibrose cística, doença celíaca, doença de Crohn, colite ulcerativa, síndrome de intestino irritável, diverticulose e câncer (MAHAN e ESCOTT-STUMP, 2002).
Sabe-se que o exercício físico auxilia na promoção de uma vida saudável e na melhora da capacidade funcional, porém, ainda é pouco o que se sabe sobre seus efeitos nas doenças inflamatórias intestinais (D'INCA et al., 2000).
De acordo com LIRA et al. (2008), os exercícios aeróbios e de longa duração como os realizados por maratonistas, triatletas e ciclistas, pode provocar sintomas gastrintestinais. De acordo com alguns trabalhos, 20 a 50% da população praticante deste tipo de esportes, apresenta pelo menos um sintoma. Tais sintomas são divididos em superiores (vômitos, náuseas e pirose retroesternal - azia) e inferiores (diarréia, cólica abdominal, perda de apetite, sangramento, aceleração dos movimentos intestinais e vontade de defecar).
Já em outros estudos, observou-se uma relação inversa entre a atividade física e as doenças do trato gastro intestinal (TGI) tais como, o câncer de cólon, a diverticulite, a colelitíase e a constipação (LIRA et al., 2008).
A provável explicação para os benefícios do exercício sobre o TGI provém de mecanismos que incluem a alteração da motilidade do cólon, a diminuição do fluxo sanguíneo intestinal, o estresse mecânico produzido pela corrida sobre o intestino, a compressão do cólon pela musculatura abdominal e o aumento da ingestão de fibras como resultado do aumento do gasto energético. Porém, quase todos estes fatores são também os responsáveis pelos malefícios do exercício sobre o TGI, portanto, existe uma relação dose/resposta e um limiar de intensidade que separa os dois efeitos (LIRA et al., 2008).
A constipação intestinal faz parte das chamadas “doenças de civilização”, e atualmente apresenta uma elevada incidência, principalmente em adultos de 65 anos de idade ou mais. Sua prevalência tem sido relatada em alguns estudos tão alta em mulheres mais velhas (34%), quanto em homens mais velhos (30%) (COTA e MIRANDA, 2006; MARI, 2007).
É sabido que o exercício físico proporciona movimentos no intestino grosso e mudanças hormonais, que provocam efeitos mecânicos no intestino, facilitando o peristaltismo. Além disso, a atividade física é responsável também por melhorar o tônus muscular pélvico e abdominal, facilitando a expulsão do bolo fecal (COTA e MIRANDA, 2006). Evidências recentes obtidas em estudo laboratorial mostraram que a prática habitual de atividade física moderada protege o íleo de camundongos contra os efeitos do envelhecimento (LIRA et al., 2008).
Quanto ao sedentarismo e a constipação intestinal idiopática, a recomendação de atividade física regular é ainda assunto controverso. Dado este, confirmado por meio de estudos que avaliaram a relação entre estes fatores (WANNMACHER, 2005). Em estudo realizado por DALEY et al. (2008), os resultados foram positivos, destacando até a possibilidade de que o exercício seja uma intervenção eficaz na minimização dos sintomas em pacientes com síndrome do intestino irritável, que pode ser o caso dos pacientes com constipação predominante.
Estudos epidemiológicos têm demonstrado que a atividade física regular praticada em quantidade apropriada apresenta uma associação significativa com a redução do risco para o desenvolvimento de câncer de cólon em até 40% entre os indivíduos mais fisicamente ativos. Em contrapartida, tem-se observado que o exercício físico exaustivo aumenta a produção sistêmica de radicais livres, com conseqüente aumento dos danos oxidativos ao DNA, além de deprimir a função imune global, eventos estes, relacionados ao aumento do risco para o desenvolvimento de câncer (DEMARZO, 2005).
Um estudo realizado em animais com carcinogênese colorretal induzida, sugere que o exercício, não afeta de forma significativa o número, incidência e tamanho de tumores e que o exercício moderado oferece proteção contra o primeiro estágio de formação do tumor (LUNZ, 2006). Este dado confirmou o encontrado em outro estudo experimental, quanto ao exercício moderado, porém neste outro, observou-se que o exercício físico exaustivo aumentou a prevalência de biomarcadores cancerígenos em ratos sedentários. Assim, o exercício poderia ou proteger contra o desenvolvimento, ou aumentar o risco para o câncer, dependendo do tipo, intensidade e duração da atividade desenvolvida (DEMARZO, 2005).
Pode-se verificar, portanto, algumas contradições, considerando ainda que um outro estudo experimental nesta área, realizado por MARI (2007), não constatou alterações significativas nos padrões cancerígenos analisados com relação ao exercício.
De forma geral, CHEN e NOBLE (2009) confirmam a existência de hipóteses que associam o exercício a diversos benefícios do trato gastrointestinal, porém, sugerem que mais estudos experimentais são necessários para confirmar tais afirmações.
Refrências bibliográficas
CHEN, Y; NOBLE, E. G. Is exercise beneficial to the inflammatory bowel diseases? An implication of heat shock proteins. Med Hypotheses., v. 72, n.1, p. 84-86, jan. 2009.
COTA, R. P.; MIRANDA, L. S. Associação entre constipação intestinal e estilo de vida em estudantes universitários. Rev Bras Nutr Clin., v. 21, n. 4, p. 296-301, 2006.
D'INCA, R. et al. Exercise and inflammatory bowel disease: immunological aspects. Exerc Immunol Rev., v. 6, p. 43-53, 2000.
DALEY, A. J. et al. The effects of exercise upon symptoms and quality of life in patients diagnosed with irritable bowel syndrome: a randomised controlled trial. Int J Sports Med., v. 29, n. 9, p. 778-782, sep. 2008.
DEMARZO, M. M. P. Efeitos da atividade física em marcadores biológicos da carcinogênese química do cólon de ratos Wistar. 2007. Tese (Doutorado em Patologia) - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP).
LIRA, C. A. B. de et al. Efeitos do Exercício Físico Sobre o Trato Gastrintestinal. Rev Bras Med Esporte., v. 14, n. 1, jan./fev. 2008.
LUNZ, W. Interface do treinamento em natação com diferentes intensidades de carcinogênese experimental de colón. 2006. Dissertação (Programa de pós graduação em Ciência da Nutrição) - Universidade Federal de Viçosa. Disponível em: <http://www.tede.ufv.br/tedesimplificado/tde_ busca/arquivo. php?codArquivo= 89>. Acesso em: 11 novembro 2009.
MAHAN, L. K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause alimentos, nutrição e dietoterapia. 10 ed., São Paulo: Roca, 2002.
MARI, R. de B. Efeitos do exercício sobre o envelhecimento dos neurônios mioentéricos do duodeno de ratos Wistar. 2007. Dissertação (Mestrado em Anatomia dos Animais Domésticos e Silvestres) - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ).
WANNMACHER, L. Constipação intestinal crônica no adulto e na criança: quando não se precisa de medicamentos. Organização Pan-Americana da Saúde/ Organização Mundial da Saúde – Brasil. Brasília, DF, v. 3, n. 2, dez. 2005. Disponível em: <http://189.28.128.100/portal/ arquivos/ pdf/ constipacao. pdf>. Acesso em: 11 novembro 2009.