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Nutrição x Atividade Física: Desenvolvimento e Crescimento da Criança
Saúde & Qualidade de Vida - Crianças

A prática de atividade física na infância constitui-se um importante fator de proteção contra o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade infantil, que podem estar associadas a doenças como hipercolesterolemia, diabetes e hipertensão (JUZWIAK et al., 2000; BARUKI et al., 2006).

A atividade física além de ter efeitos na perda de peso, também diminui o risco de obesidade por regular o balanço energético e influenciar a distribuição do peso corporal, preservando ou mantendo a massa magra (JUZWIAK et al., 2000).

Uma grande preocupação da obesidade infantil, é que crianças obesas têm um maior risco de se tornarem adultos obesos, contribuindo para aumentar a prevalência de morbidade e mortalidade na vida adulta. Assim, desde pequena a criança deve ser incentivada a uma vida mais ativa (BALABAN e SILVA, 2001; BARUKI et al., 2006).

A participação em atividades esportivas também é fundamental para o processo de crescimento e desenvolvimento de todas as crianças, oferecendo oportunidade para o lazer e integração social, promovendo o bem-estar psicológico, e o desenvolvimento de uma maior auto-estima e confiança, além de estimular a coordenação motora, a saúde esquelética, o sistema neuromuscular e a aptidão física (JUZWIAK et al., 2000; FONTES et al., 2007).

Problemas alimentares x exercício

A orientação e educação alimentar são de extrema importância para a criança que pratica atividade física. Uma alimentação adequada garante que a quantidade de energia e nutrientes suficientes para alcançar as necessidades de crescimento e manutenção de tecidos da criança e para o desempenho de suas atividades físicas e intelectuais (JUZWIAK et al., 2000).

Vários fatores podem influenciar na qualidade da dieta das crianças. Nessa faixa etária, é comum a influência dos hábitos alimentares dos colegas e da mídia (JUZWIAK et al., 2000; AFFONSO, 2009).

Os padrões alimentares inadequados típicos dessa faixa etária, como omissão de refeições, com ingestão insuficiente de energia, carência de nutrientes e desidratação, precisam ser monitorados e corrigidos para que não tragam prejuízos à saúde dessa criança (BRASIL e LOPEZ, 2003).

Uma das grandes preocupações durante a infância é garantir que o crescimento e o desenvolvimento esperados sejam alcançados. Apesar da atividade física não aumentar o valor da estatura geneticamente determinada para a criança, a prática de atividade física regular associada a outras variáveis ambientais, como a alimentação, podem influenciar na obtenção do padrão de crescimento. A ação da atividade física sobre o músculo e ossos são fatores importantes no aumento de pico de massa óssea durante a adolescência e, conseqüentemente, na prevenção da osteoporose na idade adulta (JUZWIAK et al., 2000)

Por outro lado, o balanço energético negativo, decorrente da prática de atividade física associada à ingestão alimentar inadequada pode inibir a produção de fatores de crescimento típicos para o crescimento e desenvolvimentos normal da criança (JUZWIAK et al., 2000).

Condutas nutricionais

Energia

As necessidades de energia de crianças praticantes de atividade física devem considerar a idade, a estatura, o peso, o estágio de maturidade sexual e a atividade física realizada, incluindo o tipo, a freqüência e a duração do esporte praticado (AFFONSO, 2009).
As fórmulas propostas pela DRIs (Dietary Reference Intakes) consideram o peso, altura, idade, nível de atividade física e o adicional de energia para crescimento, podendo assim, ser utilizadas (MENDES, 2009).

Como o requerimento de energia pode ser alto é recomendado que as refeições sejam bem fracionadas, com intervalos de 2 a 3 horas entre refeições e lanches (FONTES et al., 2007; MENDES, 2009).

Macronutrientes

A distribuição de macronutrientes para crianças e adolescentes proposta pelas DRIs recomenda que 45-65% da energia seja proveniente dos carboidratos, 25-35% das gorduras e 10-30% das proteínas (MENDES, 2009).

A ingestão de proteína deve manter o balanço nitrogenado positivo, ou seja, a ingestão deve ser maior que a excreção.  Se as proteínas forem utilizadas como fonte de energia para a atividade física, pode haver alteração no crescimento e desenvolvimento normal da criança, assim, verifica-se a importância de uma ingestão adequada de carboidratos (AFFONSO, 2009).
A ingestão de carboidrato antes da realização da atividade física evita a fadiga e impede a falta de energia durante o exercício. Deve-se ressaltar também, a importância da ingestão de carboidratos e proteínas após o exercício para a reposição das reservas energéticas (FONTES et al., 2007).

Micronutrientes

Com relação aos micronutrientes, os que têm maior destaque são o cálcio e o ferro, devido ao aumento das necessidades desses nutrientes para o crescimento (MENDES, 2009; AFFONSO, 2009).

A principal função do ferro está relacionada ao transporte de oxigênio pelo organismo, assim a baixa ingestão pode prejudicar a capacidade de transporte do oxigênio, diminuindo o desempenho físico, além de ao longo prazo, ocasionar a anemia ferropriva (AFFONSO, 2009).
Assim, verifica-se a importância de incluir na alimentação alimentos fontes de ferro, como as carnes. As leguminosas e folhas verdes escuras também contêm boas quantidades de ferro, porém o ferro presente nesses alimentos não são muito bem absorvidos. Para melhorar a absorção do ferro desses alimentos é recomendado consumi-los associados a alimentos fontes de vitamina C (OSÓRIO, 2002).

O cálcio é necessário para a mineralização e manutenção dos ossos em crescimento. A ingestão inadequada pode causar uma menor retenção deste nutriente e, posteriormente levar à osteoporose (AFFONSO, 2009).
Como alimentos ricos em cálcio, destacam-se o leite e seus derivados (iogurte e queijo).

Outros alimentos que contém cálcio são os vegetais de folhas verdes escuras e os peixes (BUENO e CZEPIELEWSKI, 2008).

Água

Outro ponto importante que deve ser considerado é a hidratação, sabe-se que com a atividade física há maior perda de água e eletrólitos, por isso, durante uma atividade física prolongada recomenda-se a ingestão de líquidos a cada 15-20 minutos (AFFONSO, 2009; MENDES, 2009).

O consumo de líquidos, antes e depois do treino também são muito importantes, sendo recomendada a ingestão de líquidos mesmo sem que a criança sinta sede (AFFONSO, 2009; MENDES, 2009).

Comportamento

A família é responsável pela formação do comportamento alimentar da criança, sendo os pais os primeiros educadores nutricionais. É comum, os pais utilizarem-se de estratégias para a criança se alimentar ou para estimular o consumo de alimentos específicos. No entanto, estas estratégias podem apresentar tanto estímulos adequados, quanto inadequados (RAMOS e STEIN, 2000).

Atualmente verifica-se nas crianças um aumento exagerado no consumo de alimentos ricos em gordura e com alto valor calórico, evidenciando a importância da formação de hábitos alimentares saudáveis já na infância (ALMEIDA et al., 2002; OLIVEIRA et al., 2003; PHILIPPI et al., 2003).

A melhor forma para a formação desses hábitos, é oferecer a criança uma alimentação variada, introduzindo novos alimentos e diferentes tipos de preparações. Como o apetite das crianças pode ser irregular, variando de um dia para o outro, um determinado alimento que foi recusado em um dia, deve ser oferecido novamente (PHILIPPI et al., 2003).

Outros aspectos importantes para se conduzir de forma apropriada a alimentação da criança é a atenção aos cuidados relacionados ao ambiente onde serão realizadas as refeições e aos aspectos sensoriais, tornando os alimentos mais atrativos, visando a satisfação de necessidades nutricionais, emocionais e sociais (PHILIPPI et al., 2003).

Referências

Affonso CV. Alimentação adequada para crianças esportistas [monografia na internet]. Campinas [acesso em 2009  fev 18] Disponível em:
http://www.lifecompany.com.br/artigos/3.pdf

Almeida SS, Nascimento PCBD, Quaioti Teresa CB. Quantidade e qualidade de produtos alimentícios anunciados na televisão brasileira. Rev. Saúde Pública  2002;  36(3): 353-355.

Balaban G, Silva GAP. Prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes de uma escola da rede privada de Recife. J. Pediatr 2001; 77(2): 96-100.

Baruki SBS, Rosado LEFPL, Rosado GP, Ribeiro RCL. Associação entre estado nutricional e atividade física em escolares da Rede Municipal de Ensino em Corumbá – MS. Rev Bras Med Esporte 2006; 12 (2): 90-4.

Brasil AL, Lopez FA. Nutrição e dietética em clínica pediátrica. São Paulo: Atheneu; 2003.

Bueno AL, Czepielewski MA.. A importância do consumo dietético de cálcio e vitamina D no crescimento. J. Pediatr. 2008;  84(5): 386-94.

Fontes JT, Prozzi, Chiode VG, Nacif M. Avaliação do consumo alimentar de crianças e adolescentes antes, durante e após a atividade física [monografia na internet]. São Paulo; 2007 [acesso em 2009 fev 18] Disponível em:  <http://redebonja.cbj.g12.br/ielusc/revista_edf/numero05/Numero05_Artigo01.pdf>

Juzwiak CR, Paschoal VCP, Lopez FA. Nutrição e atividade física. J. Pediatr. 2000; 76 (Supl.3): S349-58.

Mendes VMS. Nutrição esportiva para crianças e adolescentes: o que levar em consideração no atendimento [monografia na internet]. São Paulo [acesso em 2009 fev 18] Disponível em:  http://www.nutrociencia.com.br/upload_files/arquivos
/Artigo%20%20Atendimento_nutricional_para_criancas_e_adolescentes_atletas.pdf

Oliveira AMA, Cerqueira EMM, Souza JS, Oliveira AC. Sobrepeso e obesidade infantil: influência de fatores biológicos e ambientais em Feira de Santana, BA. Arq Bras Endocrinol Metab 2003 ;  47(2): 144-150.

Osório MM. Fatores determinantes da anemia em crianças. J. Pediatr. 2002;  78(4): 269-78.

Philippi ST, Cruz ATR, Colucci ACA. Pirâmide alimentar para crianças de 2 a 3 anos. Rev. Nutr. 2003;  16(1): 5-19.

Ramos M, Stein LM.. Desenvolvimento do comportamento alimentar infantil [resumo] J. pediatr 2000; 76 (supl.3):S229-S237.