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Obesidade Juvenil
Saúde & Qualidade de Vida - Crianças

Atualmente, a obesidade vem sendo considerada uma pandemia mundial (TAHERI, 2006). Sua prevalência vem aumentando nas últimas décadas em todo o mundo, principalmente em países desenvolvidos, acometendo também países em desenvolvimento, como o Brasil (TERRES et al, 2006). A etiologia da obesidade é multifatorial (ROMERO; ZANESCO, 2006) e dentre as causas estão as mudança na ingestão alimentar, estilo de vida, ambiente, genética (DE CASTRO, 1993a; DE CASTRO, 1993b; DE CASTRO, 1998), fisiológica, psicológica (DE CASTRO, 1999; DE CASTRO; BELLISLE; DALIX, 2000; DE CASTRO, 2001) e mais recentemente o sono (ROMERO; ZANESCO, 2006; JONES et al, 2007).

As conseqüências da obesidade têm sido relatadas em diversos trabalhos. Em crianças e adolescentes, essa patologia se associa ao aparecimento precoce de doenças cardiovasculares, Diabetes Mellitus tipo 2, problemas psicológicos, além de comprometer a postura e causar alterações no aparelho locomotor, e trazer desvantagens socioeconômicas na vida adulta (GORTMAKER, 1993).

Indicadores da Obesidade

Estudos recentes mostram que a probabilidade de crianças e adolescentes com elevado índice de massa corporal (IMC) apresentarem sobrepeso ou obesidade aos 35 anos aumenta significativamente à medida que a idade das crianças avança. A probabilidade de adolescentes obesos com 18 anos apresentarem obesidade na vida adulta é 0,7 maior do que os adolescentes com IMC normal (TERRES et al, 2006; GUO; CHUMLEA, 1999).

Apesar de não haver dúvidas quanto ao real aumento da obesidade nas crianças e adolescentes, persistem questões quanto ao melhor critério diagnóstico nessa faixa etária. De acordo com Fisberg (1995), o peso por estatura em crianças e o IMC em adolescentes seriam os melhores indicadores. Davies & Preece (1989) admitem ser insatisfatório o número de técnicas disponíveis para o estudo da composição corporal de crianças e adolescentes quando comparadas aos adultos. Ainda, segundo Dietz & Bellize (1999), o sobrepeso na infância e adolescência é caracterizado por um índice de massa corporal por idade (IMC/idade) acima do percentil 85 e obesidade acima do percentil 95, em relação ao padrão do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES II-III). Um estudo feito por Giugliano & Melo (2004) com 528 escolares, observou que o índice de massa corporal, baseado em padrão internacional, mostrou-se adequado para o diagnóstico de sobrepeso e obesidade na faixa etária estudada (6 e 10 anos).

Em termos práticos, é desejável que seja utilizado um critério diagnóstico simples, de baixo custo, reproduzível e confiável, que tenha alta sensibilidade e especificidade, minimizando, assim, a ocorrência de diagnósticos falsos positivos ou negativos (GIUGLIANO; MELO, 2004).      
Sendo assim, abaixo segue a classificação para crianças e adolescentes segundo percentil e a curva utilizada para tal classificação:

Emagrecimento

Abaixo de P5

Eutrofia

P5 – P85

Peso Ideal

Correspondente ao percentil 50

Risco para obesidade

Entre P85 e P95

Obesidade

Acima do P95

 Classificação segundo Cole et al, 2000

 

 

Preocupações com a Alimentação

  • É sabido que, as causas da atual epidemia de obesidade juvenil é uma associação da redução de gasto energético e um aumento da ingestão calórica. (CANESQUI; GARCIA, 2005.).

Em um estudo realizado com mais de 4000 crianças e jovens com idade entre 8-16 anos, que participaram da pesquisa nacional (NHANES III) observou-se que a prevalência da obesidade era mais elevada entre aqueles que assistiam TV por, pelo menos, quatro horas/dia e mais baixa entre aqueles que faziam isso por, no máximo, uma hora/dia (BAR-OR, 2003).

  • Existe sim uma pré-disposição menor em obesos pela prática de atividade física. Em termos práticos quanto maior o sobrepeso maior o desconforto como queixas músculo esqueléticas, dispnéia, exaustão e sudorose podendo assim reduzir a motivação à prática de atividade física (M,ATSUDO; MATSUDO, 2006).
  • A base do tratamento não farmacológico da obesidade é uma educação alimentar, atentando costumes mais saudáveis diminuindo o consumo de alimentos hipercalóricos (comidas congeladas, frituras, fast foods) e de baixo valor nutricional. Uma dieta hipocalórica com baixa quantidade de gorduras e açucares diminui os riscos para de doenças cardiovasculares e diabetes (NEUMANN et al., 2007).

Uma dieta hipocalórica associada a prática de exercício físico, faz com que  haja um equilíbrio energético negativo expressivo com efetiva redução da massa corporal, potencializando a diminuição da mesma.
Uma alimentação saudável pode ser resumida em 3 palavras chaves: equilíbrio, variedade e moderação.
Algumas dicas são:

  •  
  • Respeitar o horário da refeição para manter a disciplina, mesmo com a presença de visitas;
  • Não force a criança a comer. Se existe algum tipo de resistência ao ato de se alimentar, isso acontece por algum motivo o qual deve ser investigado;
  • Preferir levar lanche pronto de casa para a escola, como suco natural, sanduíche de queijo, frutas, cereais e iogurtes;
  • Determinar um dia da semana para os excessos como ida ao restaurante "fast food", comer mais de uma sobremesa, sorvete com cremes entre outros;
  • Oferecer verduras e vegetais em geral, na forma de saladas e refogados; prefira as carnes magras (inclusive para as sopas), e as preparações mais gordurosas, como os empanados à milanesa, devem ser excluídas, dando-se preferência aos grelhados, assados e cozidos. Prefira levar a criança para almoçar ou jantar em um restaurante, onde se podem buscar essas opções ao invés de um Fast food, onde fica mais difícil fugir do excesso de gordura;
  • Substituir sobremesas ricas em açúcar e calorias por salada de frutas;
  • Preocupar-se com o ambiente tranqüilo e agradável, as companhias e sua relação positiva com o alimento durante as refeições e
  • Evitar fazer refeições em frente à televisão, isso pode causar dispersão e perder o estímulo por novos sabores.

  

REFERÊNCIAS
CANESQUI, A.M. GARCIA R.W. Antropologia e nutrição: um diálogo possível. / Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2005.

BAR-OR, O. A epidemia de obesidade juvenil: A atividade física é relevante? Sports Science Exchange. Julho/Agosto/Setembro, 2003.

DALTON, M., et al. Waist circumference, waist-hip ratio and body mass index and their correlation with cardiovascular disease risk factors in Australian adults. J Intern Med. 254:555-63, 2003.
DAVIES, P.S.W., PREECE, M.A. Body composition in children: methods of assessment. In: Tanner JM, Preece MA, editors. The physiology of human growth. Cambridge: Cambridge University Press,  p 95-107, 1989.

DE CASTRO, J.M. Independence of genetic influences on body size, daily intake, and meal patterns of humans. Physiol Behav, v 54, n 4, p 633-9, 1993 a.
DE CASTRO, J.M. Genetic influences on daily intake and meal patterns of humans. Physiol Behav, v 53, v 4, p 777-82, 1993 b.
DE CASTRO, J.M. Genes and environment have gender-independent influences on the eating and drinking of free-living humans. Physiol Behav, v 1, n 3, p 385-95, 1998.
DE CASTRO, J.M. Inheritance of premeal stomach content influences on food intake in free living humans. Physiol Behav, v 66, n 2, p 223-32, 1999.
DE CASTRO, J.M, BELLISLE, F., DALIX, A.M. Palatability and intake relationships in free-living humans: measurement and characterization in the French. Physiol Behav, v 68, n 3, p 271-7, 2000.
DE CASTRO, J.M. Palatability and intake relationships in free-living humans: the influence of heredity. Nutr Res, v 21, n 7, p 935-45, 2001.
DIETZ, W.H., BELLIZZI, M.C. Introduction: the use of body mass índex to assess obesity in children. Am J Clin Nutr, v 70, n 1, p 1235-55, 1999.

GIUGLIANO, R., MELO, A.L.P. Diagnóstico de sobrepeso e obesidade em escolares:utilização do índice de massa corporal segundo padrão internacional. J Pediatr, v 80, n 2, p 129-34, 2004. 
GORTMAKER, S.L., et al.. W.H. Social and economic consequences of overweight in adolescence and young adulthood. N Engl J Med, v 329, p 1008-12, 1993.

GUO, S.S., CHUMLEA, W.C. Tracking of body mass index in children in relation to overweight in adulthood. Am J Clin Nutr, v 70, p 145-8, 1999.

HO, S.C., et al. Association between simple anthropometric indices and cardiovascular risk factors. Int J Obes Relat Metab Disord. 25:1689-97, 2001.

JONES, N. et al. An investigation of obese adults’ views of the outcomes of dietary  treatment. J Hum Nutr Diet, v 20, p 486-94,  2007.
M,ATSUDO, V.R., MATSUDO S.M.Atividade física no tratamento da obesidade. Einstein. v.1, p.29-43, 2006.

NEUMANN A.I.C.P., MARTINS I..S. MARCOPITO, L.F., ARAUJO, E.A.C..Padrões alimentares associados a fatores de risco para doenças cardiovasculares entre residentes de um município brasileiro.Rev Panam Salud Publica. v.22, ed. 5, 2007.

ROMERO, C.E.M., ZANESCO, A. The role of leptin and ghrelin on the genesis of obesity. Rev Nutr, v 19, n 1, 2006.
TAHERI, S. The link between short sleep duration and obesity: we should recommend more sleep to prevent obesity. Arch.Dis.Chlid, v 91, p 881-884, 2006.

TERRES, N.G., et at. Prevalência e fatores associados ao sobrepeso e à obesidade em adolescentes. Rev Saúde Pública, v 40, n 4, p 627-33, 2006.