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O Apelo Nutricional das Berries
Saúde & Qualidade de Vida - Curiosidades

As berries são definidas botanicamente como frutos carnudos que toda a parede do ovário amadureceu, tornando o pericarpo (vulgarmente chamado de casca ou pele) comestível (Nacional Council for the Conservation, of Plants & Gardens, 2003). Entretanto, o termo berry vem sendo usado comumente para descrever qualquer fruta pequena, de sabor adocicado e formato arredondado (The American Heritage Science Dictionary, 2005), como o morango, uva, amora preta, framboesa, mirtilo, etc (National Berry Crop Initiative, 2007).

Além das características físicas e sensoriais, estas frutas têm em comum o elevado conteúdo compostos antioxidantes, como os compostos fenólicos, antocianinas e carotenóides (MOYER et al., 2002).

Os antioxidantes são importantes para a saúde por prevenirem danos moleculares causados por radicais livres. Os radicais livres são moléculas altamente reativas e algumas delas são formadas normalmente pelo metabolismo humano, como é o caso das espécies reativas de oxigênio (EROS) geradas durante no processo de respiração celular (COMBS, 1998).

Esse fato despertou o interesse dos cientistas em verificar a relação da ingestão das berries com a prevenção e tratamento de doenças, e então vários estudos são realizados acerca deste tema (MOTA, 2006). Isso tem propiciado o aparecimento de diversas notícias na mídia sobre o assunto (FOLHA DE SÃO PAULO, 2003; GLOBO REPÓRTER, 2004).

Diversos estudos analisaram a relação entre o consumo destes antioxidantes com a incidência de doenças, como é o caso do estudo de STONER et al. (2007). Esses autores encontraram diminuição na ocorrência de câncer de esôfago e cólon em ratos após a ingestão de um extrato congelado de berries.

Uma revisão sistemática realizada por JEPSON e CRAIG (2008) examinou na literatura estudos que avaliaram o consumo de suco de cranberries na prevenção de infecções urinárias. Os autores concluíram que há algumas evidências que confirmam que a ingestão desse suco diminui o risco de desenvolvimento de infecções do trato urinário em mulheres que tem esse tipo de infecção recorrente, entretanto a eficácia ainda não é comprovada para outros grupos. Além disso, ainda concluem que no momento não é possível estabelecer as dose e/ou o método de administração mais efetivos. Outro estudo conduzido por SESSO et al., (2007) avaliou a relação entre o consumo de morangos e a prevenção de doenças cardiovasculares, contudo os autores não encontraram correlações significativas.

PRIOR et al. (2007) conduziram 5 ensaios clínicos com 6 a 10 indivíduos em cada um, com o objetivo de avaliar o consumo de diferentes frutas e berries quanto à sua capacidade antioxidante. Eles mostraram que o consumo de um mix de kiwi, mirtilo e uva estão associados com um aumento da capacidade antioxidante no plasma no período pós-prandial. É importante salientar que grande parte dos estudos relacionando o potencial antioxidante das berries com o estresse oxidativo e prevenção de doenças, utilizam concentrados destas frutas em estudos in vitro ou com animais, o que poderia dificultar a extrapolação destes dados para a prática clínica, conforme foi demonstrado por RAMIREZ-TORTOSA et al. (2004).
Sem dúvida as berries constituem ótimas fontes de compostos antioxidantes, vitaminas e minerais que são benéficos para a saúde humana desempenhando diferentes funções, entretanto ainda não há comprovações científicas suficientes para declarar que estes frutos atuam na prevenção e/ou tratamento de doenças.

 Referências Bibliográficas

COMBS, G. F. The vitamins – fundamental aspects in nutrition and health. 2 ed. New York, 1998.

FOLHA DE S. PAULO. Suco de amora ajuda a combater doenças do coração, diz estudo. Edição de 25 de março de 2003. In: Toda fruta. Curiosidades Gerais [acessado em 9 de outubro de 2008]. Disponível em: http://www.todafruta.com.br.

GLOBO REPÓRTER. Mirtilo, o blueberry brasileiro. Edição de 29 de março de 2004. In: Toda Fruta. O poder de cura das frutas [acessado em 9 de outubro de 2008]. Disponível em: http://www.todafruta.com.br.

MOTA, R. V. da. Caracterização do suco de amora-preta elaborado em extrator caseiro. Ciênc. Tecnol. Aliment. ,  Campinas,  v. 26,  n. 2,   2006 .  

MOYER, R. A. et al. Anthocyanins, phenolics, and antioxidant capacity in diverse small fruits: vaccinium, rubus, and ribes. J Agric Food Chem. v. 50, n. 3, p. 519-25; 2002.

National Berry Crop Initiative [acessado em 10 de outubro de 2008]. Disponível em: http://nationalberrycrops.org/

Nacional Council for the Conservation, of Plants & Gardens [acessado em 10 de outubro de 2008]. Disponível em: http://www.nccpg.com/Page.Aspx?Page=161

NATIONAL INSTITUTE ON AGING. National Institutes of Health. ORAC values: a comprehensive list of a antioxidant levels in food [acessado em 10 de outubro de 2008]. Disponível em: http://oracvalues.com/.

PRIOR, R. L. et al. Plasma antioxidant capacity changes following a meal as a measure of the ability of a food to alter in vivo antioxidant status. J Am Coll Nutr. v. 26, n. 2, p. 170-81; 2007.

RAMIREZ-TORTOZA, C. M. et al. Oxidative stress status in an institutionalised elderly group after the intake of a phenolic-rich dessert. Br J Nutr. v. 91, n. 6, p. 943-50; 2004.

SESSO, H. D. et al. Strawberry intake, lipids, c-reactive protein, and the risk of cardiovascular disease in women. J Am Coll Nutr. v. 26, p. 303-10; 2007.

STONER, G. D. et al. Cancer prevention with freeze-dried berries and berry components. Semin Cancer Biol. v. 17, n. 5, p. 403-10; 2007.

The American heritage science dictionary. North America: Houghton Mifflin Company; 2005.
JEPSON RG, CRAIG JC. Cranberries for preventing urinary tract infections.           

Cochrane Database Syst Rev. 2008 Jan 23;(1):CD001321. Review.