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Ano Novo, Nova Atitude
Saúde & Qualidade de Vida - Curiosidades

Mais um ano se inicia, e antes mesmo de começar, já carrega a responsabilidade de ser o período em que realizaremos tudo o que nossas expectativas nos permitem listar como as famosas “resoluções de ano novo”. Dentre elas, uma muito recorrente é aquela que envolve perda de peso e/ou mudança de estilo de vida. Pois bem, se esta é uma de suas resoluções de ano novo, alguns fatores devem ser levados em conta.

É importante ter em mente, por exemplo, que datas especiais devem, certamente, ser comemoradas, uma vez que a alimentação não é apenas um ato fisiológico, mas um meio de criação e manutenção de formas de sociabilidade bastante ricas e prazerosas (ROMANELLI, 2006).

Isso envolve, em quase 100% das vezes, a realização de refeições ou a presença de alimentos igualmente especiais. Temos então o panetone no Natal e Ano Novo, os chocolates na Páscoa, os doces típicos de festas de aniversário e tantos outros alimentos que podem ser consumidos, pois, além de muito saborosos, têm toda uma representação social, mas este consumo deve ser realizado com equilíbrio e critério. Eles não podem, por exemplo, fazer parte de nossa alimentação diária enquanto ainda estiverem disponíveis e, ainda mais, enquanto apresentarem preços mais acessíveis.

Deste modo, os alimentos e a alimentação geralmente não tão saudáveis típicos de datas especiais devem ser resguardados apenas para tais datas, e não se transformar em hábitos que se prolongam ao longo do ano todo.

Ao entrar num novo ano, que sempre traz consigo um caráter de renovação, é uma decisão muito positiva a de transformar a alimentação num ato mais saudável. Contudo, são necessários comprometimento e intenção real de mudança. Uma resolução que envolva alteração de estilo de vida, em qualquer escala, deve ser considerada não somente para o ano que se inicia, mas para a vida toda. Não é fácil, mas é perfeitamente possível.

O modo de vida contemporâneo se caracteriza pela escassez de tempo para o preparo e consumo de alimentos; pelo vasto leque de itens alimentares, que, na grande maioria das vezes, quanto mais práticos e rápidos, menos saudáveis são; pelos deslocamentos das refeições de casa para estabelecimentos que comercializam alimentos; arsenal publicitário associado aos alimentos, que por vezes nos induz a decisões alimentares que podem trazer malefícios à saúde; pela flexibilização de horários para comer; e pela crescente individualização dos rituais alimentares (GARCIA, 2003).

Não podemos desistir de nossas resoluções aos primeiros sinais de que a rotina está voltando ao normal e, assim, permitir que a correria do dia-a-dia ou que pequenas desculpas determinem nossos atos. De modo semelhante, não devemos postergar o início das modificações para a próxima semana ou próximo mês, tampouco abandonar novas atitudes em decorrência de um ou outro deslize.

Para dar prosseguimento a um processo de mudança, estabelecer metas periódicas e plausíveis é fundamental. Pode-se iniciar com uma meta diferente por semana, que, uma vez alcançada, deverá passar a fazer parte do cotidiano. Uma pessoa que não tem o hábito de ingerir frutas, por exemplo, estabelecerá que, a partir desta semana (e não da próxima), se esforçará para consumir ao menos três frutas por dia. O mesmo se aplica a quem ingere determinado alimento ou preparação de baixo valor nutritivo, porém elevado valor calórico, em excesso (doces, frituras, entre tantos outros): “a partir desta semana, ao invés de comer chocolate todos os dias, reservarei apenas três dias na semana”, e assim progressivamente. Deste modo, as mudanças tornam-se mais palpáveis e duradouras, e os resultados certamente serão concretos.

O mesmo raciocínio de modificações gradativas e duradouras se aplica à prática de atividade física, para a qual frequentemente as pessoas não têm tempo ou mesmo disposição. Isto acaba configurando a situação atual de grande prevalência de sedentarismo em nossa população, que pode ser determinante no aparecimento de enfermidades como a obesidade e tantas outras associadas a ela (MENDONÇA & DOS ANJOS, 2004). Em contrapartida, a incorporação de atividade física à nossa rotina diária nos traz inúmeros benefícios, tais como controle de peso corporal e melhora da composição corporal em termos musculares; hipertrofia de fibras e aumento de força musculares; melhora da circulação sanguínea e, consequentemente, da oxigenação dos tecidos; melhora na flexibilidade; aumento da capacidade cardiorrespiratória; efeitos benéficos nos aspectos psicológicos, sociais e cognitivos; entre outros (MATSUDO e col., 2000).

Portanto, aproveite o ano que se inicia e modifique para melhor seu estilo de vida. Incorpore uma alimentação mais saudável e a prática de atividade física à sua rotina diária e sinta os benefícios que isto pode lhe proporcionar, sob diversos aspectos.
             
Referências Bibliográficas

GARCIA, R.W.D. Reflexos da globalização na cultura alimentar: considerações sobre as mudanças na alimentação urbana. Rev. Nutr., Campinas, v. 16, n. 4, p. 483-492, out/dez. 2003.
ROMANELLI, G. O significado da alimentação na família:uma visão antropológica
Medicina, Ribeirão Preto, v.39, n.3, p.333-9, jul./set. 2006.

MENDONÇA, C.P.; DOS ANJOS, L.A. Aspectos das práticas alimentares e da atividade física como determinantes do crescimento do sobrepeso/obesidade no Brasil. Cad Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 20, n.3, p.698-709, mai./jun. 2004.
MATSUDO, S. M.; MATSUDO, V.K.R.; BARROS NETO, T.L.. Efeitos benéficios da atividade física na aptidäo física e saúde mental durante o processo de envelhecimento. Rev. bras. ativ. fís. saúde;v.5,n.2, p.60-76, abr./jun. 2000.