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Bebidas Alcoólicas e Saúde
Saúde & Qualidade de Vida - Curiosidades

A despeito de todos os significados culturais e simbólicos que o consumo de bebidas alcoólicas adquiriu ao longo da história humana, o álcool não é um produto qualquer. É uma substância capaz de causar danos através de três mecanismos distintos: toxicidade, direta e indireta, sobre diversos órgãos e sistemas corporais; intoxicação aguda; e dependência. Tais danos podem ser agudos ou crônicos, e dependem do padrão de consumo de cada pessoa, que se caracteriza não somente pela freqüência com que se bebe e pela quantidade por episódio, mas também pelo tempo entre um episódio e outro, e ainda pelo contexto em que se bebe (LARANJEIRA; ROMANO, 2004)

O álcool é primeiramente metabolizado pela enzima álcool desidrogenase (ADH) no fígado. Assim, transforma-se em uma forma reduzida e é liberado no sangue (MAHAN; ESCOTT-STUMP, 2003). ). Apesar de agir inicialmente como estimulante, o efeito final da álcool produz depressão neurológica generalizada (memória, percepção visual, fala, coordenação motora), cujos efeitos estão relacionados diretamente à concentração sanguínea de álcool (McARDLE; KATCH e KATCH, 2001).

O consumo de álcool pode ser relacionado a diversas categorias de problemas de saúde. Estas incluem: baixo peso ao nascimento, câncer bucal e orofaríngeo, câncer esofágico, câncer hepático, depressão unipolar e outras desordens psiquiátricas relacionadas ao consumo do álcool, epilepsia, hipertensão arterial, isquemia miocárdica, doença cérebro-vascular, diabetes, cirrose hepática, acidentes com veículos e máquinas automotoras, quedas, intoxicações, danos auto-infligidos e homicídios (MELONI; LARANJEIRA, 2004).

Existem inúmeras evidências que permitem caracterizar o papel do álcool como fator de risco para doenças e morte. No nível individual, estão bem estabelecidas correlações fisiopatológicas entre ingestão alcoólica e desenvolvimento de problemas de saúde. No entanto, a ponderação entre os efeitos benéficos e patogênicos do álcool nem sempre é clara (MELONI; LARANJEIRA, 2004). Apesar de a relação do consumo de álcool com o desenvolvimento de doenças ser evidente, o impacto da toxicidade do álcool na saúde apresenta dados controversos (KOKAVEC, 2008).

Além disso,quando o álcool é ingerido, a habilidade das células em manter o estoque de tiamina, a vitamina B1, é comprometida o que pode gerar uma deficiência dessa vitamina (KOKAVEC, 2008). Ainda, algumas pesquisas apontam que o uso abusivo desta bebida pode aumentar os níveis de homocisteína que é um fator de risco para o desenvolvimento doenças cardiovasculares (BURGER et al., 2004).

Em contrapartida, outros estudos sugerem que o consumo moderado de álcool (20 a 30g/dia) está associado com a diminuição da mortalidade por doenças cardiovasculares, especialmente por doenças coronarianas. Esses achados são atribuídos principalmente pela intervenção do álcool no processo de aterogenêse (BURGER et al., 2004). A aterosclerose, que danifica as artérias coronarianas, é o primeiro mecanismo no desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A aterosclerose é claramente multifatorial e atualmente é  reconhecido que a inflamação dentro das artérias contribui consideravelmente ao início e progressão da doença.

Estudos recentes mostraram que o consumo moderado de bebidas alcoólicas diminui a concentração da proteína C-reativa, proteína que indica a inflamação e antecede os eventos cardiovasculares, diminuindo o risco de desenvolver doenças coronarianas (SIERKSMA et al., 2002).Os benefícios do consumo moderado de bebidas alcoólicas estão focados em três maiores sistemas fisiológicos. Primeiramente, aumenta os níveis de colesterol HDL sem aumentar os níveis de triglicerídeos. Segundo, o álcool pode reduzir os níveis de fibrinogênio (marcador de risco para doenças cardiovasculares) e diminuir a coagulação sanguínea. O terceiro sistema seria a diminuição os processos inflamatórios (SIERKSMA et al., 2002).

Finalmente, todos os benefícios potenciais do consumo de álcool devem ser ponderados contra os potenciais riscos  à saúde, como problemas de câncer, acidentes e problemas sociais (BURGER et al., 2004).

Referências Bibliográficas:

BURGUER, M et al. Alcohol consumption and its relation to cardiovascular risk factors in Germany. European Journal Of Clinical Nutrition, Berlin, n. , p.605-614, 2004.

SIERKSMA et al. Moderate alcohol consumption reduces plasma C-reactive protein and fibrogen levels; a radomizes, diet-controlled intervention study. European Journal Of Clinical Nutrition, Holanda, n. , p.1130-1136, 2002.

KOKAVEC, Anna. Is decreased appetite for food a physiological consequence of alcohol consuption? Elsevier, Bendigo, n. , p.233-243, 2008.

MELONI, José Nino; LARANJEIRA, Ronaldo. The social and health burden of alcohol abuse. Rev Bras Psiquiatr, São Paulo, n. , p.7-10, 2004.

LARANJEIRA, Ronaldo; ROMANO, Marcos. Consenso brasileiro sobre políticas públicas do álcool. Rev Bras Psiquiatr, São Paulo, n. , p.68-77, 2004

MAHAN, L. K.; SCOTT-STUMP, S. Alimentos, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca, 10 ed., 2002.

MCARDLE, William D.; KATCH, Frank I.; KATCH, Victor L.. Nutrição para o desporto e o exercício. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.a., 2001.