
“Comfort Food”: Comida que Conforta
Saúde & Qualidade de Vida - CuriosidadesOs alimentos proporcionam cinco sensações gustativas básicas: doce, amargo, azedo, salgado e umami (um gosto de carne). Estas sensações auxiliam na regulação do consumo proporcional de nutrientes; o gosto doce sinaliza alimentos mais energéticos; o umami indica a presença de proteínas; o salgado ajuda a assegurar o equilíbrio hidroeletrolítico adequado; e os gostos azedo e amargo, por vezes, advertem contra o consumo de substâncias tóxicas. (LE COUTRE, 2003)
Os gostos e sensações percebidos pelos sentidos são “arquivados” em áreas específicas do cérebro, o que conduz, por fim, a uma classificação baseada em prazer, agrados e desagrados, necessidades e repulsas. Nesse processo de classificação dos “gostos”, além dos sentido do paladar, estímulos olfativos e visuais são muito utilizados.
Os mecanismos sensoriais existentes no organismo humano controlam a ingestão de alimentos, porém essas mensagens podem ser ignoradas por decisões conscientes ou subconscientes, baseadas em aspectos ambientais e emocionais. (LE COUTRE, 2003)
O núcleo accunbens é o centro de prazer e recompensa do cérebro, muitas drogas viciantes agem nesta área. Esse núcleo pode sobrepor-se à “regulação homeostática” que se acredita existir no cérebro, estimulando a busca da satisfação. (LE COUTRE, 2003)
Movimentos gastronômicos surgiram frente a todos os novos estudos e descobertas da ciência que ligam alimentação às emoções. Dentre eles, o “Comfort Food”, traduzindo do inglês, “comida que conforta”. Esta teoria nasceu nos Estados Unidos, no início de 2002, justamente com a idéia de proporcionar alimentos com sabor familiar, encaixando-se perfeitamente para aqueles que vivem longe de casa e comem em restaurantes todos os dias. Desde então, a Comfort Food virou moda e ganhou espaço pelo mundo, tornando-se tendência entre os cozinheiros, chefs, restaurantes e até mesmo indústrias de alimentos, que detectaram a busca do consumidor pelas coisas mais simples, naturais, caseiras. (SLOW FOOD, 2011)
O Comfort Food baseia-se no conceito de provocar sensações e emoções por meio da comida, através de pratos que remetam à infância, boas lembranças gustativas, com um toque de contemporaneidade. O objetivo da “comida que conforta” é aguçar a memória gustativa e olfativa através de criações. Os ingredientes mais utilizados pelos adeptos da Comfort Food são os mais simples, há valorização dos alimentos naturais, orgânicos, sempre com toque de originalidade; pode-se desconstruir um prato clássico ou antigo e reconstruí-lo de maneira a surpreender e emocionar aquele que o prova. É comida para alma! O bolo de fubá da avó, o picadinho da mãe, a canjica da tia, apresentados de maneira nova, mas remetendo às classificações sensoriais criadas em momentos anteriores. (LOCHER, 2005)
Cada um tem a sua própria Comfort Food, que pode variar muito de acordo com a cultura, época, lugares por onde passou e experiências vividas. Não se deve confundir a “comida que conforta” com vícios da idade adulta, como as dezenas de cafezinhos que tantos tomam durante um dia de trabalho; o conforto que as Comfort Food proporcionam é mais delicado e subjetivo.
Como qualquer outro alimento, Comfort Foods devem ser consumidas com cautela. Inteligente é saber aliar seu consumo com uma alimentação saudável, e tê-las como parte de uma dieta equilibrada. Uma vantagem nutricional desse tipo de comida é a tendência ao uso de alimentos naturais, que podem oferecer mais saúde e qualidade de vida, alternativa ao bombardeio dos Fast Foods. Por outro lado, uma Confort Food pode ser “aquele bolo de chocolate recheado que comia nos aniversários durante a infância”, neste caso, não se prive do prazer, mas consuma com moderação.
DALLMAN, M.F.; PECORARO, N.; AKANA, S.E.; GOMEZ, F.; HOUSHYAR, H.; BELL, M.; BHATNAGAR, S.; LAUGERO, K.D.; MANALO, S. Chroic stress and obesity: A new view of comfort food. National Academy of Sciences of the United States of America, 2003.
LE COUTRE, J. Taste: the methabolic sense. Food Technology. Ago/2003. Vol. 57, n8.
LOCHER, J.L.; YOELS, W.C.; MAURER, D.; ELLS, J. Comfort foods: An exploratory journey into the social and emotional significance of food. Food and Foodways, Vol 13, 2005.
REVISTA PRAZERES DA MESA. Ago/2004 (Ano 2), n15. Editora 4 Capas
SLOW FOOD. Website: http://www.slowfoodbrasil.com. Acesso em 14/05/2011.