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As Equações de Predição do Gasto Energético e o Uso da Calorimetria Indireta: Até Onde as Equações São Confiáveis?
Saúde & Qualidade de Vida - Curiosidades

O metabolismo envolve as reações químicas das biomoléculas dentro do corpo, englobando tanto a síntese (anabolismo) quanto o fracionamento (catabolismo). Três fatores influenciam o total de energia gasto pelo organismo durante o dia: a taxa de metabolismo basal, a termogênese e a atividade física. Além desses fatores, o gasto energético ainda sofre influência da idade, do sexo, do peso, da estatura e do clima ambiental (MAGRINI, et al, 2008; COCATE, PG, 2009).

Segundo Magrini et al (2008), o maior responsável pelo gasto energético diário é a taxa de metabolismo basal (TMB) ou gasto energético basal (GEB), que corresponde a cerca de 60 a 75% da necessidade diária de energia. Esse gasto energético basal é uma medida da energia gasta pelas funções vitais do organismo, como batimentos cardíacos, respiração, circulação, entre outros. O GEB pode ser afetado por alguns fatores como composição corporal, idade, sexo, temperatura corporal, estado nutricional, menstruação, gestação e funcionamento endócrino.

A atividade física é o componente mais variável entre os indivíduos, e também é afetado por fatores como idade, sexo, peso, estatura, composição corporal, tipo de atividade, intensidade, freqüência, duração, condicionamento físico, estado nutricional, entre outras. Diferenças morfológicas nas fibras musculares também podem interferir no tipo de substrato energético utilizado durante a atividade física e devido a isso, também afeta o gasto calórico. Além disso, a atividade física pode aumentar o GEB e a termogênese (MAGRINI et al, 2008).

A estimativa do gasto energético é importante para ajustar a oferta nutricional de cada indivíduo. A adequação nutricional é necessária para orientar quanto à oferta energética adequada à demanda da atividade envolvida.

Ainda, a GMB pode ser avaliada por calorimetria indireta, um método que determina as necessidades energéticas a partir do consumo de oxigênio e da produção de gás carbônico obtidos por meio do ar inspirado e expirado pelos pulmões (COCATE, PG, 2009; RODRIGUES, et al, 2008). A denominação indireta indica que a produção de energia é calculada a partir dos equivalentes calóricos do oxigênio consumido e do gás carbônico produzido. Assim, calcula-se a quantidade total de energia produzida, utilizando o oxigênio consumido para a oxidação dos substratos energéticos e o gás carbônico que é eliminado pela respiração (COCATE, PG, 2009; RODRIGUES, et al, 2008).

Uma série de estudos mostram que a utilização da fórmula de Harris-Benedict tende superestimar a GMR em indivíduos obesos (WAHRLICH, V, et al, 2007; VASCONCELLOS, M, 2001).

Schneider & Meyer (2005) realizaram um estudo com adolescentes obesos e com sobrepeso. Eles avaliaram o GMR destes adolescentes através da calorimetria indireta e compararam com as seguintes equações de predição; Harris & Benedict, Schofield, FAO, e Henry & Rees. Foi observado que as equações de predição não são adequadas para estimar a GMB da população estudada, sendo que na maioria dos casos pode superestimar as necessidades energéticas.

Um estudo recente realizado com ciclistas, também avaliou o GMR destes indivíduos e comparou com as equações de predição. Neste estudo, os resultados confirmam que as equações avaliadas não são adequadas para estimar a TMR em atletas.

Diante desta realidade, é importante que o profissional fique atento as fórmulas utilizadas para predizer o gasto energético do seu paciente, para que não seja superestimado o gasto calórico do mesmo.

Referências

COCATE, PG; ALFENAS, RCG; PEREIRA, LG; MARINS, JCB; BRESSAN, J; CECON, PR. Taxa metabólica de ciclistas estimada por equações e obtida por calorimetria indireta. Rev Bras Med Esporte, v 15, n 5, 2009.

CLARK, HD, HOFFER, LJ. Reappraisal of the resting metabolic rate of normal young men. Am J Clin Nutr, v 53, p 21‑6, 1991.

MAGRINI, J.E.;HIRSCHBRUCH, M.D.; CARVALHO, J.R. Prescrevendo uma dieta. In: HIRSCHBRUCH, M.D.; CARVALHO, J.R. Nutrição esportiva – uma visão prática. 2ed. Barueri: Manole, cap 5, p 33-34, 2008.

PELT, VER; DINNENO, FA; SEALS, DR; JONES, PP. Age-related decline in RMR in physically active men: relation to exercise volume and energy intake. Am J Physiol Endocrinol Metab, v 281, p 633-9, 2001.

RODRIGUES, AE; MAROSTEGAN, PF; MANCINI, MC; DALCANALE, L; MELO, ME; CERCATO, C; HALPERN, A. Análise da taxa metabólica de repouso avaliada por calorimetria indireta em mulheres obesas com baixa e alta ingestão calórica. Arq Bras Endrocrinol Metab, v 52, n 1, p 76-84, 2008.

SCHNEIDER, P, MEYER, F. As equações de predição da taxa metabólica basal são apropriadas para adolescentes com sobrepeso e obesidade? Rev Bras Med Esporte, v 11, n 3, 2005.

VASCONCELLOS, M. Fontes de inadequação das recomendações internacionais sobre requerimentos humanos de energia para a população brasileira. Rev Bras Epidemiol, v 5, n 1, p 59-72, 2002.

WAHRLICH, V; ANJOS, LA; GOING, SB; LOHMAN, TG. Basal metabolic rate of Brazilians living in the Southwestern United States. Eur J Clin Nutr, v 61, n 2, p 289-93, 2007.