
Estévia
Saúde & Qualidade de Vida - CuriosidadesEm decorrência das modificações do estilo de vida, no que diz respeito ao consumo alimentar e ao aumento do sedentarismo, o excesso de peso e as doenças crônicas estão apresentando um aumento cada vez mais preocupante, especialmente em relação à ingestão excessiva de açúcar e por isso, os edulcorantes estão sendo cada vez mais destacados e utilizados como estratégia de prevenção e tratamento de problemas de saúde relacionados ao aumento de peso.
Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre o edulcorante estevia no meio científico, por ser considerado uma alternativa de baixa caloria e 100% natural, sendo seguro para o consumo, um dos diferenciais mais destacados pelas pesquisas. A tecnolgia da produção deste adoçante também está sendo explorada, com o objetivo de mascarar o sabor caracterísco do produto, sem diminuir os seus benefícios percebidos em seu estado natural, e os resultados estão sendo bem satisfatórios.
Conhecendo melhor a estévia
As folhas da planta da Stevia foram encontradas há centenas de anos pelos índios do Paraguai, Uruguai, Argentina e em algumas partes do Brasil, que descobriram o sabor doce, e passaram a utilizar estas folhas para adoçar bebidas ou mesmo apenas mastigando-as (MINTEL INTERNATIONAL GROUP LIMITED, 2009), e são utilizadas comercialmente desde a década de 70. A estévia é considerada 100% natural e seu sabor doce se dá principalmente devido aos glicosídeos de esteviol, presentes em apenas duas das mais de 100 espécies de Stevia, sendo a espécie Stevia rebaudiana Bertoni a que apresenta as variedades de compostos mais doces (GOYAL e col, 2010).
A produção da estévia ocorre a partir da extração aquosa dos glicosídeos de esteviol e posterior purificação por meio de técnicas como a cromatografia de troca iônica e/ou filtração por membranas. Na maioria dos edulcorantes de estevia disponíveis comercialmente hoje, é utilizado o esteviosídeo, o glicosídeo de esteviol presente em maior quantidade nas folhas secas de estévia. De acordo com Nabors, 2001, a estévia apresenta poder adoçante 300 vezes maior que a sacarose.
O consumo da estévia é aprovado no Brasil pela ANVISA, e de acordo com o Global Stevia Institute os glicosídeos de estiviol não apresentam evidência de toxicidade por doses sistêmicas continuadas, bem como de carcinogênese. Seus níveis seguros de ingestão devem ser de 4 mg/kg/dia de acordo com as recomendações da ANVISA e JECFA (BRAHMACHARI, 2011).
Alguns estudos toxicológicos mostraram que não existem evidências de riscos para a saúde em animais jovens que foram expostos a altas concentrações de estevia e seus componentes (GLOBAL STEVIA INSTITUTE, 2011). Porém, de acordo com um estudo realizado pelo Journal Pediatric Obesity, em 2010, os estudos ainda são pouco conclusivos e ainda não há consenso sobre benefícios e riscos para a saúde das crianças que fazem uso de adoçantes (seja ele qual for), mas é importante considerar o uso da estévia nos casos de diabetes e obesidade infantil.
Referências Bibliográficas:
1. Brahmachari et al. Arch. Pharm. Chem. Life Sci. 2011, 1, 5–19
2. Goyal, S.K.; Samsher; Goyal, R.K. Stevia (Stevia rebaudiana) a bio-sweetener: a review. International Journal of Food Sciences and Nutrition, v.61, n.1, p.1-10, Feb. 2010.
3. Mintel International Group Limited. Stevia and Other Natural Sweeteners, August 2009.
4. Nabors LO.Alternative Sweeteners. Third Edition, Revised and Expanded. 2001.
5. Rebecca et al. Artificial Sweeteners: A systematic review of metabolic effects in youth. International Journal Pediatric Obesity. P. 305-312 , 2010.
6. GLOBAL STEVIA INSTITUTE. Disponível em http://www.globalsteviainstitute.com. Acesso em 05 de julho de 2011.
7. Torloni, M.R.; Nakamura, M.U.; Megale, A.; Sanchez, V.H.S.; Mano, C.; Fusaro, A.S.; Mattar, R. O uso de adoçantes na gravidez: uma análise dos produtos disponíveis no Brasil. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v.29, n.5, p.267-75, 2007.