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Micotoxinas
Saúde & Qualidade de Vida - Curiosidades

Definição, principais tipos e danos à saúde

As micotoxinas são substâncias (metabólitos secundários) produzidas por fungos à medida que amadurecem, sem nenhuma função ao seu metabolismo. Existem pelo menos 400 tipos de micotoxinas já conhecidas, estas podem causar danos aos vegetais e consequentemente, aos animais e seres humanos que os ingerem (EMBRAPA, 2007).Os sinais e sintomas podem variar de lesão de pele, a sintomas de hapatotoxidade, nefrotoxicidade, neurotoxicidade, hematotoxicidade e genotoxicidade, e até mesmo a morte (KAWASHIMA, 2004); os principais fungos são dos gêneros Aspergillus, Fusarium e Penicilli(EMBRAPA,2007).

PRINCIPAIS MICOTOXINAS:

Aflatoxinas: micotoxina proveniente dos fungos do gênero Aspergillus. Começaram a ser estudadas na década de 60, após a constatação de mortes de animais por ingestão desta substância. Alguns substratos são favoráveis ao crescimento das aflatoxinas como: cereais, sementes oleaginosas, amêndoas, especiarias entre outros. Alguns alimentos são contaminados ainda no campo, antes da colheita, podendo ocorrer também: no armazenamento, no processamento e no transporte, considerando uma condição de elevada temperatura e umidade.

As aflatoxinas ocasionarão conseqüências à saúde humana do tipo oncogênica e imunosupressivas. No Brasil a maior incidência ocorre em: amendoim e seus derivados, leite líquido, amêndoas, castanha do Pará; e animais como peru, frango, suínos e bovinos por ingerirem rações contaminadas (EMBRAPA, 2007 e FERREIRA et al, 2006).

Ocratoxina A: é principalmente produzida por fungos do gênero Aspergillus.  Estudos demonstraram o efeito nefrotóxico e cancerígeno em animais. Frequentemente, é encontrada em cereais como: cevada, arroz, milho, trigo e derivados, mas também, tem sido encontrada em café, uvas, cerveja, vinho, chocolate, carne, leite e derivados. No Brasil, apresenta baixa incidência, mas foi encontrada em milho, feijão, farinha de mandioca, trigo e farinha de trigo. (KAWASHIMA, 2004 e CALDAS et al, 2002).

Patulina: produzida principalmente por Aspergillus, Penicillium e Byssochlamys. Atinge principalmente frutas, como maçã e pera e, também seus sucos e geléias; e vegetais. Apresenta efeito imunossupressor e há evidências de câncer em animais (KAWASHIMA, 2004).

Fumonisinas: micotoxinas produzida por fungos do gênero Fusarium. Suas primeiras descrições são da década de 80, atualmente são conhecidas 16 substâncias diferentes. No Brasil, há maior incidência no milho, usado para ração de animal. No entanto, estudos realizados em outros países, demonstram a associação com câncer de esôfago em humanos, leucoencefalomácia em equinos e coelhos, edema pulmonar e hidrotórax em suínos, efeitos hapatotóxicos e carcinogênicos em fígado de ratos (EMBRAPA, 2007).

Tricotecenos: constitui um grupo de aproximadamente, 150 metabólitos produzidos por gêneros diferentes de fungos.

Um dos principais Tricotecenos é o desoxinivalenol (DON),que apresenta maior incidência em grãos, como: trigo, cevada, centeio, cártamo e misturas de alimentos. Quando consumidos em altas doses, por animais, pode causas náuseas, vômito e diarréia. Já para os suínos, quando consumidos em pequenas quantidades, pode causar recusa de alimento e vômito.
No Brasil, há maior incidência no milho, no farelo de trigo e nos produtos de panificação ( KAWASHIMA, 2004 e EMBRAPA, 2007).

Zearalenona: é principalmente produzida por fungos do gênero Fusarium. Raramente é tóxico e sua estrutura se assemelha ao estradiol, hormônio produzido no ovário feminino humano.
O elevado consumo, desta substância, pode acarretar  distúrbios na concepção, aborto e outros problemas reprodutivos em suínos, vacas e ovinos. Em humanos, especula-se a relação com a puberdade precoce e ginecomastia, em crianças do Porto Rico (KAWASHIMA, 2004).No Brasil, esta toxina já foi encontrada em cereais e em aveia em flocos(EMBRAPA, 2007).

É importante ressaltar que alimentos contaminados com micotoxina, podem não apresentar alteração de aparência, já que podem estar presentes nos alimentos, mesmo depois da retirada do fungo responsável por sua produção. Os surtos são sazonais, pois variam de acordo com as condições climáticas, sendo a temperatura e a umidade dois fatores de extrema importância (KAWASHIMA, 2004).

A FAO 2003 regulamentou a legislação para diversos países da América do norte, América latina, Europa, África e Ásia, estabelecendo a quantidade limite de micotoxinas presentes nos alimentos e rações, fato que auxilia na segurança alimentar da população mundial (EMBRAPA, 2007).

REFERÊNCIAS

CALDAS, E. D.; SILVA, S. C.; OLIVEIRA, J. N. Aflatoxinas e Ocratoxina A em alimentos e risco para a saúde humana. Rev. Saúde Pública, v. 36, n. 3 p. 319-323, São paulo, 2002.

FERREIRA, H.; PITTNER, E.; SANCHES, H. F.; MONTEIRO M. C. Aflatoxinas: um risco a saúde humana e animal. Ambiência – revista do Centro de Ciência Agrárias e Ambientais, v. 2 n. 1 jan/jun, 2006.

EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .FREIRE, F. C. O.; VIEIRA, I. G. P.; GUDES, M. I. F.; MANDES, F. N. P. Micotoxinas: importância na alimentação e na Saúde Humana e animal. Documentos 110, ISSN 1677 – 1915, outubro, 2007.

KAWASHIMA, L. M. Micotoxinas em alimentos e bebidas nacionais produzidos e comercializados em diferentes regiões do Brasil. 2004. 110 p. Tese (Doutorado em Engenharia de alimentos) – Faculdade de engenharia de alimentos, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.