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Nutrição e Aquecimento Global
Saúde & Qualidade de Vida - Curiosidades

“...o planeta ficará irreconhecível nas próximas décadas...fome, sede, miséria, inundações, furacões mais intensos, ondas de calor, extinção de espécies e da biodiversidade...”

Se estamos ligados intimamente aos alimentos e terra, o que podemos fazer? Países europeus vêm sendo castigados por ondas de calor extremas, ciclones passaram a atingir o Brasil, tornados causam mortes e destruição em várias regiões do planeta, etc. O IPCC ( Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), que contou com a participação dos 250 maiores pesquisadores no assunto, promoveu um  debate mundial, expondo que os resultados gerados pelo aquecimento tem efeitos  potenciais sobre a saúde humana, economia e meio ambiente e que por essa razão tem sido fonte de grande preocupação.

As causas destes fenômenos são assuntos de muitos debates entre especialistas envolvidos. Recentemente, muitos pesquisadores afirmam que as ações do seres humanos, dentre outros fatores, promovem influência direta na ocorrência da alteração climática. Grande parte da comunidade cientifica acredita que a elevação da temperatura do planeta ocorre principalmente devido ao aumento da concentração de poluentes que causam aumento do efeito estufa. Os veículos automotores e as grandes indústrias e as grandes queimadas que promovem o desmatamento são apontados como os principais responsáveis pelo aquecimento global. O que pouco se discute é como os hábitos alimentares podem contribuir significativamente para minimizar o problema.

O consumo de alimentos industrializados e ricos em proteína animal, a partir de informações sobre a poluição e energia gasta na produção, colheita e transporte desses alimentos são fatores de agressão diretos ao meio ambiente e apontados como grandes colaboradores do aquecimento global. O Brasil, além de ser considerado o 4º maior produtor de poluentes, apresentar índice de 75% de incêndio de florestas e canaviais, tem um dos setores que mais contribui para geração de gases do efeito estufa: a agropecuária. Isso ocorre devido a flatulência dos bovinos e gases liberados no estrume do animal. Mesmo não se falando em vegetarianismo, a redução do consumo de carne vermelha vem sido discutida como uma das medidas possíveis para conter o efeito estufa bem como para a redução no uso dos recursos hídricos, uma vez que de acordo com o relatório da FAO, para produzir 1 kg de carne para consumo há necessidade de cerca de 15 mil litros de água. Com o aumento da pecuária mais florestas nativas são queimadas para a formação de pastos. Dados mostram que no Brasil há cerca de 160 milhões de cabeças de gado responsáveis pela liberação de gases poluentes altamente tóxicos e do desmatamento.

A produção e estocagem de enlatados e fast-food afeta o meio ambiente na mesma proporção que o setor de transportes por emitir gases poluentes em quantidades equivalentes a 1/3 da emissão feita por carros, motos e caminhões. Se passarmos a consumir produtos industrializados no lugar de outros alimentos, deve-se estar atento que a produção destes necessita de energia vinda das hidroelétricas e percorre grandes distâncias no transporte até chegar a mesa do consumidor, o que também afeta negativamente o ambiente.

Alguns profissionais sugerem que os consumidores procurem saber a origem dos alimentos que estão consumindo, pois isto pode contribuir com a preocupação das empresas na escolha dos fornecedores. Valorizar os pequenos produtores, que normalmente tem seus produtos vendidos em “feiras de rua” , também é uma boa atitude, zelando por produtos menos manipulados, que formam menos poluentes e que incentivam a zona rural e seus agricultores.

Por projeção, até o ano de 2080 as ondas de calor tendem a ficar mais intensas e paralelamente os regimes de chuva serão mais incertos. Como conseqüência, quebras de safras poderão trazer a fome para cerca de 1 a 1,4 bilhões de pessoas. Atualmente o número de pessoas acometidas pela fome por estes fatores no planeta fica em torno de 800 milhões de pessoas. Ainda se tratando de possíveis decorrências por previsão, todo o setor agrícola passaria por readaptação, tendo sua produtividade diminuída e produção redirecionada.

Nossos hábitos alimentares e estilo de vida precisam ser repensados tanto para o bem-estar, saúde e qualidade de vida quanto para as possíveis conseqüências que acometem a população mundial. O aquecimento global deve ser encarado como um fenômeno multi-fatorial, sem causa principal, para que assim medidas que façam parte do nosso dia-a-dia possam ser estabelecidas.

Periodicamente estaremos discutindo recomendações e ações necessárias para nossa colaboração na preservação do meio ambiente e da vida. A nutrição e seu papel fundamental na vida pode auxiliar neste processo e o nutricionista deve , como profissional na área de saúde , pesquisar , avaliar e orientar condutas para mudanças no estilo de vida interagidas com  as necessidades atuais.

Referências Bibliográficas

ESHEL, G. ; Martin, P.A. Diet, energy, and global warming. Earth Interacts, v. 10, n. 9, p. 1-17, 2006.

CASTELFRANCHI, Y. Vento de furacão esquenta debate sobre mudança climática. Cienc Cult, v. 58, n. 3, p. 16-17, 2006.

PIMENTEL, D. Global warming, population growth, and natural resources for food production. Soc Nat Resourc, v. 4, n. 4, p. 347-363, 1991.

TV CULTURA. Debate: aquecimento global. Programa Roda Viva – 12 de fevereiro de 2007.

INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE. Disponível em <www.ipcc.ch> Acesso em 07 de março de 2007