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Ovo: Comer Ou Não Comer?
Saúde & Qualidade de Vida - Curiosidades

O ovo por ser um alimento nutritivo e de preço acessível faz parte da alimentação da população brasileira de todos os níveis sociais, especialmente os de galinha. Muito apreciado por todas as culinárias no mundo, no Brasil a média per capita/ ano de consumo é de 141 unidades segundo os dados da União Brasileira de Avicultura (UBA), a população que mais consome é o mexicano, com média de 360 unidades, seguido pelo Japão (347) e pela China (310) (Anton et al., 2006).

Nas décadas de 80 e 90 o consumo de ovos no Brasil foi banido dos cardápios saudáveis, já que as evidencias cientificas mostravam uma forte relação com o aumento das chances de desenvolvimento de doenças cardíacas, apontando o aumento do colesterol como principal causa. Atualmente há um processo de reabilitação deste alimento baseado  em novas pesquisas(Avisite, 2004; Castro et al, 2004).

Na ultima década, com grande divulgação sobre os malefícios do consumo do ovo, os avicultores disponibilizaram aos consumidores  ovos diferenciados. Sendo possível encontrar ovos lights, enriquecidos com ômega 3 e com  baixo teor de gordura e colesterol. No entanto, é importante saber  se esse alimento é fiscalizado e  certificado por algum órgão competente,capaz de avaliar e  comprovar  estes diferencias ( Paschoal et al, 2006).

Um estudo avaliou o teor de macronutrientes e de colesterol em ovos vermelhos de galinhas de granja e caipiras, ovos brancos de galinhas de granja, ovos brancos enriquecidos com PUFA ômega-3, ovos brancos com teor reduzido de colesterol e ovos de codorna.  Os resultados não mostraram  diferenças estatísticas significativas entre os teores de proteína dos diferentes tipos de ovos. Em relação ao teor de lipídios, os ovos de codorna apresentaram o maior teor , seguido por ovos vermelhos de galinhas caipiras. Na tabela abaixo, observa-se os valores mais baixos de colesterol foram obtidos nos ovos comercializados como “menos colesterol” (SALVADOR; SANTA, 2002).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ovo é considerado um alimento nutricionalmente completo e ideal para o consumo. Com baixo valor calórico, é uma das poucas fontes exógenas de vitamina D e K (Herron & Fernandez, 2004) além de outras vitaminas e minerais que ajudam na homeostase do organismo. E por ser uma proteína de origem animal, fornece os aminoácidos essenciais que nosso corpo é incapaz de sintetizar. A maior parte constituinte do ovo é a clara (60% do peso do ovo), rica em água e proteínas, principalmente albumina. A gema é responsável por 30-32% do peso total do ovo e é formada por água, proteínas e lipídios. A casca do ovo representa os restantes 10% de seu peso total (MADRID, 1991).


A gema do ovo é uma fonte de luteína e zeaxantina, carotenóides antioxidantes que se acumulam na região macular da retina e têm função protetora. (Handelman et al., 1999) demonstrou que 1,3 unidade de gema de ovo por dia, durante 4 a 5 semanas, aumentou as concentrações de luteína no plasma de 28 para 50% e de zeaxantina de 114 para 142% ( Novello et al, 2006).

Além disso, o ovo é considerado excelente fonte de colina, nutriente essencial para a função normal das células (Zeisel, 2000;  Novello et al, 2006).

Segundo Moura (2001), a gema do ovo não é a responsável pelo aumento de colesterol no sangue, pois o colesterol especificamente do ovo pode ser metabolizado de forma benigna pelo corpo humano. O mesmo autor analisou hábitos alimentares de 1.600 estudantes de 7 a 14 anos, em escolas de rede pública da cidade de Campinas-SP,com amostras de sangue das crianças,  demonstrando que os indivíduos que consumiam mais ovos, não eram os que apresentavam  as maiores taxas de colesterol. O autor concluiu que o excesso de colesterol não está relacionado com a ingestão de ovos e sim com a obesidade e o baixo consumo de fibras.

Os estudos epidemiológicos sobre o consumo do ovo e os riscos de doenças cardiovasculares, apesar de existirem em grande quantidade, são ainda insuficientes para avaliar os riscos e benefícios do consumo do ovo. Apesar de este alimento possuir uma quantidade razoável de colesterol, vários estudos epidemiológicos não encontram nenhuma relação entre consumo de ovo e risco de doenças coronárias ( Novello et al, 2006).

A recomendação de, no máximo, 300 mg/dia de colesterol dietético para prevenir níveis altos de colesterol sérico e doença arterial coronariana (DAC) é empregada muitas vezes para justificar a ingestão restrita a 3 ou 4 ovos por semana. Um ovo contém aproximadamente 200 mg de colesterol, mas deve se lembrar que é excelente fonte de aminoácidos, vitaminas e carotenoides (Vorster et al., 1995). Segundo Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, para prevenção de aterosclerose e dislipidemias o consumo de colesterol por dia deve ser menor do que 200 mg.

Com benefícios e praticidade no preparo dos ovos, existem fracos indícios de exclusão deste alimento da rotina alimentar.O importante é equilibrar fontes de proteínas com preparo mais saudáveis  além de estabelecer hábitos saudáveis com atividade física regular e dieta adequada as  necessidades individuais.

Referências:

Anton M, Nau F, Nys Y (2006). Bioactive egg components and their potential uses. World Poult. Sci. J. 62:429-437.

Avisite. Ovo reabilitado. Avisite 2004 fev [citada 2006 set]. Disponível em: http://www.avisite.com.br/reportagem/jcarlos/default.asp.

Castro LCV, Franceschini SCC, Priore SE, Pelúzio MCG. Nutrição e doenças  ardiovasculares: os marcadores de risco em adultos. Rev Nutr 2004; 17(3):369-377. 

Paschoal V, Campos MFS, Machado S. Nutrição funcional nas doenças crônicas degenerativas: Alimentos funcionais e suplementação de acordo com a avaliação de sinais e sintomas e exames bioquímicos. Nut Sau Perf 2006; 29:20-30.

Salvador, M; Santa, P.D. Teores de macronutrientes e colesterol em diferentes tipos de ovos. B.Ceppa, v. 20, n.1, p.133-140, 2002.

Herron KL, Fernandez ML (2004). Are the current dietary guidelines regarding egg consumption appropriate? J. Nutr. 134:187-190.

MADRID, A. Manual de industrias alimentarias. Madrid: Mundi-Prensa, 1981. 565 p.

Nepa / Unicamp (2006). Tabela brasileira de composição de alimentos – T113 versão II. 2. ed. Campinas, SP, 113 pp.

Royal Society of Chemistry / Food Standards Agency (2002). The composition of foods.Disponívelem:<http://www.nutritionandeggs.co.uk/eggs_nutrition/nutrition1.html>. Acesso em: 10 mar . 2010

Handelman GJ, Nightingale ZD, Lichtenstein AH, Schaefer EJ, Blumberg JB (1999). Lutein and zeaxanthin concentrations in plasma after dietary supplementation with egg yolk. Am. J. Clin. Nutr. 70:247-251.

Zeisel SH (2000). Choline: needed for normal development of memory. J. Am. Coll. Nutr. 19(5):528S-531S.

Moura EC. Ovo e colesterol: pesquisa quebra tabu. Brasilnews 2001 abr [citada 2006 mar]. Disponível em: http:// www.brasilnews.com.br.

Vorster HH, Beynen AC, Berger GM, Venter CS (1995). Dietary cholesterol – the role of eggs in the prudent diet. S. Afr. Med. J. 85(4):253-256.

Sociedade Brasileira de Cardiologia- Projeto Diretrizes . Disponível em : http://projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/040.pdf. Acesso em 10 de março de 2010.