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Pequi
Saúde & Qualidade de Vida - Curiosidades

Etimologicamente, o pequi, árvore nativa e símbolo do cerrado brasileiro, também conhecido popularmente como "Piqui", "Piquiá", "Pequerim", "Amêndoa-de-espinho", "Almendro", "Barbasco", "Grão-de-cavalo", "Suari", tem sua origem no tupi, onde py significa casca e qui corresponde a espinho, originando casca espinhosa, possivelmente devido ao caroço do fruto ser revestido por finos espinhos (Brasil, 1985). É uma fruta comum nos cerrados brasileiros (Araújo, 1994). Estende-se por uma faixa territorial que vai da Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e até Tocantins (Almeida & Silva, 1994).

O fruto de pequi é consumido pelas populações que habitam as regiões onde são produzidos. O Estado de Minas Gerais (MG) é o principal produtor e consumidor do pequi, sendo que, no ano de 2003, foram comercializados aproximadamente 20.000kg de pequi.

O pequi é uma planta arbórea que pertence ao gênero Caryocar, família Caryocaraceae (Barradas, 1972). Esta família exclusivamente neotropical possui 23 espécies em dois gêneros, Caryocar L. e Anthodiscus G. Mey. A família se estende da Costa Rica ao sul do Brasil e Paraguai, sendo a maioria das suas espécies importante por sua madeira, frutos e sementes (Barradas, 1972, Prance & Silva, 1973). No Brasil, ocorrem pelo menos oito espécies do gênero Caryocar, a maioria de porte alto e compondo a vegetação da floresta amazônica. Duas espécies se destacam fora dos limites da floresta tropical úmida da Amazônia, a C. coriaceum Wittim., encontrada nos campos do Nordeste e a C. brasiliense Camb., encontrada entre as espécies de maior incidência no Brasil Central, constituindo-se como típica da paisagem dos cerrados.

O fruto do pequizeiro é globoso, o mesocarpo interno e a amêndoa são as porções consumidas do pequi. O primeiro, cozido, normalmente com outros pratos, como o arroz e o segundo, a amêndoa, assada, depois do aproveitamento do mesocarpo interno (Vilas Boas, 2004).

Suas flores servem de alimento para diversos animais do cerrado, como a paca e o veado campeiro e mateiro, o que faz dos locais de queda das flores ponto de espera de caçadores (Ribeiro, 2000).

O pequi é um fruto encontrado em regiões onde as árvores recebem alta incidência de raios solares, o que favorece a geração de radicais livres, além do que, tanto a polpa quanto a amêndoa do pequi são ricas em lipídios. Essas condições favorecem a biossíntese de compostos secundários com propriedades antioxidantes (compostos fenólicos e carotenóides totais).

De modo geral, a sua floração ocorre de agosto a novembro, coincidindo com o período das chuvas e a frutificação, de novembro a fevereiro (Almeida et al.,1998). Esses eventos podem variar em épocas diferentes, dependendo da região.

A qualidade dos frutos depende, além de outros fatores, do estádio de maturação por ocasião da colheita, o qual influencia muito na vida útil pós-colheita. Colheitas realizadas antes que os frutos atinjam completa maturação fisiológica, prejudicam o processo de amadurecimento, afetando a sua qualidade. Por outro lado, colheita de frutos totalmente maduros reduz a vida útil, dificulta o manuseio e transporte, devido sua baixa resistência física, causando perdas quantitativas e qualitativas (Chitarra & Chitarra, 1990).

A polpa do pequi é utilizada na elaboração de diferentes pratos, como: arroz com pequi, feijão com pequi, frango com pequi, cuscuz com pequi e o tradicional baião de três: arroz, feijão e pequi, o licor de pequi tem fama nacional. Já a amêndoa é utilizada como ingrediente de farofas, doces e paçocas, além de ser consumida salgada como petisco.

Sua madeira é bastante resistente (Laboriau, 1966), sendo usada em casos que se exige uma alta durabilidade, como no uso de estacas, pilares, mourões, dormentes e pilões (Brasil, 1985). Devido aos altos teores de taninos nas folhas e casca, essas vem sendo utilizadas como matéria-prima na fabricação de tinturas. Há também registros de usos no tingimento de vários produtos como, couro, lã, algodão, representando corantes amarelos de excelente qualidade (Brasil, 1985; Silva Filho, 1992).

É ainda utilizado na fabricação de cremes e sabonetes. Silva (1994), estudando as propriedades cosméticas do óleo do fruto do pequi, encontrou um componente natural da emulsão epicutânea, ou seja, rico em ácido oléico e também em betacaroteno (pró-vitamina A), os quais têm funções de absorver radiação ultravioleta e estão associados à ação anti-radicais livres. Como uso medicinal, o óleo da polpa tem efeito tonificante, sendo usados contra bronquites, gripes e resfriados e no controle de tumores. O chá das folhas é tido como regulador do fluxo menstrual. (Almeida et. al. 1994).

A polpa do fruto de pequi é rica em lipídios (33,4%). Também se constitui em uma fonte importante de fibra alimentar (10,02%) e um teor de 3% de proteínas, fornecendo cerca de 358Kcal/100g de material, as quais correspondem a 18% das necessidades calóricas de um adulto com uma dieta de 2.000Kcal e 40% das necessidades de fibra alimentar (Brasil, 2003). Possui ainda 209mg/100g de fenólicos totais, valores superiores aos encontrados na maioria das polpas de frutas consumidas no Brasil, como: Açaí, com 136,8mg/100g; e morango, com 132,1mg/100g; por exemplo, sendo inferior apenas à acerola, com 580,1mg/100g, e à manga, com 544mg/100g.

Esses resultados indicam que a polpa do pequi é um alimento com elevada capacidade antioxidante, demonstrando a correlação existente entre a quantidade de fenólicos totais e a proteção antioxidante (Kuskoski et al., 2005).

A literatura apresenta teores elevados de carotenóides totais para o pequizeiro, 286,65 μg/g em polpa in natura (Ramos, 1987) e 231,09 e 154,06 μg/g em polpa crua e cozida, respectivamente (Ramos et al., 2001).

Estudos mostraram que, na polpa e na amêndoa do pequi, os lipídios são os constituintes predominantes, prevalecendo nestes os ácidos graxos oléico e palmítico. Na polpa, também se detectam um teor elevado de fibra alimentar e a presença de compostos fenólicos e carotenóides totais, os quais estão associados à prevenção de processos oxidativos, concluindo que o óleo de pequi, além de possuir várias propriedades nutricionais, apresentou efeitos antioxidantes e cardiovasculares protetores.

Carotenóides (mg/100g) Vitaminas (mg/100g)

Pró-vitamina A

Licopeno

Totais

C

B1

B2

B3

6,26 a 11,5

1,12 a 2,08

6,75 a 28,66

70,9 a 105

0,03

0,463

0,388

Micronutrientes

Ca (mg/100g)

P (mg/100g)

Mg (mg/100g)

K (mg/100g)

Na (mg/100g)

Fe (mg/100g)

Cu (mg/100g)

50 a 60

1,7 a 2,1

0,13

1,34

2,1

0,83 a 1,6

0,24 a 0,4


Fontes: Almeida e Silva, 1994; Araújo, 1995; Almeida, 1998; Ramos ET. AL., 2001; Barbosa e Amante, 2005; Santos ET. AL., 2005; Oliveira, 2008; Boletim informativo UFMG, no 1511, 2005; Almeida ET. AL., 2008.

Curiosidade: A árvore é protegida por lei (Portaria N° 54, de 05/03/1987 - IBDF - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), o que impede o seu corte e comercialização em todo território nacional.

Referências:

Villas boas, E. V. B.; CARACTERIZAÇÃO DE E AGREGAÇÃO DE VALORES A FRUTOS DO CERRADO: PEQUI (Caryocar brasiliense Camb.), MAROLO (Annona crassiflora Mart)., GABIROBA (Campomanesia xanthocarpa) E PITAIA (“SABOROSA”- Selenicereus setaceus Rizz.). Programa Pesquisador Mineiro (PPM); Lavras – Minas Gerais; ABRIL/2009.

Lima, A.; Silva, A. O.; Trindade, R.A.; Torres, R. P.; Filho, J. M.;COMPOSIÇÃO QUÍMICA E COMPOSTOS BIOATIVOS PRESENTES NA POLPA E NA AMÊNDOA DO PEQUI (Caryocar brasiliense, Camb.) Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal - SP, v. 29, n. 3, p. 695-698, Dezembro 2007

Oliveira, M.N.S.; Gusmão, E.; Lopes, P.S.N., Simões, M.O,M.; Ribeiro, L.M.; Dias, B.A.S.; ESTÁDIO DE MATURAÇÃO DOS FRUTOS E FATORES RELACIONADOS AOS ASPECTOS NUTRITIVOS E DE TEXTURA DA POLPA DE PEQUI (Caryocar brasiliense Camb.). Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal - SP, v. 28, n. 3, p. 380-386, Dezembro 2006.

Roesler, R.; Malta, L. G.; Carrasco, L. C., Holanda, R. B.; Souza, C. A. S., Pastore, G. M. Atividade antioxidante de frutas do cerrado. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 27(1): 53-60, jan.-mar. 2007

Miranda-Vilela, A. L.; Avaliação dos efeitos antigenotóxicos, antioxidantes e farmacológicos de extrato de polpa do fruto do pequi (Caryocar brasiliense CAMB). Brasília-DF/2009. (Tese apresentada ao programa de pós-graduação em Biologia Animal no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília como requisito parcial para a obtenção do título de Doutor.)