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Tecido Adiposo Como Órgão Endócrino
Saúde & Qualidade de Vida - Curiosidades

O tecido adiposo é considerado o mais importante órgão de armazenamento de energia do organismo humano. O excesso de energia consumido é convertido em moléculas de triacilgliceróis sob ação do hormônio insulina, enquanto que na situação de restrição energética os estoques de energia são rapidamente mobilizados sob a influência das catecolaminas e outros hormônios lipolíticos (Guimarães e col, 2007).

Até pouco mais de uma década acreditava-se que o tecido adiposo era um compartimento inerte do corpo, responsável por um gasto energético inexpressivo e que tinha basicamente a função de armazenar energia. Atualmente, no entanto, sabe-se que trata-se de um complexo reservatório energético regulado funcionalmente por nervos, hormônios, nutrientes, por mecanismos autócrinos e parácrinos. Além disso, sabe-se que o tecido adiposo é considerado um importante órgão endócrino com funções reguladoras no balanço energético e outras funções neuroendócrinas (Frülhbeck e col, 2001).

O tecido adiposo pode ser divido em 2 tipos:

Tecido adiposo unilocular

Sua célula se dispõe de uma única goticula de lipídio, que ocupa quase todo o espaço celular formando um grande vacúolo. Sua cor varia entre o branco e o amarelo-escuro. Forma uma camada de gordura disposta sob a pele; no recém nascido é de espessura uniforme, já em adultos o acúmulo é em determinadas posições, sendo a distribuição regulada por hormônios. O principal lipídio armazenado é o triglicerídeo.

O tecido adiposo branco é responsável pela maior parte da produção de hormônios.

Tecido adiposo multilocular

Suas células contêm várias gotículas de gordura, possui vários vacúolos de gordura e várias mitocôndrias. Sua cor castanha é devido à vascularização abundante e às numerosas mitocôndrias, que fazem gerar energia mais rápido que o tecido unilocular. Localiza-se em áreas determinadas, encontrados em grande quantidade em animais hibernantes e em recém nascidos. Tem como principal função gerar calor.
Secreção de adipocinas

O conceito de que os adipócitos são células secretárias surgiu nos últimos anos. Os adipócitos sintetizam e liberam uma variedade de peptídeos e não-peptídeos, bem como expressam outros fatores além de sua capacidade de depositar e mobilizar triglicerídeos, retinóides e colesterol. Estas propriedades permitem uma interação do tecido adiposo com outros órgãos, bem como com outras células adiposas. A observação importante de que os adipócitos secretam leptina como o produto do gene ob estabeleceu o tecido adiposo como um órgão endócrino que se comunica com o sistema nervoso central (Wajchenberg, 2000).

O tecido adiposo, enquanto órgão secretor, pode apresentar distintas peculiaridades, entre elas (Guimarães e col, 2007)

1) constitui tecido de ampla e variada distribuição orgânica, cuja característica compartimentalização, nem sempre apresenta conexão entre si. O(s) mecanismo(s) envolvido(s) com a atividade secretora dos adipócitos permanece(m) sob investigação, existindo dúvidas acerca dos processos humoral e/ou neural relacionados;

2) adipócitos maduros, pré-adipócitos, fibroblastos e macrófagos, representam os diferentes tipos de células que constituem o tecido adiposo e participam da sua função endócrina;

3) a capacidade metabólica do tecido adiposo varia em função da sua localização, subcutânea ou visceral, podendo contribuir de forma mais ou menos intensa para a secreção de adipocitocinas específicas.

O quadro abaixo, apresenta as principais adipocinas secretadas pelo tecido adiposo:

Adipocina

Função/efeito

Adinopectina

Influência na sensibilização insulínica e propriedades anti-aterogênicas

Angiotensinogênio

Percussor da angiotensina II, regulador da pressão sanguínea e influência na adiposidade.

Proteína estimuladora de ascilação

Influência na síntese de triacilglicerol no tecido adiposo

Interleucina 6

Mediador do processo inflamatório e influência no metabolismo lipídico

Leptina

Sinalização cerebral do estoque de gordura corporal, influência na sensibilização insulínica, regulação do apetite e gasto energético.

Inibidor de ativador de plasminogênio I

Potente inibidor do sistema de fibrinólise

Resistina

Influência no desenvolvimento à Resistência insulínica

Fator de necrose tumoral

Interferência na sinalização insulínica e possível causa da Resistência à insulina na obesidade

 

Dessa forma, devemos levar em conta de que o tecido adiposo é um órgão complexo capaz de exercer funções que até pouco tempo atrás eram desconhecidas. Isso o torna um tecido de grande importância na homeostase energética corporal.

Referências Bibliográficas

 J. Soares Fortunato, Carmen Brás Silva e Maria José Pinheiro, Tecido adiposo como Glândula Endócrina, arq. Brás Endocrim e met., vol 44 n1 fev 2000.

Guimarães e col, Adipocitocinas: uma nova visão do tecido adiposo, Rev. Nutr., Campinas, 20(5):549-559, set./out., 2007.
Romero, Carla Eduarda Machado e Zanesco, Angelina. O papel dos hormônios leptina e grelina na gênese da obesidade. Rev. Nutr., jan./fev. 2006, vol.19, no 1, p.85-91. ISSN 1415-5273.

Frülhbeck, G., Gomez-Ambrozi,J; Muruzábel, F. J & Burrell, M. A. (2001) The adipocyte: model for integration of endocrine and metabolic signaling in energy and metabolic regulation. Am. J.Physiol Endocrinol Metab., 280: E827 – E847.