
Alimentos Transgênicos
Saúde & Qualidade de Vida - CuriosidadesO que é Alimento Transgênico?
Os genes presentes no núcleo das células que contêm todas as informações necessárias à vida, é chamado de código genético. A engenharia genética permite transferir um gene de um organismo para outro, podendo ser da mesma espécie, ou não.Os alimentos transgênicos são aqueles que tiveram introduzido entre seus genes um novo gene ou fragmento de DNA, pelo processo de DNA recombinante ou engenharia genética.
Princípio da Engenharia Genética
A partir da década de 60, surgiu a engenharia genética ou tecnologia do DNA recombinante, com técnicas que permitem a manipulação do ácido desoxirribonucléico (DNA).
Os primeiros vegetais transgênicos começaram a ser liberados para o plantio em meados da década de 80. O Brasil promoveu cerca de 800 liberações para testes de plantas transgênicas desde 1996.
- Em 1984, surgiram os primeiros vegetais transgênicos.
- Em 1986, o tomate recebeu genes bacterianos.
- Em 1989, o milho, o tomate e o fumo receberam genes de uma bactéria entomopatogenênica, o Bacillus thurigiensis.
Alimentos Transgênicos na Saúde
A tecnologia do DNA recombinante permite a transferência específica de novos genes para uma planta, alterando, portanto, a sua composição. Essa alteração envolve efeitos intencionais, relacionados à característica do gene introduzido, e efeitos não intencionais, decorrentes dessa inserção ou da manipulação genética conduzida.
Os riscos potenciais estão, portanto, associados ao novo DNA introduzido, ao produto de expressão desse DNA (proteína) ou a efeitos não intencionais. A simples ingestão de DNA adicional não é considerada perigosa, já que o DNA/RNA são ingeridos normalmente através de dietas. Essas proteínas formadas nos alimentos transgênicos é que podem ser tóxicas, ter ação anti nutricional ou causar algumas mudanças no valor nutricional do alimento (Lajolo, Nutti, 2003).
Um outro fator é que a inserção de um DNA nos cromossomos pode alterar a expressão de outro gene, produzindo possivelmente uma substância indesejável (Lajolo, Nutti, 2003).
Finalidade dos Transgênicos
As pesquisas com transgênicos visam, principalmente, o enriquecimento dos produtos, como a soja transgênica com alta composição em gordura. Na Ásia, estuda-se a agregação de vitaminas A e E no arroz, já que há uma deficiência destas na população. As pesquisas têm sido intensas: criação de óleo com maior nível de estearato, que tornaria a margarina e seus derivados mais saudáveis; tomate com maio teor de licopeno, entre outras.
No Brasil, vêm-se testando genes para melhoramento do milho, principalmente para controle de insetos. O objetivo é reduzir as mitoxinas e fungos que atacam a plantação.
Na tentativa de evitar a passagem de genes de organismos transgênicos para as bactérias existentes na natureza, procura-se desenvolver mecanismos que eliminem ou reduzam significamente a entrada destes genes modificados nos sistemas biológicos naturais. Além disso, pode ocorrer a liberação do material genético do organismo geneticamente modificado (OGM) para o ambiente, após a lise celular. Para evitar que isso ocorra tem-se estudado a utilização de nucleases, enzimas capazes de degradar diretamente o material genético.
Outro fator a ser levado em conta é a falta de estudos em nutrição experimental com alimentos transgênicos a fim de averiguar ou descartar prováveis riscos à saúde dos consumidores (Pessoa, et al, 2001).
Legislação dos Transgênicos
É ainda muito polêmica a liberação comercial dos alimentos transgênicos. Não se trata de opção gastronômica ou nutricional. Mesmo que estes alimentos não trouxessem nenhum risco à saúde, ainda assim, existem aspectos éticos e ambientais que podem influenciar a decisão do consumidor (Pessoa, et al, 2001).
À medida que a discussão sobre alimentos transgênicos é intensificada, aumenta a tendência de distinguir pela rotulagem, alimentos geneticamenbte modificados daqueles que não o são. Alimentos que contêm ingredientes geneticamente modificados em níveis acima do permitido devem ser rotulados como "geneticamente modificados" (ERICKSON, 200).
No Brasil
O decreto n° 3.871, de 18 de julho de 2001 (BRASIL, 2001), estabelece que deverão ser rotulados os alimentos embalados, destinados ao consumo humano, que contenham ou sejam produzidos com organismos geneticamente modificados, cuja presença seja superior a 4% do produto. É importante ressaltar que esse limite se refere à presença não intencional de organismo geneticamente modificado. Para alimentos constituídos de mais de um ingrediente, o nível de intolerância estabelecido será aplicado para cada um dos ingredientes considerados na composição do alimento.
O rótulo deverá apresentar a expressão "(tipo do produto) geneticamente modificado" ou "contém (tipo de ingrediente) geneticamente modificado" (LAJOLO, NUTTI, 2003).
A Comissão Técnica de Biossegurança (CTNBio), criada no âmbito do Ministério da Ciência e Tecnologia, é multidisciplinar, tem a finalidade de prestar apoio técnico consultivo e de assessoramento ao governo federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa a OGM. Também é de responsabilidade da CTNBio o estabelecimento de normas técnicas de segurança e de pareceres técnicos conclusivos referentes à proteção humana, dos organismos vivos e do meio ambiente (CTNBio, 2002).
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
BRASIL. Decreto n. 3.871, de 18 de julho de 2001. Disciplina a rotulagem de alimentos embalados que contenham ou sejam produzidos com organismos geneticamente modificados, e dá outras providências. Diário oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 19 abr. Seção I-E, p 1.
CTNBIO. Comissão Técnica Nacional de Biossegurança. Disponível em: http://www.ctnbio.gov.br/ctnbio/Sistema/LIBERACOESogm.asp.
ERICKSON, B. E. Detecting genetically modified products in food. Analytical Chemistry, v. 72, p 454A 459A, 2000.
LAJOLO, F. M.; NUTTI, M. R. Transgênicos: bases científicas da sua segurança. SBAN. São Paulo, 2003.