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Alimentação X Acne
Saúde & Qualidade de Vida - Estética

A acne é uma dermatose inflamatória que se desenvolve nos folículos pilossebáceos, freqüente na adolescência, que não compromete gravemente a saúde do indivíduo, mas frequentemente prejudica o seu bem-estar e desenvolvimento emocional e social. Vários autores solidificaram tais conceitos e ainda afirmaram que o número de casos em mulheres adultas vem aumentando, seja naqueles que persistem desde a adolescência, seja naqueles em que há o surgimento tardio da doença (TEIXEIRA e FRANÇA, 2007).

As manifestações da doença (conhecida como cravos e espinhas) ocorrem devido ao aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilossebáceo, dando origem aos comedões abertos (cravos pretos) e fechados (cravos brancos). Estas condições favorecem a proliferação de microorganismos que provocam a inflamação característica das espinhas, sendo o Propionibacterium acnes o agente infeccioso mais comumente envolvido. (dermatologia).

Segundo Sampaio e Rivitti, a acne é classificada clinicamente em quatro níveis: Grau I, a forma mais leve de acne, não inflamatória ou comedoniana, caracterizada pela presença de comedões (cravos) fechados e comedões abertos; Grau II, acne inflamatória ou pápulo-pustulosa, onde, aos comedões, se associam as pápulas (lesões sólidas) e pústulas (lesões líquidas de conteúdo purulento); Grau III, acne nódulo-abscedante, quando se somam os nódulos (lesões sólidas mais exuberantes); e Grau IV, acne conglobata, na qual há formação de abscessos e fístulas (TEIXEIRA e FRANÇA, 2007).

O quadro clínico na mulher adulta é caracterizado pelo predomínio das formas leves de acne, de localização mais freqüente na região perioral, na mandíbula e no pescoço, diferindo da forma vulgar do adolescente, em que as lesões são mais freqüentes em regiões malares e na fronte (TEIXEIRA e FRANÇA, 2007).

Vários estudos referentes à possível relação entre alimentação e acne estão sendo realizados, porém, o impacto da genética e os impactos ambientais, hormonais e psicológicos, que apresentam influências diretas sob o aparecimento da acne, ainda mascaram os resultados dos estudos.

Um estudo realizado por Wolf e col. (2004) mostrou que não há como associar a relação entre acne e dieta já que outros fatores, principalmente os genéticos, influenciam os resultados das pesquisas. Este mesmo estudo também mostrou que não há relação entre aumento de IMC e o aparecimento de acne.

De acordo com o mesmo autor, ainda há dados insuficientes que possam comprovar que uma dieta rica em gordura ou carboidratos possa interferir na quantidade e na composição da secreção formada pelas glândulas sebáceas, o que poderia influenciar no aparecimento da acne. E ainda, diversos estudos analisados pelo mesmo autor, não mostraram relação entre o aumento do consumo de chocolate e o aparecimento de qualquer tipo de alterações na pele.

Outro estudo realizado por Schaefer apud in Wolf e col.2004, mostrou um aumento no aparecimento de acne em indivíduos que mudaram seus hábitos alimentares tradicionais por conta do desenvolvimento e da influência da vida moderna.

Um estudo realizado por Smith (2007) mostrou que a ingestão alimentar pode alterar os parâmetros bioquímicos e endócrinos que são associados com metabolismo de acne, e que mudanças dietéticas contribuíram para a melhora do quadro clínico dos indivíduos estudados.

Segundo Danby, 2008, a acne é causada pela ação de dihidrotestosterona que é um produto da testosterona e também é encontrado em alimentos como leite e carnes. Portanto, para os indivíduos que sofrem de acne, excluir o leite e seus derivados da sua rotina alimentar é uma parte essencial do tratamento da acne. A lista inclui queijo, manteiga, sorvete, ricota, creme e todas as formas de leite e proteína de soro de leite, inclusive os suplementos em pó.

Outra relação encontrada neste estudo é o aumento de alimentos fonte de carboidrato e o aparecimento da acne. As elevações de glicose do plasma ocorrem em conseqüência da ingestão de uma carga significativa de glicose, e estas elevações podem causar um aumento da testosterona e uma diminuição dos hormônios sexuais, envolvidos no controle da secreção das glândulas sebáceas.

Porém, o autor ressalta que, deve-se ter muita cautela antes de restringir o leite e os carboidratos da dieta. Uma avaliação individual é importante, assim como a manutenção de uma dieta equilibrada e a administração dos medicamentos recomendados pelo dermatologista.

  Podemos concluir que ainda há necessidade de mais estudos sobre o assunto, e que uma avaliação dos hábitos alimentares individuais, assim como a adequação dietética e orientações para uma dieta saudável e equilibrada é fundamental para o tratamento da acne.

Referências Bibliográficas:

TEIXEIRA, M.A.C; FRANÇA, E.R. Mulheres adultas com acne: aspectos comportamentais, perfis hormonal e ultrasonográfico ovariano.  Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v.7, n.1, p.39-44 2007.

SMITH, R.N; MANN; N.J;, BRAUE, A; MAKELAINEN, H; VARIGOS, G.A. The effectof a high-protein, low glycemic-load diet versus a conventional, high glycemic-load diet on biochemical parameters associated with acne vulgaris: a randomized, investigator-masked, controlled trial. Journal American Academic Dermatology, v.57, p.247-56, 2007.

WOLF, R; MATZ, H; ORION, E. Acne e Diet. Clinics in Dermatology, n.22, p. 387–393, 2004.

Dermatologia. Acesso em 18 de dezembro de 2008. Disponível em http://www.dermatologia.net/.

DANBY, F.W. Diet and acne. Clinics in Dermatology, v.26, p.93–96, 2008.

SCHAEFER, O. When the Eskimo comes to town. Nutr Today, v.6, p.8 –16, 1971.