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Dia Nacional do Idoso: Implicações Nutricionais da Melhor Idade
Saúde & Qualidade de Vida - Idosos

O Dia Nacional do Idoso foi definido pela Comissão de Educação do Senado Federal em 1999 com o objetivo de se levantar questões a respeito da situação do idoso no país, seus direitos e dificuldades. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a população está ficando cada vez mais velha e, estima-se que pela primeira vez na história, haverá mais idosos do que crianças no mundo nos próximos 25 anos.

A busca pela qualidade de vida aliada ao avanço da medicina são as principais razões do aumento da expectativa de vida no mundo. O Brasil tem hoje cerca de 13,5 milhões de idosos representando 8% de sua população. A expectativa é que para os próximos 20 anos, o país seja o sexto no mundo com o maior número de pessoas idosas.

O tema "idoso" tem aparecido constantemente na mídia brasileira. O motivo desse espaço é a expressiva ampliação da população idosa e a conseqüente transformação que se opera no interior da sociedade. Uma das grandes conquistas do século XX, a longevidade, é um fenômeno mundial e, juntamente com a queda da fecundidade, ocasiona um drástico envelhecimento na população do planeta. Este processo começou em épocas distintas, em países diferentes, e evolui em proporções variadas. No Brasil, os efeitos são ainda maiores em razão do pequeno período de tempo em que vem ocorrendo (Veras e Parahyba, 2007).

Qualidade de Vida do Idoso

A qualidade de vida dos idosos está relacionada à possibilidade de se cumprir funções diárias básicas adequadamente, se sentir bem e viver de forma independente (Scattolin et al, 2007).

Sabe-se que o processo de envelhecimento coincide com uma redução progressiva dos tecidos ativos do organismo, perda da sua capacidade funcional e modificação das funções metabólicas. Nessas características biológicas e funcionais se agregam a pobreza, o analfabetismo, a cultura, a solidão e a série de enfermidades crônicas não-transmissíveis como o diabetes mellitus, a hipertensão arterial, o infarto agudo do miocárdio e os acidentes cérebro-vasculares que se associam direta ou indiretamente com a quantidade e qualidade de alimentos consumidos (Spinola et al, 1994).

Na medida em que mais pessoas vivem até idade bem avançada, aumenta a prevalência de doenças em que a idade é fator de risco, como por exemplo, as doenças cardiovasculares. Associado ao fator idade, percebe-se um alto índice de obesidade, sendo necessário maior monitoramento do estado nutricional nessa faixa etária (Guedes et al, 2007).

Aspectos nutricionais dos idosos

De acordo com Tirapegui (2000), o envelhecimento é caracterizado por uma série de modificações fisiológicas e psicológicas que estão relacionadas, por sua vez, com alterações no estado nutricional.

Além de todas as alterações fisiológicas do envelhecimento, o organismo do idoso sofre alterações decorrentes do uso freqüente de diferentes medicamentos que podem influenciar no consumo de alimentos, na digestão, na absorção e na utilização de diversos nutrientes, o que pode comprometer o estado de saúde e a necessidade nutricional do indivíduo idoso. Por isso, diversos estudos têm apontado deficiência de energia, vitaminas e minerais em pessoas acima de 65 anos, que residem em asilos ou domicílios, fato atribuído aos fatores socioeconômicos e às doenças presentes, além de alterações no modo de vida e nos hábitos alimentares (Campos et al, 2000).

Diante deste fato, o profissional nutricionista deve adotar condutas com intuito de proporcionar ao idoso maior prazer nas refeições e ainda minimizar possíveis alterações do estado nutricional, diminuindo as chances de adquirir em doenças crônicas.

Segundo (Campos et al, 2000, algumas estratégias nutricionais devem ser adotadas quando se trabalha com idosos:

- Servir as refeições em local agradável (limpo, arejado, de preferência de cor clara, com piso não-derrapante, com mobiliário adequado e com espaço livre para facilitar a circulação das pessoas);
- Sentar o idoso confortavelmente à mesa em companhia de outras pessoas (familiares, amigos, dentre outras pessoas)
- Disciplinar e fracionar o consumo de alimentos estabelecendo horários (oferecendo refeições menos volumosas mais vezes ao dia)
- Oferecer a eles refeições atrativas (combinar, de acordo com as recomendações para a faixa etária, alimentos construtores, energéticos e reguladores, oferecendo refeições coloridas) e saborosas (usar temperos naturais como alho, cebola, cebolinha, cheiro verde, salsa, orégano e outros, evitando, assim, o abuso do sal);
- Promover um contraste de cor entre os utensílios e o forro da mesa, melhoram o estado de ânimo do idoso, influenciando, positivamente o seu apetite.

Dessa forma, uma alimentação adequada aliada à hábitos de vida saudáveis é uma garantia de qualidade de vida para idosos e pode contribuir diretamente na prevenção de doenças e a melhores condições de vida.

Referências Bibliográfica


Renato Veras; Maria Isabel Parahyba. O anacronismo dos modelos assistenciais para os idosos na área da saúde: desafios para o setor privado Cad. Saúde Pública v.23 n.10 Rio de Janeiro out. 2007.
Fátima Ayres de Araújo Scattolin; Maria José D'Elboux Diogo; Roberta Cunha Rodrigues Colombo Correlação entre instrumentos de qualidade de vida relacionada à saúde e independência funcional em idosos com insuficiência cardíaca Cad. Saúde Pública v.23 n.11 Rio de Janeiro nov. 2007

Myrian Spinola Najas, Rosemarie Andreazza, Ana Lucia Medeiros de Souza, Anita Sachs, Ana Cristina B.Padrão alimentar de idosos de diferentes estratos socioeconômicos residentes em localidade urbana da região sudeste, Brasil Rev. Saúde Pública v.28 n.3 São Paulo jun. 1994

Guedes, Lilian Ramos Sampaio, Luiz Roberto Ramos, Eliete Salomon Tudisco Perfil lipídico da dieta alimentar como fator de risco para doenças cardiovasculares em idosas ativasRev. Bras. Geriatr. Gerontol. v.10 n.2 Rio de Janeiro  2007

Tirapegui J. Nutrição: fundamentos e aspectos atuais. São Paulo: Atheneu, 2000. 284p

Campos, Maria Teresa Fialho de Sousa, Monteiro, Josefina Bressan Resende e Ornelas, Ana Paula Rodrigues de Castro Rev. Nutr., set./dez. 2000, vol.13, no.3, p.157-165. ISSN 1415-5273.