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Obesidade em Mulheres
Saúde & Qualidade de Vida - Mulheres

Podemos definir a obesidade de uma forma simplificada, como o acúmulo excessivo de gordura corporal em extensão tal, que acarreta prejuízos à saúde dos indivíduos, tais como dificuldades respiratórias, problemas dermatológicos e distúrbios do aparelho locomotor, além de favorecer o surgimento de enfermidades potencialmente letais como dislipidemias, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer (MONTEIRO; CONDE, 1999; PINHEIRO; FREITAS; CORSO, 2004).

 

Informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que a obesidade já atinge 7% da população mundial e o sobrepeso cerca de 14 a 20%.

Alguns estudos mostram que a obesidade é mais comum nas mulheres do que nos homens, nas negras do que nas brancas, nas pobres do que nas ricas (Mahan, 1998). Segundo estudo recente, em uma amostra de 1935 adultos residentes em Pelotas a prevalência de obesidade abdominal era de 62% em mulheres e 37% em homens (OLINTO et al, 2006).

Uma das hipóteses levantadas para se entender este quadro seria que quanto maior o número de filhos, maiores são as chances de uma mulher desenvolver obesidade. Dentro dessa perspectiva, diversos estudos tem apontado uma estreita relação entre paridade e excesso de peso em diversas populações (ARROYO et al, 1995; BROWN; KAYE; FOLSON, 1992; HELIOVARA; AROMAA, 1981).

Sendo assim, alguns parâmetros têm sido utilizados para se identificar os riscos de obesidade e suas complicações. Dentre os mais utilizados está a razão cintura/quadril (RCQ) que tem por objetivo investigar a relação entre distribuição de gordura regional e distúrbios metabólicos. Por outro lado, diversos estudos têm apontado que a circunferência da cintura (CC) isolada está mais associada à quantidade de gordura abdominal e mais relacionada com distúrbios metabólicos do que a RCQ.

Para a formulação de estratégias de prevenção da obesidade é necessário considerar que se trata de uma patologia multicausal, onde os fatores individuais como genética, sexo e idade, e os fatores ambientais e psicossociais têm um peso muito importante. O fracasso no tratamento da obesidade é constante, principalmente pela dificuldade de eliminar hábitos alimentares adquiridos desde a infância. Nas melhores circunstâncias, sabe-se que existe uma recaída em 95% dos casos, no período de 5 anos (JURY, 1999).

Cuidados com a Alimentação

A vida globalizada moderna traz consigo alimentos mais calóricos, pobres em fibras e de alto índice glicêmico, que, somados ao sedentarismo, contribuem para que a epidemia do excesso de peso cresça a cada dia, atingindo países ricos ou em desenvolvimento (CAI; WEI, 1996; MONTEIRO et al, 2005).

A inclusão de alimentos que reduzam a fome e aumentem a saciedade é fundamental e contribui para a perda e manutenção do peso corporal. Alguns estudos vêm examinando o efeito de dietas ricas em proteínas na perda de peso e no apetite, por causa das evidências de que esta dieta possa promover uma saciedade por mais tempo que dietas ricas em carboidratos e gorduras (I DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SINDROME METABÓLICA, 2005).

Ainda, alguns alimentos vêm demonstrando seu potencial benefício para o controle de peso e para saúde da mulher.

Cereais Integrais

Alguns estudos sugerem que os alimentos à base de cereais integrais podem contribuir para o controle do peso. A análise de um grupo de 75 mil mulheres constatou que aquelas que consumiam cereais integrais ganhavam menos peso ao longo do tempo e tendiam a ter um índice de massa corporal (IMC) menor (LIU et al, 2003).

Vários estudos de observação demonstraram que um desjejum corretamente balanceado contribuiu para um peso corporal saudável e para uma redução no consumo de gorduras durante o dia. Mulheres que consomem cereais mais de sete vezes no intervalo de duas semanas, por exemplo, pesam em média 3,7 kg a menos que as mulheres que consomem com menos freqüência (TOBELMAN et al, 2001).

Em resumo, a ingestão de cereais integrais pode representar um importante passo no auxílio do controle do peso corporal e na diminuição da tendência de sobrepeso e obesidade.

Soja – Isoflavonas

Alguns ensaios clínicos, que utilizaram bebidas ou alimentos à base de soja, em substituição à dieta convencional, mostraram, tanto em animais, quanto em humanos, redução do peso corporal (ANDRESON; HOIE, 2005).

Ainda, a soja contém uma substância chamada isoflavona que apresenta uma estrutura química muito semelhante à do estrógeno humano (hormônio feminino). Por esse motivo é também chamada de fitoestrógeno. As isoflavonas possuem uma ação mais suave, de 1.000 a 100.000 vezes menor que o estrógeno, por isso quando absorvidas pelo organismo, atuam como estrógenos fracos e funcionam como reguladoras, pois são capaz de suprir a falta de estrógeno, prevenindo os problemas relacionados a esta carência (sintomas de menopausa, osteoporose, doenças cardiovasculares, etc.) e também reduzir o excesso desse hormônio, pois competem com ele pelos receptores (local de entrada) nas células. Com isso, inibem o crescimento celular e a proliferação de tumores induzidos pelo estrogênio humano.

DICAS DE COMO COLOCAR MAIS SOJA E CERAIS INTEGRAIS NA ROTINA ALIMENTAR

  1. Enriqueça o iogurte natural com soja;
  2. Inclua nas saladas e como acompanhamento de pães o queijo de soja;
  3. Utilize o leite de soja para preparar sucos de frutas;
  4. Enriqueça o feijão convencional, misturando-o ao grão de soja;
  5. Prepare as saladas com grão de soja;
  6. Inclua em seu cardápio como prato principal carnes feitas à base de proteína texturizada de soja como: almôndega de soja, kibe de soja e hambúrguer de soja;
  7. Para aperitivos, opte por soja torrada aromatizada e
  8. Substituir os alimentos feitos com farinha branca pelos alimentos feitos com farinha integral: macarrão, pães, biscoito e cereais integrais.

 

Referências Bibliográficas

ARROYO, P., AVILA-RORAS, H., FERNANDEZ, V., CASANUEVA, E., GALVÁN, D. Parity and the prevalence of overweight. Int J Gynecol Obstet,v 48, p 269-72, 1995.

BROWN, J.E., KAYE, S.A., FOLSON, A.R. Parity-related weight change in women. Int J Obes, v 16, p 627-31, 1992.

CAI, Q., WEI, H. Effect of dietary genistein on antioxidant enzyme activies in SENCAR mice. Nutr Cancer, v 25, p 1-7, 1996.

I DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SÍNDROME METABÓLICA. Arq Bras Cardiol, v 84, s 1, 2005.

Heliovara M, Aromaa A. Parity and obesity. J Epidemiol Community Health 1981;35:197-9.

MONTEIRO, C.A., CONDE, W.L. A tendência secular da obesidade segundo estratos sociais: nordeste e sudeste do Brasil, 1975-1989-1997. Arq Bras Endocrinol Metabol, v 43, n 3, p 186-94, 1999.

MONTEIRO, C.A., MOURA, E.C., CONDE, W.L., POPKIN, B.M. Socioeconomic status and obesity in adult populations of developing countries:a review. Bull World Health Organ, v 82, n 12, p 940-6, 2005

Olinto MTA, Nacul LC, Gigante DP, Costa JS, Menezes AM, Macedo S. Waist circumference as a determinant of hypertension and diabetes in Brazilian women: a population-based study. Public Health Nutr, 2004. 7(5): p. 629-35.

OLINTO, M.T.A., NACUL, L.C., DIAS-DA-COSTA, J.S., GIGANTE, D.P., MENEZES, A.M., MACEDO, S. [Intervetion levels for abdominal obesity:prevalence and associated factors]. Cad Saude Publica, v 22, n 6, p 1207-15, 2006.

PINHEIRO, A.R.O., FREITAS, S.F.T., CORSO, A.C.T. Uma abordagem epidemiológica da obesidade. Rev Nutr, v 17, n 4, p 523-533, 2004.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Obesity: preventing and managing and managing the global epidemic. Geneva:World Health Organization; 1997. (Report of a WHO Consultation on Obesity).