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Açúcar x Câncer
Saúde & Qualidade de Vida - Patologia & Nutrição

É sabido que dietas pobres em carboidratos complexos, vitaminas e minerais e ricas em gordura, principalmente a saturada e o colesterol, o açúcar e o sal, aliadas a um estilo de vida mais sedentário, podem promover o aumento de doenças ligadas à dieta como obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares, hipertensão, osteoporose e câncer (CARVALHO et al., 2006).

O padrão de alimentação do brasileiro vem mudando desde a década de 60. O consumo de legumes, verduras e frutas diminuiu, enquanto que a ingestão de gorduras e açúcares aumentou bastante, tornando a dieta do brasileiro cada vez mais calórica (WHO/FAO, 2002; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007).

Neste texto destacaremos o açúcar, pois é um alimento de alto valor energético, ainda que desprovido de outros nutrientes devido ao processo de refinamento a qual é submetido. Assim, o seu consumo garante aporte energético, porém não contribui para a melhoria no valor nutritivo das preparações, inclusive aqueles relacionados à redução do risco de câncer (AQUINO e PHILIPPI, 2002; BYERS et al., 2002).

O câncer é definido pela proliferação de células de forma incontrolável e formação de tumor (VOET, 2002). É causado por agentes cancerígenos presente nos alimentos, nas bebidas ou por contato em meio de exposição, além da suscetibilidade genética; portanto, os hábitos alimentares, o uso de tabaco e a exposição aos agentes cancerígenos são fatores para ocorrência do câncer (WHO, 2002).

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o câncer mata anualmente no mundo sete milhões de pessoas. Estudos comprovam que o excesso da ingestão de açúcares e de outros carboidratos refinados pode contribuir para a ocorrência de sensibilidade à insulina, alterações no acúmulo e distribuição da gordura corporal e aumento da concentração de fatores de crescimento, o que pode promover o desenvolvimento de neoplasia. Quanto ao tipo de açúcar, o branco (refinado) não é diferente do escuro (integral) ou do mel quanto aos efeitos no peso corporal ou na insulina (BYERS et al., 2002; KUSHI et al., 2006).

Alguns estudos relatam uma possível relação do Diabetes ou intolerância à glicose com o câncer no pâncreas. Observou-se que em até 80% dos doentes no momento da identificação do tumor constata-se a presença do diabetes ou a intolerância à glicose. No entanto, ainda há controvérsias quanto a esta relação, já que a ocorrência desta neoplasia também pode ter relação com a pancreatite crônica e até com a infecção causada pela Helicobacter pylori e a mutação no gene (ARDENGH, 2008).

Para a prevenção do câncer no pâncreas e outras neoplasias é necessário a redução do peso, uma dieta saudável rica em frutas e legumes e exercício físico regular. Também é importante que as recomendações sejam individualizadas, levando em consideração as características físicas e sociais do indivíduo (ARDENGH, 2008). O uso de substitutos do açúcar (adoçantes) pode acompanhar as orientações dietéticas para os pacientes, favorecendo uma menor ingestão de açúcar (BALDISSEROTTO, 2004).

Referências bibliográficas

ARDENGH, José Celso; COELHO, Nelson; OSVALDT, Alessandro Bersch. Câncer do pâncreas em fase inicial: é possível identificá-lo através dos instrumentos científicos propedêuticos atualmente disponíveis? Arq Gastroenterol, v. 45, n.2, p169-177, 2008.

AQUINO, R. de C. de; PHILIPPI S. T. Consumo infantil de alimentos industrializados e renda familiar na cidade de São Paulo. Rev Saúde Pública, v. 36, n. 6, p. 655-660, 2002.

BALDISSEROTTO, Julio; ARAÚJO, Silvânia A. C. de; PADILHA, Dalva M. P. Cancer Bucal: A importancia de promover a saúde bucal durante e pós o tratamento oncológico- relato de caso clinic. Revista Técnico-Científica do Grupo Hospitalar Conceição,  v. 17, n. 1, 2004

BYERS, T. et al. American Cancer Society Guidelines on Nutrition and Physical Activity for Cancer Prevention: Reducing the Risk of Cancer with Healthy Food Choices and Physical Activity. CA Cancer J Clin., n. 52, p. 92-119, 2002. Disponível em: <http://caonline. amcancersoc.org/cgi/content/full/52/2/92>. Acesso em: 16 outubro 2009.

CARVALHO, P. G. B. et al. Hortaliças como alimentos funcionais. Hortic bras., v. 24, n. 4, out./dez. 2006.

KUSHI, L. H. et al. American Cancer Society Guidelines on Nutrition and Physical Activity for Cancer Prevention: Reducing the Risk of Cancer with Healthy Food Choices and Physical Activity.CA Cancer J Clin., n.  56, p. 254-281, 2006. Disponível em: <http://caonline.amcancersoc.org/cgi/content/full/56/5/254>. Acesso em: 16 outubro 2009.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Vigitel Brasil 2006 – Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF, 2007.

VOET, D.; VOET, J. G., PRATT, C. W. Fundamentos de bioquímica. Porto Alegre: Editora Artmed, 2002.

WHO - World Health Organization. Entitled National Cancer Control Programs: Policies and Managerial Guidelines. Rev Panam Salud Publica/Pan Am J Public Health, v. 12, n.5, 2002.

WHO/FAO - World Health Organization/ Food and Agriculture Organization. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Report of a joint WHO/FAO expert consultation. Geneva, jan./feb. 2002. (WHO/FAO - Technical Report Series, 916).