
A Desnutrição Ainda é um Problema no Brasil?
Saúde & Qualidade de Vida - Patologia & NutriçãoA desnutrição ou, mais corretamente, as deficiências nutricionais – porque são várias as modalidades de desnutrição – são doenças que decorrem do aporte alimentar insuficiente em energia e nutrientes ou, ainda, com alguma freqüência, do inadequado aproveitamento biológico dos alimentos ingeridos – geralmente motivado pela presença de doenças, em particular doenças infecciosas (MONTEIRO, 2003).
Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizada em 2002/2003 mostrou que o excesso de peso e a obesidade são um risco muito maior à saúde da população brasileira do que a desnutrição. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003, 40% dos adultos apresentam excesso de peso e, neste grupo, 11,1% enfrentam a obesidade. Em contrapartida, apenas 4% dos brasileiros têm déficit de peso.
Para a realização da pesquisa, o IBGE ouviu pessoas com 20 anos ou mais, de famílias das áreas urbanas e rurais de todo o País entre julho de 2002 e junho de 2003. Os dados são baseados no Índice de Massa Corporal (IMC), calculado pelo peso em quilos divido pela altura em metros ao quadrado. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um IMC abaixo de 18,5 indica déficit de peso; igual ou acima de 25, excesso de peso e igual ou acima de 30 indica obesidade.
Fazendo uma comparação entre as pesquisas do IBGE, realizadas em 1974-75 e 1989, com os dados de 2002-03, a desnutrição vem diminuindo, tanto em mulheres, quanto em homens. Contudo, o aumento de peso e a obesidade vêm crescendo.
Entre os homens, os resultados que apontaram excesso de peso são duas vezes maior em 2002-03, e a obesidade três vezes maior, quando comparados à pesquisa de 1974. As mulheres apresentam aumento de 50%, tanto no excesso de peso, como na obesidade, entre os resultados das pesquisas de 1974-75 e 1989 e depois se estabilizam até 2002-03.
De acordo com a pesquisa, a população brasileira não está exposta à desnutrição. Porém, observa-se em mulheres de baixa renda uma leve propensão a apresentar peso abaixo do normal. Isso ocorre mais entre a população feminina, com uma prevalência 5,2%, e tendo como faixa etária mais expressiva, mulheres abaixo de 30 anos. Apenas 2,8% dos homens de baixa renda apresentam déficit de peso.
O déficit de peso é maior na população de menor renda, ao contrário do excesso de peso e da obesidade, que aumentam entre as classes mais altas. O déficit de peso atinge 4,5% da população que recebe até meio salário mínimo, contra 1,3% da que ganha mais de 5 salários. O valor do salário mínimo usado foi de R$ 200, vigente em 15 de janeiro de 2003, data de referência da pesquisa.
Referências
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, 2006. Disponível em: <http: // www.ibge.gov. br>.
MONTEIRO, C. A. A dimensão da pobreza, da desnutrição e da fome no Brasil. Estudos Avançados, v.17, n. 48, São Paulo, 2003.
Estudo Nacional da Despesa Familiar - ENDEF, realizado pelo IBGE, 1974-1975
Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição - PNSN, realizada pelo INAN, colaboração com IPEA e o IBGE, 1989.
Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 : Análise da disponibilidade domiciliar de alimentos e do estado nutricional no Brasil, IBGE.