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Indicadores da Obesidade
Saúde & Qualidade de Vida - Patologia & Nutrição

O peso corporal é constituído pela soma de diversos componentes, como os ossos, músculos, fluidos corporais e órgãos. Todos esses componentes estão sujeitos a alterações que podem ocorrer por diversas situações, como o crescimento e o envelhecimento. Com tantas variações o corpo é obrigado a possuir um sistema que controle o peso corporal, composto por mecanismos neurais, hormonais e químicos para manter um equilíbrio entre a ingestão e o gasto calórico. Porém pode haver desequilíbrios nesses processos, acarretando em variações de peso, entre eles a obesidade (SILVA, 2007).

A obesidade é um grande problema de saúde publica e vem se tornando uma das maiores epidemias mundiais (WHO, 2005). É uma doença com origem multifatorial que envolve aspectos ambientais e genéticos (sedentarismo e alimentação desequilibrada são os exemplos mais comuns), sendo que o conhecimento destes mecanismos é de grande relevância para o tratamento da obesidade e para manutenção e preservação da qualidade de vida (DAMASO, 2003). Os dados recentes são preocupantes e merecem ações imediatas. O número de obesos entre 1995 e 2000 passou de 200 para 300 milhões, totalizando quase 15% da população mundial, sendo que em 2025, o Brasil será o quinto país no mundo a ter mais problemas de obesidade (OMS, 2005)

Alguns estudos vêm demonstrando que o excesso de gordura corporal, principalmente concentrado na região abdominal, está fortemente relacionado ao risco de desenvolvimento de doenças arteriais coronarianas, hipertensão arterial sistêmica, diabetese dislipidemias, isso devido a uma série de alterações metabólicas adversas desencadeadas pelo ganho de peso, que incluem a hiperinsulinemia, a tolerância à glicose diminuída, os níveis elevados de triglicérides e os níveis baixos de HDL, o aumento de tendências trombogênicas e da síndrome metabólica. Sendo que essas alterações estão relacionadas com um aumento da morbidade e mortalidade e a uma associação que se eleva na medida em que o índice de massa corporal aumenta. (SALEH, 1999; SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).

É importante conscientizar a população sobre os riscos relacionados ao excesso de peso. O diagnóstico é fácil e rápido de ser realizado, sendo os métodos antropométricos considerados os mais úteis para a classificação, por seu custo ser baixo e não invasivo (HO, 2001). O índice de massa corporal é uma relação entre o peso e altura (IMC= P/ A²) e o mais utilizado para avaliar a obesidade e a circunferência do abdômen um ótimo parâmetro de avaliação, por demonstrar uma forte associação com doenças cardiovasculares (DALTON, 2003). Veja a seguir as classificações:

                       


Classificação

IMC

Baixo peso

Abaixo de 18,5 Kg/m²

Peso adequado

Entre 18,5 e 24,9 kg/m²

Sobrepeso

Entre 24,9 e 29,9 Kg/m²

Obesidade Grau I

Entre 30,0 e 34,9 kg/m²

Obesidade Grau II

Entre 35,0 e 39,9 kg/m²

Obesidade Grau III

Acima de 40 kg/m²

WHO, 2005.

Circunferência abdominal

 

Homens

Mulheres

Risco aumentado para doenças cardiovasculares

>94 cm

>80 cm

Risco muito aumentado para doenças cardiovasculares

>102 cm

>88 cm

 LEAN, 1995.

O tratamento da obesidade exige uma abordagem interdisciplinar, aonde diversos profissionais atuam em conjunto para auxiliar o paciente obeso. Antes de qualquer tipo de dieta e medicamento é fundamental entender os hábitos sócio-culturais desse paciente e partir daí se faz importante um planejamento capaz de reorganizar as práticas de saúde, alimentação, hábitos e estilos de vida saudável. Uma alimentação equilibrada, prática de atividade física e uma boa saúde mental são peças essenciais para estar de bem o corpo e com o peso saudável (PINHEIRO, 2004).

 

Referências:

DALTON, M., CAMERON, A.J., ZIMMET,  P.Z.,, SHAW, J.E., JOLLEY, D., DUNSTAN,  D.W., et al. Waist circumference, waist-hip ratio and body mass index and their correlation with cardiovascular disease risk factors in Australian adults. J Intern Med. 254:555-63, 2003.

DAMASO, A. Etiologia da obesidade. Rio de Janeiro: Medsi, 2003.

HO, S.C., CHEN, Y.M., WOO, J.L., LEUNG, S.S., LAM, T.H., JANUS, E.D. Association between simple anthropometric indices and cardiovascular risk factors. Int J Obes Relat Metab Disord. 25:1689-97, 2001.

LEAN, M.E.J., HAN, T.S., MORRISON, C.E. Waist circumference as a measure for indicating need for weight management. Brazilian Medicine Journal. 311: 158-61, 1995.

PINHEIRO, A.R.O., FREITAS, S.F.T., CORSO, A.C.T. Uma abordagem epidemiológica da obesidade. Rev. Nutr., Campinas. 17(4):523-533, out./dez., 2004.

SALEH, J., SNIDERMAN, A.D., CIANFLONE, K. Regulation of plasma fatty acid metabolism. Clin Chim Acta. 286(1-2):163-80, 1999.

SILVA, S.M.C.S., MURA, J.D.P. Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Ed Roca. Capítulo 4, p.77-104, 2007.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes para cardiologistas sobre excesso de peso e doença cardiovascular. Arq Bras Cardiol. 78 Suppl 1:1-14, 2002.

WHO. Obesity and Overweight.  2005.