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Mielomeningocele
Saúde & Qualidade de Vida - Patologia & Nutrição

Texto publicado na revista "Saúde Brasil Comunidade", ano 1 - nº3

Prevenção da Mielomeningocele

A AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente -, é um centro de referência da América Latina no tratamento de deficiências físicas, que vem fazendo uma campanha para que a adição de ácido fólico nas farinhas de trigo e milho seja obrigatória por lei. Para compreendermos a importância dessa medida, é preciso conhecer um pouco mais sobre as características da mielomeningocele - mais grave que a paralisia infantil - que atinge, em média, um em cada mil bebês nascidos vivos.

O que é?

A mielomeningocele - também conhecida por espinha bífida - é uma doença congênita (defeito de nascimento), um dos distúrbios mais comuns do cérebro e da medula espinal, que compõem o sistema nervoso central. Costuma ocorrer por volta da terceira semana de formação do feto, muitas vezes quando a mulher ainda nem sabe que está grávida.

Os ossos da espinha não se formam completamente e o canal espinal é incompleto. "Então, o bebê nasce com um tipo de 'bolha', em forma de bolsa, no meio ou na parte inferior das costas", explica o dr. Antonio Carlos Fernandes, diretor clínico da AACD. E a gravidade das seqüelas físicas depende da localização e da extensão da lesão na medula. Quanto mais alta, maior o número de nervos afetados, completa o especialista.

Sintomas e complicações

Essa má formação na medula espinal pode ocasionar paralisia parcial ou total nas pernas da criança. E uma vez que essa paralisia está presente no feto podem ocorrer problemas ortopédicos, como pé torto ou deslocamento de quadril. É freqüente também a perda de controle da bexiga ou do intestino, além de determinar um aumento no risco do bebê desenvolver uma infecção grave denominada meningite. E cerca de 90 por cento dos casos de mielomeningocele podem apresentar hidrocefalia - quando o líquido da medula não circula normalmente e acumula-se no cérebro, podendo acarretar graves conseqüências: deficiência intelectual, alterações visuais, na fala, audição, além de prejudicar o controle da coordenação motora de braços e pernas, enfatiza o diretor clínico.

Diagnóstico

A investigação da mielomeningocele pode ser feita antes do bebê nascer, no acompanhamento pré-natal da gestante através da amniocentese - um exame que recolhe e analisa o líquido amniótico. Também o exame de ultra-som na gravidez pode revelar alguns dos casos. Após o nascimento, diversos são os exames que podem ser utilizados - neurológicos, de urina, tomografia, raio X, ressonância magnética da coluna, entre outros.

Tratamento

"A Mielomeningocele é uma doença que não tem cura, por isso que é vital realizar o tratamento preventivo", adverte o dr. Fernandes.

Não existe especificamente é uma forma para reverter os prejuízos provocados pela doença. O único tratamento, segundo o especialista, são as inúmeras intervenções cirúrgicas para tratar das complicações, e ajudar a família a lidar com o distúrbio.

"Alguns pacientes chegam a fazer até os 10 anos uma operação por ano. Isso, além de fazer um trabalho constante de reabilitação através de terapias para estimular o desenvolvimento físico e mental", explica o médico.

Prevenção

"A única maneira de prevenir a mieloningocele é através da ingestão adequada de Ácido Fólico - um componente do Complexo B, antes do período de gravidez", afirma o dr. Antonio Carlos Fernandes.

O ácido fólico é uma substância encontrada especialmente em verduras como alface e agrião. Porém, a quantidade dessa vitamina encontrada na natureza é muito menor do que o necessário para a prevenção da mielomeningocele. Até hoje, a única medida recomendada para tentar prevenir o problema era aconselhar a mulher, em idade fértil que planeje ter filhos, que consulte um médico, antes da gravidez, para que possa ser médido, através de exame, o nível de folato no soro. E a depender do resultado, o médico pode indicar a necessidade de se tomar um multivitamínico.

Redução de até 50% da doença

A solução mais apropriada - barata e democrática - é a já adotada em alguns outros países, como os Estados Unidos, Canadá e Chile. Ou seja, a adição do ácido fólico nas farinhas de trigo e milho pela indústria. Para se ter uma idéia, essa medida depois de um ano de implantação reduziu em 50 por cento o índice de Mielomeningocele na população americana.

A Lei no Brasil

Provavelmente a Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - deverá publicar, ainda este ano, Portaria prevendo a adição do ácido fólico nas farinhas de trigo e milho. Depois de publicada, a indústria brasileira terá um prazo de 18 meses para se adaptar à regra. Vale esclarecer, que essa adição não altera o sabor ou a composição dos alimentos. E mais: o custo da adição é extremamente baixo segundo um estudo da Emprapa, para cada quilo de farinha, o fabricante gastaria o equivalente a US$ 0,00046 em ácido fólico. Já viabilizar o tratamento preventivo com medicamentos, o Governo teria que desembolsar cerca de R$ 11,00 por trimestre para cada mulher em idade fértil.