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Parkinson, Carne Vermelha e Vitamina B2
Saúde & Qualidade de Vida - Patologia & Nutrição

A doença de Parkinson, também conhecida como paralisia agitante, é caracterizada por rigidez de grande, senão da maior parte da musculatura do corpo, um tremor involuntário contínuo das áreas envolvidas mesmo quando a pessoa está em repouso e sempre com freqüência fixa de 3 a 6 ciclos por segundo e uma séria incapacidade de iniciar movimentos, chamada de acinesia.

A acinesia que ocorre na doença de parkinson é frequentemente muito mais perturbadora para o paciente do que os sintomas da rigidez muscular e do tremor, pois para executar até mesmo o mais simples movimento no parkinsonismo grave a pessoa tem que exercer o mais alto grau de esforço mental, ou mesmo de angústia mental, para fazer com que o movimento ocorra.

As causas destes efeitos motores anormais são quase inteiramente desconhecidas. Hoje, sabe-se que a doença é causada pela deficiência dos neurônios que produzem a dopamina, neurotransmissor responsável pela comunicação entre várias partes do cérebro. Sem a substância, o cérebro não consegue comandar a musculatura e há tremor, rigidez e dificuldade de movimentos. A evolução do conhecimento sobre o cérebro na última década permite prever boas perspectivas para as doenças que afetam o órgão. As chances de se obter a cura do mal de Parkinson, por exemplo, são grandes. Substituir as células nervosas danificadas por meio de implante de células embrionárias novas é, portanto, uma técnica promissora.

Outras manifestações não-motoras também podem ocorrer com os portadores, como por exemplo, o comprometimento de memória, a depressão e as alterações do sono. As informações encontradas na literatura médica indicam que o consumo de gordura animal é um dos fatores de risco para a doença. No entanto, para o neurocirurgião e chefe do Centro de Tratamento dos Movimentos Involuntários do Hospital 9 de Julho (Cetrami), Cláudio Fernandes Corrêa, essa informação é questionável, pois não há nenhum estudo que comprove o malefício do consumo de gordura animal, assim como sua participação no desenvolvimento da doença de Parkinson. Os trabalhos publicados mostram que a ingestão de carne está ligada diretamente à produção de neurotoxinas.

Associando as informações referentes aos efeitos nocivos da carne vermelha e à falta de vitamina B2 causada pela má absorção do organismo, foi feito um estudo, pelo Departamento de Neurologia Experimental da Unifesp, que revelou benefícios para um grupo de 31 pessoas portadoras da doença de Parkinson, incluindo vitamina B2 e retirando carne vermelha de suas dietas.
Essas duas pequenas alterações na dieta estão resultando em não apenas a estagnação da doença como também sua regressão.

No laboratório do Centro de Estudos do Envelhecimento da disciplina de Geriatria da Unifesp, ele verificou que os níveis de vitamina B2 nos portadores de Parkinson apresentaram-se abaixo da normalidade. Ao analisar a dieta dos pacientes verificou-se a ingestão de uma quantidade insuficiente dessa vitamina, encontrada principalmente no leite, além do alto consumo de carne vermelha.

Segundo Coimbra, já é do conhecimento médico que a carne vermelha produz uma substância chamada hemina, extremamente tóxica para as células do organismo, originando a produção de radicais livres. “Para serem eliminados, esses radicais livres precisam de uma substância chamada glutationa que, após utilizada, só pode ser recuperada com vitamina B2”, diz Coimbra. “A falta da glutationa é a primeira alteração neuroquímica presente nas células cerebrais que estão degenerando com a doença de Parkinson.” Outro fator que resultaria na falta de vitamina B2 no organismo desses pacientes pode ser decorrente de um problema que atinge 15% da população: o mau funcionamento de uma enzima chamada flavoquinase, responsável pela absorção da vitamina.

A suplementação de vitamina B2 superou as expectativas: a doença não só parou de progredir como começou a regredir. No entanto, 60% das células da região afetada pela doença já foram perdidas quando surgem os primeiros sintomas.

Em três meses de tratamento e dieta, os pacientes, sendo que a maioria destes fazem tratamento no Hospital do Servidor Público Municipal, verificou-se uma recuperação média motora que aumentou de 44% para 70%. Segundo Coimbra, “Os melhores resultados são encontrados nos pacientes que estão nas fases iniciais da doença. Entretanto, existem casos de pessoas que se tratam há muito tempo e que tiveram uma melhora na função motora de 15% para 90% após a intervenção”. Os dados preliminares da pesquisa foram apresentados no 6º Congresso Internacional sobre doença de Alzheimer e Parkinson, realizado em Sevilha, Espanha, no começo de maio.

Esta descoberta é um impulso no tratamento desta doença tão pouco conhecida pela ciência, e demonstra com resultados positivos a importância essencial da alimentação tanto na prevenção como também no tratamento de muitas doenças, dentre estas, no auxílio da melhora na qualidade de vida dos portadores do mal de Parkinson.

Elaborado pela Equipe RGNutri

 

Referências bibliográficas:

Guyton AC, Hall JE. Fisiologia Humana e Mecanismos das Doenças. 6 ed. Koogan: São Paulo, 1998.
www.unifesp.br