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Próstata
Saúde & Qualidade de Vida - Patologia & Nutrição

O QUE É A PRÓSTATA?

A próstata é uma glândula masculina localizada logo abaixo da bexiga, entre o osso púbico e o reto. Tem tamanho de uma noz e é atravessada pela uretra (tubo pelo qual passa a urina da bexiga para o meio exterior). Por causa de sua localização muitos sintomas das doenças prostáticas resultam em problemas para urinar.

PARA QUE SERVE?

A próstata produz uma substância que, juntamente com a secreção das vesículas seminais e os espermatozóides produzidos nos testículos, forma o sêmem ou esperma. Sem o líquido produzido pela próstata, os espermatozóides não viveriam até atingir o óvulo no momento da fecundação. Além de conferir proteção, contém alimentos para o espermatozóide, na sua longa caminhada ao encontro do óvulo.

SINTOMAS QUE PODEM INDICAR PROBLEMAS NA PRÓSTATA:

- Jato urinário fraco;
- Dificuldade para começar a urinar;
- Urinar freqüentemente;
- Urgência para urinar;
- Acordar freqüentemente à noite para urinar;
- Interrupção do jato urinário;
- Sangue na urina;
- Dor ou queimação para urinar.

INCIDÊNCIA DE PROBLEMAS PROSTÁTICOS:

- O aumento benigno da próstata (chamado hiperplasia prostática benigna) desenvolve-se em aproximadamente 80% dos homens (Centro de Saúde da Próstata);
- O câncer de próstata desenvolve-se em 1 de cada 10 homens (Centro de Saúde da Próstata);
- Todo ano cerca de 45.000 homens morrem de câncer de próstata nos Estados Unidos (Centro de Saúde da Próstata);
- Doenças da próstata normalmente ocorrem em homens acima de 40 anos (Centro de Saúde da Próstata);
- 19,8% dos homens que, atualmente, tem mais de 50 anos, desenvolverão câncer de próstata se forem acompanhados até o fim da vida (American Cancer Society - Estados Unidos);
- 70% e 98% dos pacientes são hoje curados da doença, quando a mesma é descoberta a tempo, alojada dentro da glândula (Miguel Srougi - UNIFESP);
- A incidência de câncer aumenta com a idade, atingindo quase 50% dos indivíduos com 80 anos(Miguel Srougi - UNIFESP);
- Examinando a próstata de homens com idade entre 60 e 70 anos e que faleceram sem doença prostática aparente, encontra-se focos cancerosos em 24% deles. Contudo, apenas 11% dos indivíduos desta faixa etária apresentam, em vida, problemas com o câncer da próstata. Em outras palavras, 13% dos tumores neste grupo têm um caráter indolente, não se manifestam clinicamente e os seus portadores morrem, por outros motivos, com o câncer mas não pelo câncer (Miguel Srougi -UNIFESP);
- Entre 1988 e 1992 o número de novos casos de câncer aumentou em 60% e à partir de 1993 diminuiu em quase 20%. Isto porque as campanhas preventivas e os novos exames de laboratório identificaram um grande número de doentes, incluindo homens sem sintomas, que ignoravam o mal. Com o esgotamento deste "reservatório" de casos, a freqüência da doença passou a cair (Miguel Srougi - UNIFESP)

DOENÇAS E TRATAMENTOS:

- Existem dois tipos de problemas relacionados à próstata. O primeiro é o crescimento benigno, chamado de hiperplasia, que acomete quase 90% dos homens após os 40 anos, que resulta na dificuldade de urinar. O segundo é o câncer da próstata, que surge associado ou não ao crescimento benigno, e que se manifesta quase sempre depois que os homens completam 50 anos. (Miguel Srougi - UNIFESP)


Hiperplasia benigna da próstata - HBP(com sintomas)

- É o crescimento benigno, lento e contínuo da próstata. Ocorre em aproximadamente metade dos homens aos 50 anos e em 80% dos homens acima de 60 anos de idade (Centro de Saúde da Próstata);
- A hiperplasia da próstata estende-se por toda a vida, podendo causar transtornos na micção e complicações em outros órgãos. Quanto mais a HPB avança, mais situações incômodas, desagradáveis e irritativas ela traz, tais como a vontade freqüente de ir ao banheiro, dificuldade para iniciar a micção, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, gotejamento, incontinência urinária, entre outras. A presença desses sintomas indica que o crescimento da próstata já está começando a pressionar a uretra, dificultando o escoamento da urina. Essa situação exige acompanhamento médico, pois existe o risco de se agravar.

Tratamento por medicamentos

Hoje existem dois tipos de medicamentos para tratamento da hiperplasia benigna da próstata: os inibidores, que reduzem o tamanho da próstata e os bloqueadores, que relaxam a musculatura lisa da glândula. Somente um profissional médico poderá fazer a melhor indicação.


Hiperplasia benigna da próstata (sem sintomas)

É o crescimento da próstata, não associada à obstrução da passagem da urina. Neste caso, não há necessidade de tratamento, o que não significa que o check-up periódico não deva ser feito.

Prostatite

É a infecção da próstata. Há três tipos de prostatites: a não bacteriana, a bacteriana aguda e a prostatite crônica. A prostatite pode afetar o homem em todas as idades e pode ocorrer em próstatas de qualquer tamanho.

O tratamento, via de regra, é com medicamentos específicos. Se a causa for uma infecção, um antibiótico específico pode resolver o problema. Certos pacientes com prostatite podem ter uma obstrução prostática, o que pode requerer uma desobstrução concomitantemente à antibioticoterapia.

Câncer de Próstata

O câncer é o crescimento incontrolado de células para formar um tumor que, em alguns casos, pode invadir os tecidos adjacentes e se propagar, por processos de metástase, formando tumores secundários em outras partes do corpo (Cameron & Pauling, 1979; Tolonem, 1990).

- O câncer de próstata é o câncer mais comum no homem, e é a segunda causa de morte por câncer entre eles. Quando detectado no início, pode ser curado, porém neste período pode não aparecer sintomas da doença. Apresenta crescimento lento, com tempo de duplicação de 2 a 4 anos. Quando progride, pode causar necessidade de urinar a curtos intervalos, especialmente à noite, dificuldade para urinar; jato urinário fino e fraco; dor ou queimação para urinar ou ejacular; sangue na urina ou sêmen e dores ósseas (Centro de Saúde da Próstata).

Diagnóstico do câncer

O câncer da próstata, como mencionado acima, não produz sintomas nas fases iniciais. Desta forma, a melhor maneira de detectá-lo é através dos "check-up" periódicos. Os exames fundamentais são: exame digital da próstata, exame através do sangue (P.S.A. - Antígeno prostático específico) e exame de ultrassom.

- No caso do toque digital, a glândula torna-se irregular e de consistência endurecida.
  • PSA é uma proteína produzida exclusivamente pela próstata, que se eleva de maneira significativa nos casos de câncer, mas também aumenta em pacientes com infecção ou com crescimento benigno exagerado da glândula. Por isto, elevações do PSA sempre exigem uma atenção médica mas não indicam necessariamente a presença de câncer na próstata. Se houver suspeita de câncer, o paciente deverá ser submetido a uma biópsia da próstata guiada por ultra-som transretal.
  • exame de ultrassom feito através do ânus permite visualizar as chamadas áreas hipoecóicas dentro da próstata, típicas das lesões cancerosas. Este exame falha em 60 a 70% dos casos, deixando de evidenciar tumores que estão presentes ou demonstrando áreas hipoecóicas que não são malignas. Por isto, o ultrassom é utilizado pelos urologistas em alguns casos de dúvida clínica e, principalmente, para orientar a realização de biópsias da próstata.

Levando em conta a relação custos/benefícios, definiu-se que a melhor forma de diagnosticar o câncer da próstata é representada pela combinação de toque digital e dosagem do PSA. O toque exclusivo falha em 30 a 40% dos casos, as medidas de PSA falham em 20%, mas a execução conjunta dos dois exames deixa de identificar o câncer em menos 5% dos pacientes.

Prevenção

A melhor maneira de prevenir-se é consultar um urologista a partir de 40 anos de idade, pelo menos 1 vez ao ano, uma vez que o especialista terá meios de identificar a doença em seu estágio inicial, buscando a cura e tratamento adequados nos estágios posteriores à doença.

Alimentação X câncer de próstata

Gordura

Há indícios de que hábitos dietéticos possam reduzir os riscos de câncer da próstata. Neste sentido, tem-se recomendado alimentação com baixo teor de gordura animal, comum nos países onde a incidência da doença é baixa (apenas 15% do total de calorias sob forma de gordura).

Estudo feitos pelo Fred Hutchinson Cancer Research Center (06/08/02) descobriram que homens que ingeriam dietas em que a gordura representa menos de 30% das calorias diárias consumidas, tiveram a metade do risco de câncer em estágio tardio do que homens que consumiam mais gordura. No entanto, não ocorreu qualquer associação de gordura ingerida com estágio inicial da doença. Gorduras saturadas (encontradas na carne e no leite) e moninsaturadas (encontrada em certos óleos, tais como de oliva e de amendoim) foram associadas com o aumento de risco do câncer de próstata avançado. Gorduras polinsaturadas (encontradas em certos óleos, tais como cártamo e canola) não aumentaram os riscos. Consumo de ácidos graxos ômega-3 (encontrados em peixes gordurosos, como salmão e cavala) também não tiveram impacto no risco geral de câncer de próstata, contrariando os estudos experimentais em culturas celulares que tinham sugerido que poderia haver um efeito protetor.

Licopeno

A ingestão abundante de tomate e seus derivados parece diminuir em 35% os riscos de câncer da próstata, segundo estudo realizado na Universidade de Harvard. O efeito benéfico do tomate resultaria da presença de grandes quantidades de licopeno, um betacaroteno natural precursor da vitamina A.

Vitamina E

A complementação dietética com vitamina E (800 mg ao dia) e com selênio (200 mg ao dia) talvez tenha um efeito protetor contra o câncer da próstata, de acordo com dados do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, de Nova York. Acredita-se que dois copos de 220ml por dia de chá verde previnam o câncer, assim como o consumo de vegetais crucíferos (brócolis, repolho, couve-de-bruxelas, rabanete, couve-flor), apesar de nenhum estudo científico comprovado. Sabe-se que grupos populacionais que consomem mais esses vegetais estão menos predispostos ao câncer de próstata. Isto porque eles contém grandes quantidades de glicosinolatos, substância que previne o câncer.

Isoflavonas da soja

Tem sido demonstrado que as isoflavonas da soja, especificamente a genisteína e a daidzeína, apresentam efeito anti-cancerígeno. Estudos epidemiológicos demonstram que nas populações que consomem dietas ricas em soja e seus produtos, a incidência de determinados tipos de câncer (cólon, mama e próstata, principalmente) é menor quando comparada com a incidência em populações que não consomem esses tipos de dietas. Em adição, acredita-se que a suplementação da dieta com certos produtos da soja, os quais têm mostrado suprimir a carcinogênese em animais, poderia reduzir as taxas de mortalidade por câncer (Molteni et al., 1995).

Estudos japoneses demonstraram que os indivíduos que comem diariamente ou ocasionalmente isoflavonóides e flavonóides têm muito menos câncer da próstata que os que nunca se alimentam com esses produtos.

Medicação

Como a testosterona constitui um dos combustíveis que alimenta o câncer da próstata, é possível que o bloqueio parcial deste hormônio possa reduzir a incidência da doença. Com esta perspectiva, o National Cancer Institute, dos Estados Unidos, estabeleceu um projeto para explorar um eventual papel da finasterida na prevenção dos tumores malignos da próstata. Esta medicação bloqueia a enzima 5 a -redutase, responsável pela ação da testosterona na célula prostática e não interfere significativamente a função sexual do paciente, comum quando se utilizam outros antagonistas da testosterona. Este projeto, que já se encontra em andamento, avaliará 18.000 homens norte-americanos, que estão sendo sorteados para receber, durante 7 anos, finasterida (5 mg ao dia) ou placebo (comprimido semelhante mas sem a droga). Todos estes indivíduos serão submetidos à biópsia prostática no final do estudo e, desta forma, será possível determinar se a inibição da testosterona pode prevenir o aparecimento do câncer da próstata.

Referências:
CAMERON, E., PAULING, L. Cancer and vitamin C. New York : Linus Pauling Institute of Science and Medicine, 1979. 238p.
TOLONEM, M. Vitamins and minerals in health and nutrition. London : Ellis Horwood Series in Food Science and Tecnology, 1990. 231p.
MOLTENI, A., BRIZIO-MOLTENI, L., PERSKY, V. In vitro hormonal effects of soybean isoflavones. Journal of Nutrition, Bethesda, v.125, p.751-756, 1995. Supplement 3.
http://www.csprostata.com.br/
(corpo médico formado no serviço de urologia do hospital das Clínicas da Faculdade de medicina da Universidade de São Paulo e no Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina, todos especialistas em urologia pela sociedade brasileira de urologia)
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/
ju/maio2003/ju212pg11a.html
(médico patologista e professor Carlos Alberto Fontes de Souza)

http://www.unifesp.br/dcir/urologia/
uronline/ed1098/caprostata.htm
(Câncer da próstata: uma opinião médica - Miguel Srougi, professor titular de Urologia da Escola Paulista de Medicina - UNIFESP, São Paulo e pós-graduado em Urologia pela Universidade de Harvard, EUA)

http://www.nib.unicamp.br/svol/dietpro1.htm
(Nelson Roodrigues Netto Jr - Professor Titular Disciplina de Urologia, Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp)

http://www.emedix.com.br/not2002/
02ago06cebp-dcm-cancer.shtml

Elaborado pela equipe RGNutri