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Relação Entre Síndrome do Ovário Policístico e Obesidade
Saúde & Qualidade de Vida - Patologia & Nutrição

Os ovários são dois órgãos, um de cada lado do útero, responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos e por acolher os óvulos que a mulher traz consigo desde o ventre materno. Algumas mulheres podem desenvolver cistos nos ovários, isto é, pequenas bolsas que contêm material líquido ou semi-sólido. São os ovários policísticos, que normalmente não têm importância fisiológica, mas que em torno de 10% estão associados a alguns sintomas. A síndrome de ovários policísticos (SOP) caracteriza-se pelo aparecimento de inúmeros cistos na superfície dos ovários, que geralmente são folículos com ou sem óvulos. A diferença entre cisto no ovário e ovário policístico está no tamanho e no número de cistos.

A Síndrome de Ovários Policísticos (SOP) é uma das doenças endócrino-metabólicas mais comuns, com prevalência em mulheres adultas de 5 a 10% e na adolescência em torno de 3% a 8%. A síndrome do ovário policístico é uma doença complexa e heterogênea, e na grande maioria dos casos não tem nenhuma importância fisiológica, mas que em cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva está associada a um conjunto de manifestações como alterações menstruais, geralmente com longos intervalos entre os ciclos, aparecimento de pelos no corpo, acne e obesidade (Costa et al, 2007).

Segundo o estudo de Ehrmann (2004), essa síndrome se caracteriza ainda por apresentar anovulação, uma alteração no funcionamento dos ovários, capaz de alterar a produção, maturação ou liberação normal de óvulos. Esta alteração pode ser intencional - como a induzida pelas pílulas anticoncepcionais - ou endógena, infertilidade e hiperandrogenismo (condição biológica na qual o organismo feminino é invadido por quantidades anormalmente elevadas de substâncias androgênicas) e acontece nessa população de 10% que manifesta sintomas, estando ainda associada frequentemente à obesidade, dislipidemias, hipertensão e diabetes tipo II.

O hiperandrogenismo no sexo feminino pode ocasionar quadro clínico de severidade variável, incluindo aumento de pelos devido a taxa hormonal masculina alta, puberdade precoce, seborréia, síndrome metabólica e disfunção psicológica entre outros sintomas.

A síndrome dos ovários policísticos tem relevância na nutrição quando, através de diagnóstico prévio de um médico, forem detectadas patologias que necessitem de intervenção nutricional como pacientes que possuam síndrome metabólica ou diabetes tipo II por exemplo, e ainda segundo a literatura a sintomatologia que incomoda essas mulheres se agravaria em casos de sobrepeso e obesidade, portanto a manutenção do peso para mulheres com ovários policísticos é uma forma de prevenção dos sintomas.

Muitas mulheres que têm ovário policístico reclamam de aumento de peso, segundo Rogerio et al, 2000. Não há um consenso se é a doença que provoca o aumento de peso ou o aumento de peso que piora os sintomas da doença. Atualmente, a teoria mais aceita na fisiopatologia da SOP é uma resistência periférica à insulina, com relação ao receptor, levando a uma hiperinsulinemia. Essa mesma falha no receptor para insulina ao nível adrenal propicia uma maior produção de DHEA e SDHEA e ao nível ovariano leva a um aumento na produção de androstenediona e testosterona. A obesidade é do tipo andróide com uma relação cintura quadril elevada. É difícil fazer com que estas pacientes diminuam de peso, em parte porque há falhas na lipólise dos adipócitos secundários à presença de resistência à insulina. A obesidade aumenta, junto com a resistência à insulina, o risco cardiovascular e de diabetes. Estima-se que entre 40 a 50% das mulheres com Síndrome do Ovário Policístico são obesas.

Um trabalho conduzido por Melo et al, de 2001, demostrou ainda uma possível inter-relação entre a SOP, o IMC, a leptina e a insulina. Como a obesidade e a hiperinsulinemia são encontradas, freqüentemente, em pacientes portadoras da SOP, acreditou-se que a leptina pudesse fazer parte do mecanismo fisiopatológico desta síndrome, agindo sobre a esteroidogênese ovariana e sobre a secreção das gonadotropinas. Entretanto, sua real participação ainda é alvo de controvérsia na literatura e mais estudos ainda são necessários para comprovar essa relação.

Um estudo conduzido por Costa et al, 2007, demonstrou a prevalência de síndrome metabólica em mulheres com SOP. Segundo esse mesmo estudo, as mulheres com SOP têm maior propensão para desenvolver doenças cardiovasculares. Não só em casos evidentes de mulheres obesas, que por possuírem maior distribuição abdominal de gordura tem risco maior de desenvolver síndrome metabólica, mas também em mulheres com sobrepeso e até com IMC dentro dos limites de normalidade, desde que a SOP esteja presente.

A conduta dietoterápica nesses casos é a mesma adotada para cada patologia da síndrome metabólica e é importante um acompanhamento individual e personalizado, baseado na sintomatologia de cada mulher. Como regra geral, as pacientes com manifestações clínicas e sobrepeso ou obesidade precisam controlar o peso para melhorar sua qualidade de vida, portanto uma dieta com baixas calorias, baixa ingestão de gorduras e açúcares simples auxiliaria nesse controle.

Referências Bibliográficas

Azziz R, Woods KS, Reyna R, Key TJ, Knochenhauer ES, Yildiz BO. The prevalence and features of the polycystic ovary syndrome in an unselected population. J Clin Endocrinol Metab. 2004;89(6):2745-9.

Costa LOBF, Vianna AOR, Oliveira, M. Prevalência da síndrome metabólica em portadoras da síndrome dos ovários policísticos. Rev Bras Ginecol Obstet. 2007;29(1):10-17.

Ehrmann DA. Polycystic ovary syndrome. N Engl J Med. 2004;352(12):1223-36.

Melo MAB, Sabino SM, Sampaio MAC, Geber S. Avaliação dos níveis séricos de Leptina em mulheres portadoras de síndrome de ovários policísticos. Rev Bras Ginecol Obstet. 2001;23(8):481-488.

Rogerio A, Lobo MD, Carmina, MDE. The Importance of Diagnosing the Polycystic Ovary Syndrome. Ann Inter Med. 2000; 132 (12): 989-993.

Rotterdam ESHRE/ASRM-Sponsored PCOS Consensus Workshop Group. Revised 2003 consensus on diagnostic criteria and long-term health risks related to polycystic ovary syndrome. Fertil Steril 2004;81(1):19-25.