
Café - Novos Achados da Ciência
Saúde & Qualidade de Vida - Saúde & NutriçãoO nome Café origina-se do árabe qahwa que significa vinho, o “vinho da Arábia”. Têm-se os primeiros registros do café na Etiópia há mais de seis mil anos, onde a planta, que ainda fazia parte da vegetação natural, era misturada com manteiga e consumida em forma de pasta. Foram os árabes os responsáveis pelo cultivo do café, a partir do século XVI. No século seguinte, o café começou a ser saboreado por europeus, mas a produção ainda era toda árabe. Uma vez aceito como bebida na Europa, o café começou a ser cultivado nas colônias pertencentes aos países europeus. Tornou-se uma mercadoria que produzia grandes comércios e altos negócios (HOFF, 2003).
No Brasil, a pedido do governador do Maranhão e Grão Pará, em 1727, o sargento Francisco de Mello Palheta buscou mudas de café na Guiana Francesa e as levou a Belém. O cultivo espalhou-se rapidamente pelo Brasil, no século XVIII, sendo produzido em grande escala nas fazendas que operavam com trabalho escravo. No século XIX, o Brasil tornou-se um grande fornecedor de café para a Europa, ao lado do Haiti e da Colômbia. O consumo do café, no Brasil, é uma tradição alimentar. Muitos brasileiros tomam café, puro ou misturado ao leite, de manhã, nas horas de conversas, depois do almoço, na casa familiar, nos bares, nas repartições de trabalho, na lavoura, e na hora do descanso. É nutrição social de pobres e ricos, brancos e negros, e está presente em todos os lugares (HOFF, 2003).
Além de ser uma bebida tradicional, o café é utilizado na produção de bombons, chocolates, doces caseiros, em bebidas alcoólicas e em outras formas de mercadorias. Esse largo espectro de consumo suscita amplo interesse, particularmente, o nutricional. Novas perspectivas para o café advêm da recente inclusão dessa bebida no rol de alimentos funcionais (COSTA, 2005). O café é também uma fonte importante de antioxidantes e pode contribuir marcadamente na ingestão de polifenóis e flavonóides (MANACH, 2004). Seus principais antioxidantes são os ácidos hidroxicinâmicos, tais como: caféico, cumárico, ferrúlico e os clorogênicos (TRUGO, 2003).
Outros alimentos também fornecem compostos fenólicos como o chocolate e os chás. No entanto, o café é o único que sofre torrefação, a qual permite que altas temperaturas destruam alguns dos compostos fenólicos e favoreçam o desenvolvimento de outras substâncias antioxidantes. O desenvolvimento de substâncias antioxidantes durante a torrefação se dá por meio dos produtos da reação de Maillard, e a estocagem dos grãos torrados, bem como as condições de torra, podem modificar os teores dessas substâncias na bebida (NICOLI, 1997).
Os componentes presentes na infusão cafeinada reduzem o risco de formação de cálculos biliares e estão associados com a prevenção dos sintomas de doenças biliares em mulheres (RUHL, 2000), sendo recomendado o consumo de café também para a prevenção de colecistolitíase (LAMMERT, 2004).
Além disso, o café tem efeitos psicoativos e sobre o sistema nervoso central. Existem estudos que mostram associação inversa do consumo de café e risco de suicídios; também, efeito positivo do consumo de café na velocidade de codificação e processamento mental de novas informações, que favorecem esse tipo de resposta em pessoas idosas (JOHNSON-KOZLOW, 2002). Os efeitos do consumo de café também se estendem além dos efeitos conhecidos sobre o estado de alerta e no humor. O café cafeinado está associado com menor incidência da doença de Parkinson em vários grupos populacionais (RAGONESE, 2003) e do mal de Alzheimer (HEUSER, 2003).
Devido ao consumo cotidiano de chás, café e chocolate, existe preocupação com os níveis de ingestão de cafeína presentes nessas bebidas. Além disso, a cafeína também está presente em medicamentos e em diversas bebidas, o que pode contribuir para aumentar o consumo. Assim, atenção deve ser dada aos potenciais efeitos adversos do consumo excessivo de cafeína. A cafeína é hoje considerada como a substância psicoativa mais consumida em todo o mundo, por pessoas de todas as idades, independente do sexo e da localização geográfica. Através de suas fontes comuns na dieta, que são chá, café, produtos de chocolate e refrigerantes, o consumo mundial de cafeína é estimado em mais de 120.000 toneladas por ano (SANTOS, 2007). Entre os alimentos que contém este alcalóide, o café é o que mais contribui para a sua ingestão.
A relação entre o consumo de cafeína e o possível desenvolvimento de algumas doenças tem despertado há muito tempo o interesse de cientistas. Apesar de não existirem evidências de que a ingestão de cafeína em doses moderadas (~300 mg/dia) sejam prejudiciais à saúde de um indivíduo normal, esta substância vem sendo continuamente estudada pois ainda persistem muitas dúvidas e controvérsias quanto aos seus efeitos adversos na saúde (NICOLI, 1999).
A quantidade de cafeína em café é dependente de uma série de fatores como a variedade da planta, método de cultivo, condições de crescimento, além de aspectos genéticos e sazonais. No caso da bebida, por exemplo, além da quantidade de pó, influenciam também o tipo do produto (torrado ou instantâneo, descafeinado ou regular) e o processo utilizado no seu preparo (WILCOX, 2004).
O “Cafézinho” é uma bebida que pode ser servida em diversas situações, confira a seguir os valores nutricionais do café:
Kcal
Carb. (g)
Lip. (g)
Prot. (g)
Café com leite e com açúcar (xícara de 200 ml.)
128
17,28
4,26
5,22
Café com leite e sem açúcar (xícara de 200 ml.)
88
7,34
4,26
5,22
Café puro infusão, com açúcar (xícara de 50 ml.)
33
6,7
0,5
0,45
Fonte: PINHEIRO, 2004.
Referências Bibliográficas:
COSTA, T.H.M., DOREA, J.G. Novos fatos e velhos mitos sobre o café. Brasília Med, vol.42: p. 15-20, 2005.
HEUSER, I. Prevention of dementias: state of the art. Dutsch Med Wochenschr, vol. 128: p. 421-2, 2003.
HOFF, M. Café e Cafeterias: Turismo Cultural. Disponível em: http://www.cdr.unc.br/PG/layoutNovo/edicoes/numerodezesseis/CafeeCafeterias.pdf, 2003.
JOHNSON-KOZLOW, M., KRITZ-SILVERSTEIN, D., BARRETT-CONNOR, E., MORTON, D. Coffee consumption and cognitive function among older adults. Am J Epidemiol, vol.156: p.842-50, 2002.
LAMMERT, F., MATERN, S. Evidence based prevention of cholecystolithiasis. Deutsc Medizin Wochens , vol129: p.1548-50, 2004.
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NICOLI, M.C., ANESE, M., PARPINEL, M. Influence of processing on the antioxidant properties of fruit and vegetables. Trends Food Sci Technol, v. 10, n. 3, p. 94-100, 1999.
NICOLI, M.C., ANESE, M., MANZOCCO, L., LERICI, C.R. Antioxidant properties of coffee brews in relation to the roasting degree. Lebens Wiss Technol, vol. 30, p. 292-97, 1997.
PINHEIRO, A.B.V., LACERDA, E.M.A., BENZECRY, E.H., GOMES, M.C.S., COSTA, V.M. Tabela para avaliação de consumo alimentar em medidas caseiras. 5ª ed, São Paulo, Ed. Atheneu, 2004.
RAGONESE, P., SALEMI, G., MORGANTE, L., ARIDON, P., EPIFANIO, A., BUFFA, D., et al. A case-control study on cigarette, alcohol, and coffee consumption preceding Parkinson’s disease. Neuroepidemiology. Vol. 22: p. 297-304, 2003.
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