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Iodo no Sal de Cozinha
Saúde & Qualidade de Vida - Saúde & Nutrição

A tireóide é considerada a maior glândula do corpo humano, localizada na porção anterior do pescoço, sendo sensível à palpitação. Em indivíduos saudáveis, o volume tireoidiano é influenciado pelo peso, altura, idade (até os 30 anos) superfície corporal e consumo de iodo na dieta (ALVES e col., 2010).

A recomendação de iodo para crianças de 1 a 8 anos é de 90μg/dia, 120 μg/dia para adolescentes de 9 a 13 anos e 150μg/dia para indivíduos à partir dos 14 anos (DRI, 2001).

Quando as necessidades mínimas de iodo não são atingidas, podem desencadear diversas anormalidades funcionais, como por exemplo, atraso no desenvolvimento no crescimento em crianças e adolescentes, levando ao nanismo; atraso no desenvolvimento mental, queda de fertilidade da população feminina jovem e o aumento da mortalidade perinatal e da mortalidade infantil. (KNOBEL; MADEIROS-NETO, 2004).

Entre as mais comuns está o bócio, que se caracteriza pela alteração funcional da tireóide (com queda de T4 sanguíneo e elevação de TSH), com o aumento da glândula tiróide, inicialmente difuso, que tende a progredir para nodular caso a carência de iodo permaneça crônica (KNOBEL; MADEIROS-NETO, 2004).

A partir deste panorama a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a suplementação de iodo por meio da adição deste elemento no sal de cozinha, criando assim, uma forma de se prevenir problemas relacionados à sua deficiência.

Com essas políticas públicas, houve uma redução significativa da prevalência de bócio. Em 1955 atingia 20,7% da população brasileira, esses números caíram para 14,1% em 1974, depois 1,3% em 1984 e 1,4% em 2000 (PNAN).

Entretanto, o consumo excessivo de iodo também pode causar danos à saúde. Segundo a OMS, o excesso de iodo pode aumentar a prevalência de doenças auto-imune da tireóide (Tireóide de Hashimoto) em indivíduos geneticamente predispostos e levar ao hipertireoidismo iatrogênico atingindo principalmente a população idosa.

O Brasil é considerado um dos países cujo consumo de iodo é maior que o recomendado, indicando que grupos da população brasileira podem estar predispostos aos riscos que a ingestão excessiva de iodo pode levar (MEDEIROS-NETO, 2009).

Dessa forma, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está propondo uma redução na quantidade de iodo utilizado no sal comercializado no país, alterando de 20 – 60mg de iodo por quilo de sal para 15 – 45mg de iodo por quilo de sal. Esta proposta ficará em consulta pública por dois meses, à partir de 4 de julho de 2011. (ANVISA, 2011).

REFERÊNCIAS:

ALVES, M. L. D. et al.; Avaliação ultrassonográfica da tireóide, determinação da iodúria e concentração de iodo em sal de cozinha utilizados por escolares de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Arq. Bras. Endocrinol. Metab. vol. 54, n. 9, São Paulo, dezembro, 2010.

ANVISA- Agência de Vigilância Sanitária. Consulta Pública N°35 de 4 de julho de 2011.

Dietary Reference Intakes – DRIs: Recommended Dietary Allowance and Adequate Intakes, Elements. Food and Nutrition Board, Institute of Medicine, 2001.

KNOBEL, M.; MEDEIROS-NETO, G. Moléstias associadas à carência de iodo. Arq. Bras. Endocrinol. Metab., vol. 48, n. 1, São Paulo, fev., 2004.
MEDEIROS-NETO, G. Iodo nutricional no Brasil: como estamos? Arq. Bras. Endocrinol. Metab., vol. 53, n. 4, São Paulo, junho, 2009.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política Nacional de alimentação e Nutrição – PNAN. Deficiência de iodo. Disponível em: http://nutricao.saude.gov.br/iodo_informacoes.php#alimentos Acesso em: 23 agosto 2011.