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Panorama Nutricional Brasileiro
Saúde & Qualidade de Vida - Saúde & Nutrição

O Brasil apresentou grande desenvolvimento nos últimos anos e com isso houve uma alteração no perfil nutricional da população: uma ligeira diminuição dos casos de desnutrição e deficiências de nutrientes por todo o país, concomitante a um aumento do sobrepeso e obesidade em todas as faixas etárias. (PNDS e POF, 2008-2009).

Segundo dados do SISVAN e PNDS 14 a 33% das crianças menores de 3 anos apresentam carência de vitamina A e 15 a 50% apresentam deficiência de ferro.

Nas região nordeste esse índice é um pouco maior aproximadamente 25,5% de incidência de anemia e 19% de hipovitaminose A em crianças menores que 5 anos (PNDS, 2009 e SISVAN).
Nos adultos também há uma maior incidência de hipovitaminose A e anemia. Em mulher em idade reprodutiva a deficiência de vitamina A atinge aproximadamente 12,3% desta população e 29% apresentam anemia, principalmente do tipo ferropriva. Essas taxas se mantiveram estáveis mesmo com a diminuição dos casos de desnutrição protéico-calórica, provavelmente esse panorama é decorrente de uma dieta sem variedade de alimentos, principalmente frutas, verduras e legumes que são fontes de vitaminas e minerais (PNDS, 2009 e SISVAN).

A desnutrição ainda tem uma abrangência mundial, como demonstra a figura a seguir:

 

No Brasil a desnutrição calórico-proteíca atinge, em média, menos que 20% da população, resultando principalmente em déficit de estatura para idade e aumento de comorbidades. Além disso, verifica-se uma deficiência de alguns micronutrientes importantes no crescimento, como: zinco, ferro, ácido fólico, cálcio, vitamina A e D.

As regiões Norte e Nordeste do país ainda são as que mais sofrem com a desnutrição infantil. A taxa de internação hospitalar de crianças menores de 5 anos causadas por desnutrição é de 1,1 casos para cada 1000 crianças, maior que a média nacional, que é de 0,7 casos para cada 1000 crianças, seguida pela região Norte, que tem 1 caso para cada 1000 crianças. Estas taxas alcançam seu maior valor no primeiro ano de vida, e vão declinando conforme aumenta a idade da criança. Embora baixa, a taxa de mortalidade hospitalar reflete que o aleitamento materno ainda está abaixo da recomendação da Organização Mundial da Saúde - OMS. (BITTENCOURT, 2009).

Paralelo a esse cenário observa-se um crescimento do sobrepeso e obesidade nas últimas décadas, como demonstra a tabela a seguir:

 

 

1974-1975

2008-2009

1974-1975

2008-2009

 

 

Sobrepeso

Obesidade

5 a 9 anos

Meninas

8,60%

34,80%

1,80%

11,80%

 

Meninos

10,90%

32%

2,90%

16,60%

10 a 19 anos

Meninas

7,60%

19,40%

0,70%

4%

 

Meninos

3,70%

21,70%

0,40%

5,90%

Mais de 20 anos

Mulheres

28,70%

48%

8%

16,90%

 

Homens

18,50%

50,10%

2,80%

12,40%

Fonte: POF 2008-2009

 

Esse panorama indica a necessidade de políticas públicas de conscientização e educação nutricional à população brasileira, que visam vincular o acesso do alimento às necessidades nutricionais e à promoção da saúde (FERREIRA E LUCIANO, 2010), pois mesmo com o aumento da disponibilidade de calorias per capita e com o aumento da participação de alimentos de origem animal na alimentação, ainda não há uma melhora efetiva do perfil nutricional da população brasileira (COUTINHO e col, 2008).

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA

BITTENCOURT, S.A., NIQUINI, R.P. REIS, A.C. LEAL, M.C. Assistência a crianças Desnutridas: análise de dados do sistema de informação hospitalar do Sistema Único de Saúde do Brasil. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant. Vol 9, n.9, p.263-273, 2009.

BUENO, A.L., CZEPIELEWSKI, M.A. Micronutrientes envolvidos no crescimento. Rev. HCPA, vol. 27, n.3, p.49-56, 2007.

COUTINHO, J.G., GENTIL, P.C., TORAL, N. A desnutrição e obesidade no Brasil: o enfrentamento com base na agenda única da nutrição. Cad. Saúde Pública, vol. 24, supl.2, p. 332-340, 2008.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009. Rio de Janeiro, 2008.

FERREIRA, H.S., LUCIANO, S.C.M. Prevalência de extremos antropométricos em crianças do estado de Alagoas. Rev. Saúde Pública, vol. 44, n.2, p.377-380, 2010.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Centro Brasileiro de análise e planejamento. PNDS Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher. Dimensões do Processo Reprodutivo e da Saúde da Criança. Brasília; 2009. 302p.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. PNAN Política Nacional de Alimentação e Nutrição. SISVAN- Sistema de vigilância alimentar e nutricional. Micronutrientes. Disponível em: http://nutricao.saude.gov.br/spots_micronutrientes.php. Acesso em: 20 julho 2011.