
Vitamina A
Saúde & Qualidade de Vida - Saúde & NutriçãoO nome químico da vitamina A é retinol. É uma vitamina lipossolúvel, ou seja, solúvel em gordura, precisando de gordura para o seu transporte. O fígado é o órgão que mais armazena vitamina A no nosso organismo.
O precursor da vitamina A é o caroteno, pigmento alaranjado com atividade antioxidante, armazenado no tecido adiposo humano.
A função mais conhecida da vitamina A é a desempenhada na visão, onde participa do ciclo visual, mas este nutriente também tem função na reprodução, desenvolvimento embrionário e imunidade. Na forma de ácido retinóico, tem papel importante no controle da expressão gênica, diferenciando as células da pele, do pulmão e do intestino.
Deficiência: A cegueira noturna (dificuldade de ver no escuro) é uma doença decorrente da deficiência de vitamina A. Infecções bacterianas e lesão permanente da córnea do olho (xeroftalmia) são sinais de uma deficiência mais severa. Uma deficiência grave de vitamina A também causa alterações na aparência e nas funções dos tecidos da pele, do pulmão e do intestino e ainda na formação do esmalte do dente.
As crianças apresentam um risco maior de ter deficiência de vitamina A, pois ainda não fizeram um estoque adequado da vitamina. A análise dos inquéritos bioquímicos disponíveis sobre concentrações séricas de retinol indica prevalências de hipovitaminose A que variam entre 14,6% e 33% em menores de cinco anos, manifestando-se particularmente nas regiões e segmentos mais pobres da população do Brasil.
O Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A (“Vitamina A Mais”), sob responsabilidade do Ministério da Saúde, objetiva prevenir e/ou controlar essa deficiência nutricional mediante a suplementação com megadoses de vitamina A, em crianças de seis a 59 meses de idade (100.000 e 200.000 UI, respectivamente, com intervalo mínimo de quatro meses) e puérperas no pós-parto imediato (200.000 UI em dose única), residentes na Região Nordeste, no Vale do Jequitinhonha e Mucurici em Minas Gerais e no Vale do Ribeira em São Paulo.
Até a segunda metade da década de 1980, a deficiência de vitamina A (DVA) causava preocupação apenas em relação a seus sinais clínicos, que vão desde a cegueira noturna até a cegueira nutricional irreversível. Na segunda metade dessa década surgiram evidências de que a carência sub-clínica da vitamina A, sem sinais como xeroftalmia, mancha de Bitot e ceratomalacia, também pode contribuir para a morbidade e mortalidade em crianças, recém-nascidos e mulheres em idade fértil, puérperas e nutrizes, os grupos tradicionalmente considerados de risco. Atualmente, sabe-se que, em função de sua atuação no olho e no ciclo visual, a DVA pode tornar mortais doenças como o sarampo, considerada parte do histórico de saúde de crianças normais. De fato, a DVA pode provocar quadros de imunodeficiência de origem exclusivamente nutricional
Epidemiologia:
Os inquéritos de consumo alimentar realizados nos últimos 25 anos em âmbito nacional, regional ou local indicam que a ingestão de vitamina A de fontes naturais (incluindo provitamina A) é extremamente baixa em 60% ou mais da população, com uma adequação inferior a 50% (36-41). A Organização Panamericana da Saúde reconhece que, da ingestão média total de vitamina A na América do Sul, 50% provêm de fontes vegetais (provitamina A, carotenóides). É importante ressaltar que nesses 50% estão incluídos os carotenóides sem atividade de provitamina A. A monotonia alimentar prevalente entre as diversas camadas da população, principalmente as mais pobres, contribui para a manutenção do quadro que prevalece até hoje.
No Brasil, os inquéritos bioquímicos disponíveis confirmam que a DVA é um problema de saúde pública nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Bahia e Amazonas. No Rio de Janeiro também foram observadas altas prevalências de DVA. Em gestantes consideradas de baixo risco, a inadequação dietética atinge 12%.
Recomendação (DRIs): Homens adultos: 900ug/dia e mulheres adultas: 700ug/dia.
Fontes alimentares:
Retinol: leite fortificado, queijo, creme de leite, manteiga, ovos e fígado.
Beta caroteno: espinafre e outros vegetais folhosos verde-escuros, brócolis,
frutas de cor laranja-escuro como manga, mamão, abóbora, cenoura, batata-doce.Toxicidade: A ingestão aguda de doses muito altas de vitamina A (>200 mg RE em adultos) pode provocar náusea, vômitos e dores de cabeça. Esses sintomas geralmente são passageiros. A ingestão crônica (>10x RDA) pode causar queda de cabelo, dores musculares e nos ossos, dores de cabeça, dano no fígado e dislipidemia (aumento das concentrações de triglicérides no sangue). Em mulheres grávidas, pode ocorrer teratogênese (defeitos no nascimento).
Referências Bibliográficas:
SARNI, et al. Vitamina A: Nível sérico e ingestão dietética em crianças e adolescentes com déficit estatural de causa não hormonal. Revista de Associação Medica Brasileira, v.48, n.1, 2002.
DRI´s - Dietary Reference Intake. Disponível em < http:// www.nap.edu > . Acesso em 21 jul. 2008.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Brasília; 2000.
Ramalho RA, Anjos LA, Flores H. Estado nutricional de vitamina A e teste terapêutico em pré-escolares no Rio de Janeiro. Revista de Nutrição PUC-Campinas, v.14, 2000.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de políticas de Saúde. Política Nacional de Alimentação e Nutrição - Pesquisa Nacional sobre demografia e saúde (PNDS-1996).